Pare de falar em crítica construtiva!

Pare de falar em crítica construtiva!

A palavra crítica vem do grego krimein, que significa “quebrar”. Como a palavra não tem sentido em si mesma – afinal, não há palavras inocentes –, no contexto em que é colocada refere-se à desconstrução. Então, a crítica não constrói; ela destrói ou desconstrói.

Crítica construtiva é daquelas expressões que deveriam ser abolidas do seu repertório. Nada pode ser mais nocivo para os relacionamentos – sejam eles profissionais ou pessoais – do que uma bem-intencionada crítica construtiva. E a expressão nem precisa ser dita. Basta que o outro perceba, no seu tom de voz, que está sendo criticado. Sejamos honestos: não é fácil ser criticado; não é desejável ser criticado. O ser humano busca aprovação no outro, e não o contrário.  

Talvez, você se pergunte: isso significa que preciso mentir para que o outro não sofra? Eu diria, com certeza, que não. A sinceridade é uma qualidade que deve ser preservada sempre, mas é preciso não cair na armadilha da franqueza sem medida. Por mais que alguém peça uma opinião – e é isso que a crítica é – não vai querer ser criticado. E isso deve ser lembrado, principalmente, se você está em uma posição de comando, de liderança.

A palavra crítica vem do grego krimein, que significa “quebrar”. Como a palavra não tem sentido em si mesma – afinal, não há palavras inocentes –, no contexto em que é colocada refere-se à desconstrução. Então, a crítica não constrói; ela destrói ou desconstrói. Quando alguém ouve a palavra crítica – ou sente que ela é a base do que está sendo manifestado por meio da linguagem – há uma tendência à recusa, ao ressentimento.

No caso das artes, do cinema e da literatura, os críticos são aqueles que têm o papel de “quebrar” a ideia que se tem daquele objeto – (exposição, filme, livro) por meio de uma análise fundamentada. Por isso, críticos estão sempre sob artilharia pesada, quando não chegam a ser odiados por aqueles que são alvo das críticas. Quando alguém se propõe a fazer uma “crítica construtiva”, pode saber que ela vai expressar sua opinião. Prevendo que a reação do outro não será das melhores, acrescenta a palavra “construtiva” como forma de tornar mais suave a intervenção.

Nada mais constrangedor em uma reunião, na qual uma pessoa, ou um grupo de pessoas, apresenta uma proposta e outro diz (pode ser o chefe ou um colega): eu tenho uma crítica a fazer. Poderia ser uma sugestão, uma pergunta, uma observação… Mas, não: ela faz uma crítica. Uma boa estratégia para fugir da tentação de dar opiniões, quando solicitadas, é devolver perguntas ao seu interlocutor.

Se alguém te faz uma pergunta, e ela envolve algum tipo de análise pessoal ou profissional, devolva-a ao seu interlocutor. Como? Pergunte a ele porque tem dúvida sobre a decisão tomada; questione se tem consciência dos reais motivos que o levaram a tomar tal atitude; pergunte também se haveria outras possibilidades e quais seriam as consequências. Se um subordinado te entrega um projeto ou toma atitudes equivocadas, conduza-o a fazer uma autocrítica.

Ao fazer o outro pensar, você promove um duplo movimento: faz com ele perceba melhor o que fez e, com isso, avalie “sozinho”; e, ao mesmo tempo, se coloca como alguém que apontou ou sugeriu para ele que estava errado. E o que é melhor: sem anunciar que faria uma crítica construtiva.

Se sabemos que o ser humano quer aprovação, também sabemos que todos gostam de se sentir importantes. E nada melhor para nos sentirmos importantes do que sabermos que o outro se interessa por nós. Fazer perguntas é uma forma de mostrar interesse!

 


Fonte: Artigos Administradores / Pare de falar em crítica construtiva!

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