Pare de desperdiçar tempo e dinheiro com treinamentos

Pare de desperdiçar tempo e dinheiro com treinamentos

Grande parte do conhecimento e novas habilidades recebidos em treinamentos não são aplicados pelos funcionários quando voltam ao trabalho. A tecnologia avança constantemente, os negócios mudam, mas a forma como aprendemos pouco mudou.

Segundo pesquisas relatadas no artigo Stop wasting money on training, grande parte do conhecimento e novas habilidades recebidos em treinamentos não são aplicados pelos funcionários quando voltam ao trabalho. E ainda no artigo So much training, So little to show for it, é dito pela Sociedade Americana de Treinamento e Desenvolvimento que 90% do que as pessoas aprendem (em treinamentos) é perdido quando elas voltam ao trabalho. Pesquisas na indústrias americana apontam que 10% do dinheiro gasto em treinamento efetivamente retorna à empresa.

Mas por que isso acontece?

Um treinamento geralmente começa com um estudo do material apresentado pelo instrutor (textos, videos, etc), mas que hoje está disponível em grande volume e a baixo custo em livros e internet, e somente depois, no retorno à empresa, se tenta aplicação prática daquele conteúdo. Sendo assim, teoria e prática ficam separados, às vezes por longos períodos de tempo. Há ainda uma desconexão entre o que o treinamento diz e o que é a prática no trabalho, o mundo real do participante; por exemplo, entre o que um instrutor diz e o que se faz realmente na empresa, ou ainda entre os conceitos apresentados e o conhecimento e experiência prévios daquele que os aprende. Quando há alguma aplicação prática, ela acontece em um ambiente simulado que não imprime as dificuldades e incertezas da realidade. Os resultados medidos após o treinamento geralmente apontam para algo positivo, mas estes são apenas indicadores da reação e não da aplicação do que foi aprendido.

O que fazer?

As empresas têm percebido que algo precisa mudar. Resultado disso: vários artigos e pesquisas tem sido feitas e caminhos apontados. A revista Exame publicou “7 ideias para treinar sua equipe sem gastar nada”:

1 – Rotação de funções: Fazer com que os funcionários passem temporadas em diferentes áreas da empresa e conheçam suas rotinas.

2 – Palestras de funcionários: Encarregar alguns profissionais com talentos específicos de compartilhar seus conhecimentos com os colegas.

3 – Grupos de estudo: Organizar grupos de profissionais para discutir temas importantes para a empresa.

4 – Programa de mentores: Programas de mentoria ajudam as empresas a desenvolver funcionários e a manter na empresa os mais talentosos.

5 – Treinamento com parceiros: Empresas e pessoas que fazem negócio com outras empresas costumam se dispor a compartilhar conhecimento, sobre temas específicos, de forma gratuita.

6 – Visitas a empresas: Por meio de parcerias, empresas podem promover visitas às outras para discutir temas como processos, questões ligadas à carreira e novos recursos de tecnologia disponíveis no mercado.

7 – Supervisão dos novatos: Designar um funcionário experiente para mostrar a quem acabou de chegar à empresa formas de executar atividades importantes da função.

Não é legal? Uma ótima receita!

Esta receita é boa mas, assim como várias existentes no mercado, não é suficiente. Nada diz sobre o processo de aprendizagem – sobre como realmente se aprende. Uma pessoa é colocada em um novo departamento ou sob a supervisão de um empregado experiente e são usados os mesmos processos de aprendizagem respaldados em uma mentalidade industrial, um modo tradicional de enxergar a aprendizagem. Nesta visão, para aprender é preciso que uma pessoa especialista no conhecimento compartilhe o que sabe às outras pessoas para que estas absorvam o conhecimento. Além disto, o que vai ser ensinado, o produto do ensino, é definido previamente por um especialista ou grupo de especialistas. E os resultados da aprendizagem são percebidos a longo prazo e são medidos por critérios que são padrões para todos os treinamentos realizados na empresa.

Como se pode perceber, a aprendizagem é mais complexa que parece. Embora receitas simples como esta não estejam de todo erradas, ao desconsiderar alguns ingredientes que permeiam a complexidade da questão elas evitam uma verdadeira transformação na forma de pensar o aprendizado e não se fazem suficientes para apresentar os resultados desejados.

Então, o que fazer?

Partindo da percepção que a aprendizagem é uma questão complexa precisamos de outra abordagem, menos prescritiva, mais próxima da realidade – prática – e das pessoas envolvidas. Para aprender é preciso que todas as pessoas, especialistas no conhecimento ou não, mas com interesses similares, compartilhem o que sabem às outras pessoas de modo que estas compartilhem de volta o conhecimento que possuem, tudo isto de forma eficiente e eficaz. Além disto, o que vai ser aprendido, o produto da aprendizagem, é definido durante a aprendizagem por todas as pessoas envolvidas, sendo portanto construído e não adquirido. E os resultados da aprendizagem são visualizados por todas as pessoas, aplicados imediatamente na realidade do trabalho e medidos por critérios que fazem sentidos para estas pessoas de acordo com o contexto que estão.

Profissionais do Século XXI já começaram a trabalhar de acordo com a dinâmica deste novo século, mas continuam a “aprender” com mecanismos de pelo menos um século atrás. Isso precisa mudar! A aprendizagem não precisa mais demorar, ter altos custos e proporcionar resultados medíocres. Isto pode ser muito mais efetivo se feito sob outra visão, pela qual compartilhar é o novo ensinar.

 

Referências

Magno, Alexandre. How Creative Workers Learn: Develop your career with emergent learning and succeed in the creativity age. Happy Melly Express; 1 edition (October 1, 2015)

Marques, Fabrício. “7 ideias para treinar sua equipe sem gastar nada”. EXAME PME on-line. 12/12/2013. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista-exame-pme/edicoes/67/noticias/nao-custa-treinar. Acesso em 03/11/2015.

Silverman, Rachel Emma. So much training, So little to Show for it. The Wall Street Journal. Oct. 26, 2012. Disponivel em: http://www.wsj.com/articles/SB10001424052970204425904578072950518558328. Acesso em 04/11/2015.

Stolovitch, Harold D. Keeps, Erica J. Stop wasting money on training. HSA LEARNING & PERFORMANCE SOLUTIONS LLC. 2005.


Fonte: Artigos Administradores / Pare de desperdiçar tempo e dinheiro com treinamentos

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