Os delírios do consumo: somos todos Becky Bloom?

Os delírios do consumo: somos todos Becky Bloom?

Não podemos negar que o consumo faz parte de nosso cotidiano. Somos induzidos a consumir, a partir das mídias de massa e de campanhas de marketing. O filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom nos mostra de forma divertida o quanto o consumismo pode prejudicar a vida, seja ela pessoal, financeira e psicológica

Em uma certa madrugada, procurando algum filme para assistir, um chamou a minha atenção, chamado Os Delírios de Consumo de Becky Bloom. Este filme é baseado em uma série de livros Shopaholic (Delírios de Consumo) da escritora britânica Sophie Kinsella.

O filme conta a história de Rebecca Bloomwood (conhecida por Becky Bloom), uma garota formada em jornalismo e com uma compulsão por compras. Becky sempre foi apaixonada por moda, contudo, trabalhava em uma revista falida, na coluna de jardinagem. Quando consegue uma entrevista na revista que sempre sonhou trabalhar, no entanto, chegando lá descobre que a vaga já tinha sido preenchida internamente. Por ironia, Becky consegue um emprego em uma revista de finanças, como uma forma de chegar perto do seu sonho, pois as revistas fazem parte do mesmo grupo editorial. Ela acaba escrevendo sobre finanças pessoais, passando de forma simples os complexos assuntos de economia, baseado nas suas trágicas experiências, e, seus textos começam a fazer sucesso, e ela fica conhecida como a “Garota da Echarpe Verde”.

O que podemos concluir com o filme é que Rebecca Bloomwood sou eu, são os meus irmãos, são os meus amigos, são os meus vizinhos, somos todos nós. Rebecca são todas aquelas pessoas que perdem o controle no ato da compra, que são reféns do consumismo. As mídias de massa e as campanhas de marketing acabam proporcionando a “necessidade” dos produtos em nossas vidas, iniciando assim o ciclo de consumo.

A cultura do consumo, na qual estamos todos inseridos, mercantilizou dimensões sociais e datas comemorativas, consequentemente, estamos cada vez mais endividadas, comprando além de nossos ganhos. De acordo com uma pesquisa do SPC, roupas, calçados e eletrônicos são os maiores objetos de consumo e endividamento das pessoas, já que estes produtos proporcionam status. Diante da realidade, percebemos um nivelamento de desejos: crianças pobres e ricas querendo os mesmos brinquedos, adultos de classes sociais distintas tendo as mesmas vontades, reforçadas pelos modelos e padrões de vida apresentados pela mídia, como os gostos e hábitos de celebridades.

O consumo é faz parte do nosso cotidiano, pois é um fator crítico para processo de desenvolvimento econômico, pois aquece o mercado, impulsiona os meios de produção, gerando renda e emprego. Mas como consumir de forma mais consciente e crítica, já que estamos sempre sendo induzidos a consumir em excesso?

Por isso, é importante conhecer a si mesmo e evitar comprar por impulso. O primeiro passo é conhecer o nosso consumo, se é racional ou por impulso. Segundo passo é questionar. Becky Bloom, no meio de uma liquidação, faz alguns questionamentos para

si mesma: eu preciso disso? Terceiro passo é conhecer o que temos em casa, com o objetivo de não comprarmos algo que já temos e evitar ter mais do mesmo produto. Quarto passo é monitorar a risca os gastos, justamente para não enforcar as finanças. Quinto passo, usar o cartão de crédito em situações necessárias.

Parafraseando Descartes: “Consumo, logo existo”. Somos uma sociedade de consumidores e, infelizmente, as pessoas são vistas, avaliadas, medidas por aquilo que possuem, ostentam ou podem adquirir. Muitos são os motivos que levam uma pessoa a comprar: a necessidade, a diversão, os modismos, a importância, o status e o apelo mercadológico do comércio. Mas há quem consuma pelo simples prazer de comprar, de adquirir alguma coisa independente da sua utilidade ou significado. É primordial que tenhamos a consciência do consumismo em nossas vidas, se isso não está trazendo impactos negativos, seja para a saúde financeira ou psicológica (oneomania é hoje um fenômeno que acomete 3% da população brasileira, a maioria mulheres). Portanto, temos que buscar o controle, para que não sejamos mais um para as estatísticas com o “nome sujo” da praça.


Fonte: Artigos Administradores / Os delírios do consumo: somos todos Becky Bloom?

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