Ouvindo de Verdade! (baseado em Stephen Covey)

Ouvindo de Verdade! (baseado em Stephen Covey)

Stephen R. Covey, começa assim o hábito 5 de seu livro:

“Suponha que você tenha um problema de visão e decida ir ao oculista para resolvê-lo. Depois de ouvir rapidamente seus problemas, o oculista tira os óculos e os entrega a você.

– Use estes – ele diz. – Tenho estes óculos há dez anos, e eles me ajudaram muito. Pode ficar com eles.

Você os experimenta, mas os óculos só pioram seu problema.

– Está horrível – você reclama. – Não consigo ver nada.

– Mas o que há de errado? – pergunta o médico. – Para mim estão ótimos. Tente de novo.”

Você percebeu a moral da história? Não tem nada a ver com você? Quantas vezes receitamos antes de diagnosticar, em termos de comunicação? Sempre, ou quase sempre.

Tentar primeiro compreender ou escutar antes de aconselhar, exige uma tomada de consciência e sincera vontade de mudar a atitude.

Quase nunca escutamos com intenção de compreender. Escutamos com intenção de responder. Quando não estamos falando, estamos nos preparando para falar. Como no teatro, a fala do outro é apenas a “deixa” para entrarmos com nossa fala.

Covey diz que a maioria das pessoas lê a própria autobiografia na vida dos outros: “Ah, eu sei o que você está sentindo”, “Já passei por isso. Vou contar o que aconteceu comigo”. Ou seja, receitam-se os próprios óculos.

Se essas pessoas (a maioria de nós) tiverem um problema com alguém, seja colega, subordinado, chefe, filho, filha, cônjuge, a reação mais provável será “eles não me entendem”. Afinal, a verdade é a “sua” referência e não a do outro.

Abarrotados com nossos conceitos, nossas verdades, nossa biografia, não abrimos espaço para entender o que realmente se passa dentro de outro ser humano.

A ideia não é necessariamente concordar, mas compreender profundamente o outro, no plano intelectual e também emocional. Isso traz informações preciosas. Dá ao outro o que Covey define como “ar psicológico”: “Depois da sobrevivência física, a maior necessidade humana é a sobrevivência psicológica: ser compreendido, se afirmar, receber incentivo, ser amado”.

Sinceridade é palavra chave neste processo. Quando você tenta realmente entender, quando dá “ar psicológico” ao interlocutor, também o ajuda a clarear seus próprios pensamentos e sentimentos. Conforme ele adquire mais confiança em seu desejo sincero de entender e escutar, a barreira entre “o que está acontecendo dentro dele” e “o que ele está lhe comunicando” desaparece.

Em suma, primeiro você escuta com empatia, dá “ar psicológico” ao outro. A partir daí, pode se concentrar na solução dos problemas ou nos conselhos que tem a dar. Ao procurar primeiro compreender, você conta com informações precisas para refletir, chega com rapidez ao fundo dos problemas, diminui as diferenças e dá às pessoas condições de trabalhar eficazmente em conjunto com você. Abre as portas para soluções criativas e terceiras alternativas.

Por isso, seja empático em seu comportamento diário. Aja com discernimento, sensibilidade e consciência de que é possível viver fora de sua autobiografia quando necessário.

Atenção empática é a marca dos bons profissionais. Um paciente não confia na receita e no tratamento se não confiar no diagnóstico. Um médico que não escuta não pode diagnosticar direito. Um vendedor eficaz tenta, primeiro, entender as necessidades, as preocupações, a situação do cliente.

Técnicas para aprimorar a capacidade de ouvir e escutar são úteis e eficazes. Mas podem parecer mera manipulação ao interlocutor se não estiverem assentadas em um desejo sincero de escutar para entender. Lembre-se: as pessoas querem ser compreendidas. Qualquer que seja o investimento de tempo para isso, o retorno será compensador.

Você ouve de verdade?


Fonte: Artigos Administradores / Ouvindo de Verdade! (baseado em Stephen Covey)

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