Os desafios do empreendedorismo feminino

Os desafios do empreendedorismo feminino

A mulher tem empreendido cada vez mais, no entanto, existem alguns desafios que são restritos ao nosso universo

Nunca antes ouvimos tanto falar sobre esse tema como na atualidade. O empreendedorismo feminino tem se destacado e com isso ganhou notoriedade. No entanto, observamos que além dos desafios comuns no ato de empreender, as mulheres possuem outras dificuldades que precisam administrar para obterem sucesso em sua jornada.

Pesquisas nos mostram que mulheres empreendem mais atualmente motivada por dois grandes fatores: a busca pela realização de um propósito, deixar um legado e a flexibilidade de horário tão desejada por aquelas que compõem uma jornada dupla ou tripla, ou seja, é uma grande oportunidade em conciliar carreira, família e maternidade.

Além desses fatores, contamos ainda com uma busca pela diminuição nas desigualdades ainda presentes nas grandes corporações. Quando analisamos essas pesquisas, observamos que o número de mulheres em cargos de liderança em grandes empresas é muito inferior se comparado ao número de homens.

Dessa forma, ao tornar-se empreendedora, a mulher conquista seu espaço sem que seja necessário vivenciar uma competição no ambiente corporativo.

Mas, como comentei, para conquistar o sucesso a mulher precisa administrar outros desafios, e meu objetivo é justamente esclarecer esses pontos para minimizar o impacto negativo que tais situações possam nos causar.

Os principais são:

  1. Conciliar carreira, família, maternidade

A mulher desde os primórdios sempre teve um instinto protetor. Isso traz em nosso DNA uma carga de responsabilidade muito grande. Mesmo hoje, quando observamos que os parceiros auxiliam nas tarefas domésticas e na educação dos filhos, há uma “carga” maior que pesa sobre a mulher. Nossa própria cultura ainda incentiva tal comportamento. Dessa forma, creio que esse é um dos maiores desafios da mulher que empreende.

Uma vez que ela se torna responsável por gerir um negócio, e muitas vezes terá funcionários, ou seja, famílias que dependam do seu sucesso, a tendência da mulher é elevar seu nível de responsabilidade.

Aprender a estabelecer as prioridades e administrar essa jornada tripla torna-se fundamental para que a autocrítica, ou a síndrome da “mulher maravilha”, não torne o sonho do negócio próprio um pesadelo. 

  1. Gestão da autoimagem

A maioria das mulheres são influenciadas pelas opiniões externas. De maneira geral buscamos aprovação das nossas ações, das nossas escolhas, e muito se deve ao fato de não nos conhecermos profundamente. Trabalhar a autoconsciência nos ajuda a gerirmos nossa autoimagem. E uma autoimagem positiva nos ajuda a nos posicionarmos tanto no mercado de trabalho quanto em nossos relacionamentos pessoais.

Quando isso não está bem desenvolvido, caímos nas armadilhas: “não consigo”; “não posso”; “não sou capaz”. A incerteza e a insegurança decorrem de uma autoimagem torcida, que foi gerada pelas experiências negativas que tivemos ao longo de nossas vidas.

Reconhecer que erros são experiências para gerar aprendizado nos ajuda a olharmos tais situações como os degraus necessários para alcançar o sucesso, e isso nos traz liberdade para agirmos segundo nossa essência, sem nos preocuparmos se estamos enquadrados em um perfil que o mercado exige de nós.

A autenticidade é um fator diferencial para gerar resultado em nossos negócios.

  1. Administrar o sentimento de culpa

Por sermos autoprotetoras, facilmente desenvolvemos sentimento de culpa. A culpa está implícita em nossa personalidade desde Adão e Eva, quando ele culpou a mulher por ter lhe dado o fruto proibido.

Devido a esse instinto protetor, nos tornamos controladoras, para assim evitar problemas e dores. O que nos esquecemos é que não conseguimos controlar pessoas e nem fatores externos. Não temos controle sobre quase absolutamente nada, ou seja, investimos uma carga emocional sobre algo que pouco nos dará retorno.

Um modo de compensar essa falta de controle é gerando o sentimento de culpa. Nos parece louco, até contraditório, mas quando me culpo, me responsabilizo por algo que deu errado, estou amenizando a falta de controle sobre a situação. E é justamente esse sentimento de culpa que as mulheres precisam aprender a identificar e administrar para não serem consumidas.

A culpa por estar trabalhando, por deixar filhos no colégio, por ter pouco tempo com os pais já idosos, a culpa até mesmo por ter mais sucesso do que seu companheiro. Enfim, um “mar” de situações que se a mulher não aprender a administrar, inevitavelmente a levará a desistir de algo.

Existe uma saída…

O convite é… viva um dia de cada vez!

Como mulheres, em geral, somos ansiosas e queremos diminuir as distâncias. Aprender a viver de forma intensa o presente é uma prática que nos leva a amenizar de forma significativa os impactos dos desafios apontados acima.

Entendermos que não precisamos e que na verdade não somos perfeitas, e que justamente essa imperfeição é o que nos torna humanas, nos aproxima das pessoas e faz com que nosso trabalho, nosso propósito, nossos sonhos tenham mais sentido e causem impacto não somente em nossas vidas, mas na vida de todos que convivem conosco.

Como uma mulher empreendedora, afirmo que é possível.

É possível realizarmos todos os nossos sonhos, e executarmos todos os papéis que nos foram propostos sem precisar abrir mão de nada. Apenas precisamos aprender que na imperfeição, quando cometo um erro, tenho a oportunidade de refletir sobre tal fato, e gerar o aprendizado necessário para aquele momento.

Palavra chave para isso é: Equilíbrio. Permita-se equilibrar sua vida de modo que possa ser uma e outra sem abrir mão disso ou daquilo.


Fonte: Artigos Administradores / Os desafios do empreendedorismo feminino

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