Os desabafos dos empresários brasileiros

Os desabafos dos empresários brasileiros

Em simples palavras, é possível afirmar que uma boa parte dos empresários trabalha, apenas, para pagar conta. Em razão disso, quase metade das empresas que são abertas no Brasil, encerram suas atividades em até 3 (três) anos

Introdução

Por ouvir frequentemente diversos e tristes desabafos de empresários endividados e, até mesmo, revoltados, decidi, enfim, escrever algo sobre a razão da revolta.

Em simples palavras, é possível afirmar que uma boa parte dos empresários trabalha, apenas, para pagar conta. Em razão disso, quase metade das empresas que são abertas no Brasil, encerram suas atividades em até 3 (três) anos (matéria reproduzida a seguir).

Quem nunca teve uma empresa ou uma proximidade com um fluxo de caixa, pode ter dificuldade de compreender o fato acima mencionado. Por outro lado, há pessoas que sabem, exatamente, do que se trata o assunto.

Sem a pretensão de abordar assuntos técnicos, relacionados à gestão financeira, o presente artigo pretende tratar de forma simples e prática, acerca das dificuldades que os empresários brasileiros, em geral, sofrem.

Basta somar as despesas com folha de pagamento dos funcionários, impostos (tributos), pagamento de fornecedores de produtos e serviços, para visualizar um monstro apavorante. É óbvio que há muito mais. Por exemplo, na maioria dos casos, o empresário precisa pagar o aluguel do estabelecimento.

Em se tratando de São Paulo, todos sabem que as despesas são maiores, como locação, transporte, o seguro, segurança patrimonial etc. Além disso, serviços básicos como água, esgoto, energia elétrica, internet e telefonia, representam um custo exorbitante.

Despesas com funcionários

Além do salário, a empresa deve arcar com as férias anuais, com acréscimo de 1/3, décimo terceiro e recolhimento de FGTS. Como se não bastasse, há o recolhimento de INSS, com algumas diferenças, de acordo com a opção tributária (Simples Nacional, Eireli, ME, MEI, EPP, LTDA., S/A. Etc.).

Não se pode deixar de mencionar que, havendo demissões, a empresa deverá arcar com as verbas rescisórias, como aviso prévio, multa sobre o FGTS, saldo de salário, férias proporcionais, décimo terceiro proporcional e outras verbas.

Após a rescisão, pode haver ações trabalhistas, reclamando adicionais, horas extras e outros direitos.

Despesas com tributos

O empresário brasileiro é castigado pela arrecadação tributária. Isso porque, a carga tributária no Brasil é uma das mais elevadas do mundo.

Para se ter uma ideia, outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina não cobram tantos impostos como o Brasil, mas os serviços públicos recebem maiores investimentos e possuem mais qualidade. É dizer, nossos vizinhos pagam menos tributos e tem uma melhor qualidade dos serviços públicos.

Transcreve abaixo um trecho da matéria publicada no G1:

“Mesmo com os sucessivos recordes de arrecadação tributária, – marca que, em 2015, já chegou aos R$ 800 bilhões de tributos-, o Brasil continua oferecendo péssimo retorno aos contribuintes, no que se refere à qualidade do ensino, atendimento de saúde pública, segurança, saneamento básico, entre outros serviços. E o pior, fica atrás de outros países da América do Sul”, destaca o presidente-executivo do IBPT, João Elói Olenike (Fonte: G1 / Economia).

Em razão do tamanho da lista de tributos cobrados no Brasil, não é possível reproduzi-la aqui. Mencionam-se, ao menos, os principais: II; IOF; IPI; IRPF; IRPJ; ITR; Cide; Cofins; CSLL; FGTS; INSS; PIS/Pasep; Impostos estaduais; IPVA; ITCMD; Impostos municipais; IPTU; ISS e ITBI (Fonte: Adriano M Pinheiro Advocacia).

Não satisfeito com a arrecadação, o Governo Federal, com a atual presidente Dilma Rousseff e seu partido (PT), pretendem o retorno da CPMF.

Qualidade dos Serviços Públicos

A já mencionada falta de investimento nos serviços públicos, como transporte, segurança e infraestrutura, além de tudo, causam diversos prejuízos às empresas.

À título de exemplo, uma empresa de transporte tem maiores despesas com caminhões e carretas, tendo e vista às más condições das estradas, além de um tempo maior de deslocamento, encarecendo o frete, bem como um valor de seguro maior, em razão da falta de segurança pública. Como se não bastasse, há a necessidade de pagar escolta, em alguns casos.

É apenas um dos diversos exemplos. O produto final pode ficar dez vezes mais caro, repassado ao consumidor, pela falta de investimento público.

Conclusão

Como se vê, boa parte do investimento do empresário vai para a arrecadação de tributos, outra parte vai paga folha de pagamento. Como se não bastasse, o empresário está sujeito a rigorosas fiscalizações, que objetivam aplicar multas.

Não é sem razão, que estudos no IBGE já demonstraram que quase metade das empresas abertas encerram suas atividades em pouco tempo. Transcreve-se abaixo o trecho da matéria:

“Segundo um estudo divulgado no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cada 100 empresas abertas no Brasil, 48 encerraram suas atividades em três anos” (Revista Gestão e Negócio/UOL).


Fonte: Artigos Administradores / Os desabafos dos empresários brasileiros

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