Os Governos do PT e a Economia Brasileira – 2003 – maio de 2016

Os Governos do PT e a Economia Brasileira – 2003 – maio de 2016

Economia Brasileira 2003 – maio de 2016

A agenda de reformas a partir do governo FHC nunca foi majoritária.  Havia um conflito latente entre a visão do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento. No primeiro governo Lula, também havia um discurso de responsabilidade fiscal, enquanto em outros segmentos do governo havia um discurso mais tradicional da esquerda de resgate da agenda nacional-desenvolvimentista que depois acabou predominando. 

Mas, conforme Samuel Pessoa, após a arrumação da casa fiscal no segundo mandato de FHC, tivemos um período em que a taxa de crescimento da receita foi o dobro da taxa de crescimento da economia.  Apesar do crescimento real da despesa na casa de 7% ao ano, o superávit manteve-se elevado, em torno de três pontos percentuais do PIB ao ano, por um longo período”. (F S P, 22.05.2016, Mercado, p. 6).

Segundo o economista Marcos Lisboa, em 2009 voltamos a ter um projeto de Brasil grande, no mesmo modelo do Segundo Plano Nacional do Desenvolvimento do governo Ernesto Geisel em 1975.

O Brasil não aproveitou os ajustes na economia que se iniciaram com o Plano Real em 1994 para recolocar o país na rota do crescimento.  Os ganhos fáceis que o país teve durante certo tempo e uma relativa bonança internacional alimentaram um projeto esquerdista e megalômano.

A descoberta do pré-sal foi recebida como um bilhete premiado e deu origem a uma série de equívocos no setor.  O modelo de exploração de petróleo foi mudado para o Estado se apropriar de uma riqueza ainda inexistente e que desapareceu .

Reservas de mercado foram construídas em seu entorno com uma retrógrada e cara política de conteúdo nacional. Em paralelo, a Petrobrás foi apropriada por uma quadrilha política e mergulhou na corrupção que quase a destruiu por completo, como está sendo revelado pela Operação Lava Jato.

Reeditou-se o nacional-desenvolvimentismo na segunda metade do governo Lula e nos dois mandatos de Dilma Rousseff.

O Estado passou a coordenar as principais decisões de investimento por meio de estímulos e subsídios.  O papel do Estado é dar incentivo e proteção para que a economia se desenvolva

Dilma, embalada pelo sucesso das politicas anticíclicas de Lula, não desfez os estímulos e ao contrário dobrou a aposta e aumentou a interferência na vida econômica, de modo atabalhoado, causando fortes distorções.

Com Dilma Rousseff houve a intervenção no preço da gasolina para controlar a inflação e não ter de aumentar as taxas de juro, mudanças nas regras do setor elétrico para não encarecer a conta de luz, medidas de proteção à indústria automobilística para incentivar o consumo. Na gasolina, conseguiu-se desestabilizar a Petrobrás e levar o setor alcooleiro à falência. No setor elétrico, as geradoras foram desestruturadas.

Com isso houve um imenso retrocesso nas agências reguladoras, que perderam autonomia.  No comércio exterior, o Brasil perdeu o bonde da história. Paralisaram-se as negociações de acordos comerciais.

As agências reguladoras foram sistematicamente usadas para barganha política desde 2003. O primeiro governo Lula foi bom do ponto de vista da macroeconomia, mas do ponto de vista regulatório foi muito ruim.  Pessoas ligadas a ele pensavam que as agências reguladoras tiravam o poder dos ministérios. Algumas agências foram quase destruídas.

“A transparência das decisões é fundamental para reduzir o prêmio de risco dos investidores, para fazer projetos viáveis e para ampliar os investimentos”, e isso tudo se perdeu. (Revista Exame, 25.05.2016, p. 73).

Para Lisboa, é impressionante como as medidas de política industrial foram malfeitas. “Houve uma concessão desenfreada de crédito subsidiado. Não havia foco. Não foram estipuladas metas de resultados. A conta dos subsídios via BNDES chegou a 313 bilhões de reais de 2008 a 2015 – o equivalente a 12 anos de Bolsa Família. Somam-se a isso uma taxa de juro bem menor do que a inflação, as desonerações, as intervenções na Petrobrás. O que aconteceu é que em 2011, começou uma queda contínua do investimento, do crescimento e da geração de emprego formal. É uma trajetória crescente que resultou na atual recessão”. (Revista Exame, 25.05.2016, p. 60-64).

Os desembolsos do BNDES, onde o Tesouro aportou R$ 400 bilhões de dinheiro decorrente do aumento da dívida pública, subiram de 2,4% do PIB em 2007, para 4,3% em 2010.  Elegeram-se “campeões nacionais” e desembolsos bilionários foram feitos sem critérios de avaliação, e o resultado foi pífio. Caiu o investimento e a produtividade da economia.

Não poderia dar certo porque, conforme o economista Cláudio Frischtak, o Estado foi capturado por interesses.  “Eles foram se entranhando no período petista. O conceito de ‘lulismo’ é exatamente atender aos interesses particulares dos empresários, dos trabalhadores, dos sem-terra, para ficar bem politicamente.”

Isso ficou muito claro no caso do BNDES que foi utilizado como instrumento de fortalecimento do projeto criminoso do PT de perpetuação no poder. Isso foi feito, por meio de doações eleitorais oficiais feitas pelos “campeões nacionais”, agradecidos pelos bilionários recursos subsidiados que estão recebendo, pelo financiamento de governos comunistas como em Cuba e na Venezuela e por propinas decorrentes de financiamentos no exterior, a empresas brasileiras, que foram fechados com a intermediação de Luiz Inácio Lula da Silva.

A ideologia e o programa do PT não representam a visão média da população, nem do Congresso Nacional. O congressista típico no Brasil é “centrista”, não é de direita, nem de esquerda.

O que ocorreu, em um país com um sistema político disfuncional como o Brasil, com excesso de fragmentação partidária e múltiplos interesses, o Executivo passou a comprar o voto dos parlamentares para impor seus pontos de vista, como ocorreu no “mensalão”, ou abriu os portões de ouro das estatais, dos fundos de pensão, dos ministérios, como no caso do “petrolão”, para garantir alianças. (Revista Exame, 25.05.2016, p. 72-75).

 Outro desastre foi o PAC, uma sucessão de planos iniciada em 2007 e até hoje não concluída em boa parte. Da lista inicial do PAC constaram 16.542 projetos, no auge, com investimentos de R$ 620 bilhões. A megalomania chegou à Petrobrás com planos de construir quatro grandes refinarias e diversos estaleiros que deram em nada. Dezenas de estádios foram erguidos ou reformados para a Copa de 2014, mais dinheiro jogado fora.

Muitos projetos e obras prontas estão abandonados.  Empreendimentos iniciados provaram-se inviáveis economicamente.  No mesmo período foram investidos apenas 10 bilhões de reais ao ano em saneamento, mantendo metade dos brasileiros sem acesso à coleta de esgoto, contra apenas 1% dos chilenos.

Dilma Rousseff, a “mãe” do PAC, revelou-se um fracasso total como “gerentona” e como “presidenta”.

Por exemplo, um dos projetos é a Ferrovia de Integração Oeste-Leste. Ela foi desenhada quando o minério de ferro estava a 140 dólares a tonelada e foi projetada para agradar ao PT na Bahia.  É uma ferrovia caríssima que hoje não tem carga que a justifique, bem um porto para recebê-la. Está paralisada com risco de sucateamento e roubo.

A Petrobrás cancelou os projetos das refinarias em Maranhão e Ceará e Rio de Janeiro porque nenhum destes projetos tem taxa de retorno positiva. Por conta da corrupção, a refinaria de Pernambuco já custa nove vezes o previsto e por isso mesmo é totalmente inviável.

A Transposição do Rio São Francisco, deveria terminar em 2011 e agora deve ficar para 2017, com custo 82% maior do que o previsto e com parte do que foi feito deteriorado.

O governo FHC priorizou a transferência ao setor privado das obrigações de investimento. A privatização da telefonia foi bem sucedida. Na concessão da rede ferroviária, a prioridade não era construir mais trilhos, mas melhorar o que estava sucateado. Com poucos recursos, foi atacado o que era mais urgente.

Nos anos petistas, o governo federal planejou mal, executou mal e fiscalizou mal as obras.

Os leilões de geração de energia foram uma prioridade que funcionou para afastar o risco de racionamento. Mas a execução foi ruim, porque não havia investimento em transmissão também no mesmo ritmo.  Usinas ficaram prontas, sem ter como escoar a energia.

Os governos petistas ainda intervieram nos mercados, principalmente desde 2007 com Dilma, reforçado em 2011, com Arno Augustin, fixando taxas de retorno dos projetos. A ideia de regular o retorno é ruim, porque o governo não sabe fazer conta tão bem quanto o setor privado. (Revista Exame, 25.05.2016, p. 72-75).

A lição é que a solução não deveria ser grandes pacotes como o PAC e o PIL, comandados pelo governo, mas dar curso ao dinamismo da iniciativa privada, ficando o governo apenas com o papel de coordenação.

Conforme destaca Bolívar Lamounier, os “13 anos e meio dos governos Lula e Dilma, equivalem a um doutorado na arte de destruir um país”.

Comprovaram que o Brasil não precisa de populistas, de salvadores da pátria, mas de “líderes sérios, bem entendidos, alfabetizados em economia e comprometidos com a busca de soluções realistas para os problemas do país. Líderes que respeitem as instituições e contribuam para seu fortalecimento.”.

Lula resgatou e Dilma aprofundou o Estado patrimonialista que a dominação portuguesa nos legou. Patrimonialismo como uma estrutura de Estado comandada por uma burocracia e uma classe política parasitárias. “Bloqueando o acesso de grupos autônomos ao governo e reservando o filé-mignon da atividade econômica para os ‘amigos do rei’ esse arcabouço de Estado dificultou por todos os meios um processo de crescimento baseado em um verdadeiro mercado”.

A eficiência, a capacidade, o esforço e o mérito foram para o espaço. Criou-se uma classe de empresários que se acostumaram a “mamar nas tetas” do Estado e com Lula, o corporativismo de Getúlio chegou a seu auge, com como assinala Lamounier,” o sindicalismo pelego, o funcionalismo público, e um rosário de outros grupos, inclusive parte da universidade e da cultura, aprenderam o truque dos empresários, aconchegando-se sob os generosos seios do Estado”.

Todos se apresentaram como simples defensores gananciosos de seus interesses. “Abrigaram-se sob guarda-chuvas ideológicos os mais variados, mas todos ‘progressistas’”.

Progressismo no sentido “antiliberal”, contra um setor privado forte, contra a concorrência e o lucro. “A favor da perpetuação da máquina de Estado patrimonialista, centralizadora e financiada por uma tributação extorsiva e regressiva”. (Bolívar Lamounier, Exame, 25.05.2016, p. 31).

Prevaleceu o populismo que combina dois males letais: o desapreço pelas instituições da democracia e irresponsabilidade econômica.

Mas, o erro mais grave de Dilma Rousseff começou logo em 2011, quando a receita passou a crescer na mesma velocidade do crescimento da economia. “Quatro anos de comportamento normal da receita – além, é forçoso reconhecer, de inúmeros erros de política econômica, transformaram um superávit recorde de 2,5% do PIB em um déficit recorrente de 1,5% em 2014, já descontado os efeitos das pedaladas. A enorme incerteza de uma sociedade que não consegue resolver sei conflito distributivo de forma civilizada causou a queda do investimento já em 2014, fato que está na raiz do agravamento da crise a partir do 2º semestre de 2014, até hoje”…

Em vez de ser estadista e liderar a sociedade nesse processo [construção de um Estado solvente a longo prazo], Dilma escolheu esconder o problema. Omissa, atacou o problema fiscal com expedientes temporários: seguidos programas de refinanciamento de dívidas tributárias (Refis), contabilidade criativa e pedaladas fiscais. Escondeu da sociedade os problemas”.

“É lamentável, mas apreendemos como um governo mal-intencionado e/ou incompetente na gestão fiscal pode causar um estrago sem precedentes. O quadro institucional, expresso em diplomas como a Lei de Responsabilidade Fiscal ou a Lei de Diretrizes Orçamentárias foi simplesmente despedaçado no processo. Recuamos ao menos 20 anos em termos de instituições fiscais. Idealmente estas deveriam ser reconstruídas, mas não temos sequer certeza de que seremos capazes de tal tarefa”. Alexandre Schwartsman. (F S P, 25.05.2016, p. A-18).

Dilma deu azar. O início do fim do ciclo externo auspicioso coincidiu com o início de seu mandato e ela não percebeu isso.

Quando acordou, após o maior estelionato eleitoral da história, já era tarde demais e continuou demonstrando incapacidade de enfrentar o problema.

Por trás desta estratégia de ocultação está uma tradição de pensamento econômico de esquerda que minimiza a restrição de recursos e considera que quase sempre a economia brasileira opera com elevada ociosidade. Com essa visão, a piora do déficit público é vista como positiva, pois aumentaria o crescimento e, com ele, a receita do governo, como se a dívida pública não existisse.

Em complemento está a visão esquerdista de que tudo pode ser solucionado “por aumento de carga tributária, preferencialmente sobre os mais ricos, em vez de reformas e medidas que reduzam o gasto público e aumentem a eficiência da máquina pública” Ou seja, esta visão ignora o impacto do aumento da carga tributária sobre os agentes económicos e os considera como cordeirinhos que aceitam passivamente a maior tributação e não reagem a ela. (Samuel Pessoa, F S P, 22.05.2016, Mercado, p. 6).

Tudo isso somado compõe o quadro de descalabro a que chegou a economia brasileira em 2016.

Bolívar Lamounier destaca que bem ou mal, o Brasil se tornou um país medianamente industrializado, com uma população em rápido crescimento e um índice de urbanização altíssimo.

Mas, “a modernização social e cultural não avançou o suficiente para quebrar a espinha dorsal do Leviatã patrimonialista”.

Embora haja 150 milhões de cidadãos aptos a votar, a dimensão dos programas sociais impede que esse imenso contingente tenha condições de exigir eficiência e transparência dos governos, pois prevalece a concepção de que o Estado pode tudo.

As grandes manifestações iniciadas em 2013 sugerem um embrião de processo de politização que pode mudar este panorama sombrio. Temos instituições sólidas e uma respeitável tradição de imprensa independente.

Mas, “essa força ascendente ainda não consegue ombrear com a nefanda combinação de patrimonialismo com corporativismo, à qual há de adicionar o sistema presidencialista de governo”, respaldado por um Congresso que, pelo “presidencialismo de coalizão”, rendeu-se ao fisiologismo e à negociação rasteira por cargos e verbas.

Neste contexto ascendeu Lula como um Messias salvador e a história brasileira passou a ser contada como uma luta perpétua de “nós o povo”, contra “eles, a elite”.

A opção ideológica pela intervenção do Estado na economia, com o PT, ganhou o status de programa de governo. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, trilhões de dólares saíram dos bancos centrais para garantir a liquidez do sistema financeiro e das empresas. Mas, Lula e Dilma tinham outra receita. Para o Brasil essa crise era apenas uma “marolinha” e a solução era não vitaminar o conjunto do sistema financeiro e do empresariado, mas direcionar os bancos públicos para liberação de mais empréstimos para empresas de setores selecionados, os “campeões nacionais”, prevaleceu o Estado Interventor e deu tudo errado.

Mas, Lula mudou. Vestiu o terno e maldizendo as elites, cooptou parte dela por meio de corrupção. Inventou uma “supertecnocrata”, que tirou do bolso do colete e que iria fazer um governo “ainda melhor” que o dele.

Deu tudo errado.  A Gerentona era apenas uma miragem e como ele, “para atingir os seus fins – geralmente designados como ‘proteção aos pobres’, ‘combate às elites’, ou ‘defesa da soberania nacional’, ignoram as restrições normais da gestão financeira, propelem os gastos públicos a níveis estratosféricos, dão de ombros para a inflação e intervêm despropositadamente na economia, mal disfarçando o prazer que sentem demonstrando ‘poder ‘ e ‘coragem’ perante o empresariado privado… A história, mais uma vez, mostra que esses ‘líderes’, não salvam a pátria – ao contrário, terminam por leva-la ao desastre”. (Bolívar Lamounier, Exame, 25.05.2016, p. 33).

O resultado é que, sob os anos do PT, a participação do Brasil na economia mundial caiu de 3,1%%, em 2003, para 2,9% em 2015.  O Brasil isolou-se do mundo. Rendendo-se ao bolivarismo de Chávez e ao Kirchinerismo de Cristina, ficou preso ao MERCOSUL e não fez acordos comerciais com o resto do mundo.

Ferreira Gullar aprofunda essa análise  .” Um dos mais graves erros cometidos por Lula, que, levado por uma visão ideológica equivocada, reduziu as possibilidades comerciais do país , o que, somado a outros equívocos cometidos por Dilma, conduziu-nos à grave crise econômica que vivemos hoje”.

“A origem desses equívocos está no populismo que certa esquerda latino-americana adotou como alternativa à revolução armada, inspirada por Cuba, que foi dizimada pela repressão…O Mercosul é a expressão desse populismo no plano do comércio internacional. Tratou-se de criar um organismo de comércio , limitado a países latino-americanos com o objetivo de libertá-los da dominação norte-americana. Resultado: países como o Chile e a Colômbia , por exemplo, que mantiveram o livre intercâmbio comercial com os norte-americanos  e os  europeus, ampliaram suas exportações , enquanto o Brasil e os demais, presos ao Mercosul, tiveram suas exportações reduzidas”.

Com José Serra , põe-se fim a um projeto ideológico implantado por Lula e que Dilma não teve nenhuma capacidade de alterar, tanto que manteve Marco Aurélio Garcia no comando das relações exteriores.

Acaba o direcionamento da política externa do Brasil a conveniências e preferências ideológicas de um partido e de seus aliados no exterior. É possível afirmar mais.  Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável por comandar um esquema criminoso na Presidência da República, responsável pelo Mensalão e pelo Petrolão , organizado para perpetuar a dominação no poder pelo partido . Estendeu a ideologia deste partido à política externa brasileira, aproximando-a dos países comunistas e bolivarianos , resultando no isolamento do país no plano internacional. Para piorar, com o objetivo de garantir o retorno à Presidência em  um terceiro mandato, escolheu para sucedê-lo uma pessoa sem qualquer carisma político, sem tradição nenhuma, que sequer havia sido eleita para vereadora e sem qualificação e competência para comandar o país e o resultado está aí para todo mundo ver, ou seja, a pior administração presidencial da história do país, a maior dívida pública, a maior recessão e o Brasil caminhando para ser uma Grécia.

Melhor exemplo do afinamento com o bolivarismo,  foi a reação de Lula  “ em face da expropriação de refinarias brasileiras por Evo Morales.  Melhor dizendo, não houve reação, porque tudo havia sido combinado antes: como a Bolívia era pobre, podia apropriar-se de nossas refinarias. Outros exemplos foram o financiamento do metrô de Caracas e de uma central elétrica em Angola. Lula agia como se o Brasil fosse propriedade sua”. ( F S P , 29.05.2016, p. C-9).

Pelos cálculos de Samuel Pessoa, o Brasil cresceu em média, 1,26 ponto abaixo do resto da América Latina nos anos do PT.  Ao invés de vitaminas a economia, o que se viu foi o reforço de uma casta de privilegiados em detrimento da maioria, como partícipes de um projeto de perpetuação no poder.

Os erros e as trapalhadas levaram a uma recessão que deve superar os 7% até o fim de 2016, legado melancólico de 13 anos e meio de governo que gerou uma “herança maldita”.

Cálculo feito por Monica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional, mostra que a taxa de juro real no Brasil poderia cair à metade caso fosse igualmente cortado ao meio o volume emprestado pelo BNDES a juros subsidiados.

Também foi nocivo um comportamento leniente com a inflação, que coexistiu em boa parte do tempo com as políticas de expansão da atividade puxada por benesses a escolhidos.

Um pouco mais de inflação não seria problema, pois seria uma espécie de “inflação do bem”, desde que viesse acompanhada de mais crescimento. Menosprezaram-se aspectos cruciais e passou-se a achar que tudo iria dar certo indefinidamente.

Ignorou-se que qualquer estímulo em ambiente inflacionário, como um corte de impostos ou uma desoneração, tende, primeiramente, a provocar mais inflação.

Conforme enfatiza Monica de Bolle, o resultado, a “herança maldita”, está aí para todo mundo ver. “Desemprego de 11%%, desajuste completo das contas públicas, rombos na Petrobrás, na Eletrobrás, na Caixa Econômica Federal, inflação alta e a pior recessão desde os anos 30. Em meio aos destroços, o consumidor endividado, orçamentos mensais comprometidos até o limite do possível para os que ainda mantiveram o emprego, porém muito além do limite para os milhões de demitidos nos últimos meses”. (Revista Exame, 25.05.2016, p. 54-57).

É inegável que, nos anos do PT, houve significativos avanços na área social, mas não há dúvida nenhuma de que eles foram turbinados para consolidar um projeto de poder criminoso.

O Bolsa Família é um êxito não há dúvida alguma, mas mais do que resgatar a população da miséria, o programa busca garantir o seu voto e perpetuar essa condição porque não foi estruturado para apenas preparar os beneficiados para entrar no mercado de trabalho e ganhar o próprio sustento.  O Bolsa Família é um sucesso, mas os 10% mais pobres continuam tendo apenas 1% da renda, ou seja, é um programa que apenas perpetua a miséria, aliviando superficialmente os efeitos da carência de renda.

Com o Bolsa Família e outras politicas sociais, a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini, caiu de 0,583 em 2003, para 0,518 em 2014. Mas os 11 milhões de desempregados em 2016 vão fazer estes números voltarem a retroceder, ou seja, parte dos ganhos sociais está sendo perdidos.

Em 2014, o governo aplicou quase R$ 14 bilhões no Fies.  O Fies foi colocado como a grande ação para permitir o acesso ao ensino superior de alunos de baixa renda, mas, na prática, por violar normas elementares do crédito, acabou financiando faculdades privadas e estimulando calotes.

Estudo “O Efeito da Disponibilidade de Crédito para Estudantes sobre as Mensalidades”, de João Manuel Pinho de Mello, do Insper e Isabela Ferreira Duarte, da PUC-Rio conclui a partir dos números de 2010 a 2012 que o dinheiro do Fies provocou um aumento de seis pontos percentuais acima da inflação no preço das mensalidades das faculdades privadas. No período, a lucratividade do grupo Kroton (o maior do mercado), dobrou.  Metade dessa bonança viria do “efeito Fies”. (F S P, 22.05.2016, p. A-12).

Assim também o Minha Casa, Minha Vida. Milhões de casas estão sendo distribuídas pelo Estado, como se os recursos fossem infinitos e os cofres públicos não tivessem fundo.

O Banco Mundial conclui um relatório em que afirma que o modelo de desenvolvimento no Brasil se tornou insustentável.

Defende a continuidade da inclusão social, acabando com o que chama “injustiças nos gastos públicos”, para permitir uma mudança na distribuição dos recursos do Estado:” dos não pobres para os pobres”.

O documento “Retomando o Caminho para a Inclusão, o Crescimento e a Sustentabilidade”, afirma que as aposentadorias do setor público são um caso “obvio” de gasto público social elevado que beneficia” pessoas em melhor situação econômica”.

O argumento é falacioso. O regime de previdência dos servidores públicos apenas garante a aposentadoria com base no salário vigente e isso não é um privilégio. Defender uma tese de que um funcionário ao se aposentar deveria passar a ter uma renda inferior ao que recebe, é a mesma coisa que condená-lo a nunca se aposentar, ou seja, a trabalhar até a morte.

Ao contrário, ajustes devem ser feitos na Previdência Privada para minimizar perdas de salário dos trabalhadores no momento da aposentadoria. A questão da Previdência deve ser resolvida por meio da exigência absoluta de contribuição, pela extensão do tempo de contribuição e por meio da fixação de uma idade mínima para a aposentadoria e não por meio de arrocho salarial.

Alegar que isso deveria ser feito, para retirar renda dos que trabalharam a vida inteira, para transferir para programas sociais destinados àqueles que não trabalham é um argumento absurdo. Os que têm renda baixa deverão prosperar com o esforço pessoal em termos de qualificação e trabalho e não por meio de benesses do Estado.

Outro tipo de transferência que o Banco Mundial aponta como passível de redução, esse sim correto, são os subsídios do setor privado, que tiveram forte expansão na administração Dilma Rousseff e que devem ser reduzidos.

Segundo a instituição, essas transferências equivalem a 14% dos gastos primários (antes do pagamento de juros da dívida) do governo em 2014, ante 7,7% destinado à assistência social.

A política discricionária de concessão de crédito prejudicou a concorrência e o investimento porque os que não foram beneficiados ficaram à mercê de taxas altíssimas de juros ou às vezes, ficaram de fora do mercado. Essa política reduziu a eficiência da política monetária, ao tornar uma fatia grande do crédito insensível às mudanças nos juros.

Além das distorções no mercado de crédito, a instituição aponta a infraestrutura “deplorável”, a carga tributária pesada e a regulamentação excessiva entre as causas para a expansão da eficiência.

Ressalta ainda que o Brasil precisa abrir mais sua economia à concorrência internacional para que a pressão dos competidores obrigue as empresas locais a melhorar a produtividade e desenvolver tecnologias. Essa proteção para o Banco Mundial é uma das razões que explica o fato de que o crescimento dos gastos em pesquisa e desenvolvimento e do número de doutores, não redundou em aumento da inovação no Brasil. (F S P, 21.05.2016, p. A-26).

Agora, outro governo, terá a imensa responsabilidade de consertar o estrago que já está feito, reduzir as distorções, equilibrar as contas públicas e permitir a retomada do crescimento.

O governo Dilma Rousseff quebrou o país. O ano de 2016 é paradigmático, pois começou com um governo mentiroso, prometendo um superávit de R$ 24 bilhões e vai terminar com outro governo atacado como ilegítimo, com um abacaxi fenomenal na mão de um déficit de R$ 170 bilhões, equivalente a 2,7% do PIB.

Dilma aumentou a carga tributária para 35,4% do PIB em 2014 e mesmo assim, explodiu a dívida pública que passou de 51,8% do PIB na eleição dela em 2010, para 66,5% em 2015 e que pode chegar a 80% em 2018.

A deterioração nas contas públicas é tão gravíssima que há ainda a possibilidade de perdas adicionais associados a eventos ainda a serem consolidados como os problemas de capitalização da Petrobrás e da Eletrobrás, empresas que foram destruídas pela própria política econômica de Dilma Rousseff, fora outros esqueletos ainda não conhecidos.

Terá imensas dificuldades de fazer isso porque o PT e os partidos de esquerda acham que está tudo ótimo e vão fazer “o diabo”, para sabotar esse trabalho.

Muita coisa terá que ser feita e muitos irão dizer que elas não podem ser feitas porque é um governo provisório e por isso não tem legitimidade.

 


Fonte: Artigos Administradores / Os Governos do PT e a Economia Brasileira – 2003 – maio de 2016

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