Por que as micro e pequenas empresas quebram precocemente?

Por que as micro e pequenas empresas quebram precocemente?

Tão importante quanto falarmos sobre casos de sucesso, é entendermos o movimento inverso, o porquê algumas empresas fracassam e quais os valiosos aprendizados obtidos nesse processo

No Brasil, a atividade empreendedora está em constante desenvolvimento. É cada vez maior o número de brasileiros que empreendem o seu próprio negócio. Segundo pesquisa publica pelo Global Entrepeneurship Monitor (GEM, 2014), em 2014, o país alcançou o seu maior nível da Taxa Total de Empreendedores (TTE) da série histórica, atingindo 34,5% da população adulta entre 18 e 64 anos, o que siginfica dizer que a cada 3 brasileiros entre 18 e 64 anos, 1 já possui ou está envolvido na criação de um negócio nos últimos 12 meses. 

Neste contexto, as micro e pequenas empresas (MPEs) apresentam expressiva contribuição para o desenvolvimento da prática empreendedora, uma vez que representam 93% do total de empresas ativas no país (EMPRESÔMETRO, 2016).

Contudo, apesar de crescente a tendência na criação de novos negócios no Brasil, os altos índices de mortalidade precoce das MPEs no país comprometem, ainda, o sucesso dos índices numéricos dessas empresas em atividade  no país.

Por isso, tão importante quanto falarmos sobre o crescente e favorável movimento empreendedor no país e os seus diversos casos de sucesso, é entendermos o movimento inverso, o porquê tantas empresas fracassam e quais os valiosos aprendizados obtidos nesse processo. Especialmente em épocas de grande instabilidade, compreender o que não fazer para fracassar pode ser decisivo para criar estratégias efetivas de sobrevivência e sucesso.

Uma rápida revisão bibliográfica sugere que, apesar de muitos micro e pequenos empreendedores externalizarem as causas de insucesso de suas empresas para fatores externos à organização e que eles não possuem controle, como burocracia legal e fiscal, competição, demanda de clientes, cargas de impostos e tributos e aspectos econômicos, sociais e políticos, por exemplo, as causas que efetivamente têm levado muitos empreendimentos ao fracasso prematuro estão relacionadas aos aspectos pessoais (características) e técnicos (conhecimentos e habilidades) do empreendedor, como falta de experiência empresarial no ramo, falta de competência gerencial (know-how e expertise em business) e também às motivações e propósitos para a abertura do negócio.

Nesse sentido, alguns erros comuns cometidos pelos empreendedores podem ser destacados como, falta de planejamento estratégico mínimo para a abertura do negócio, não avaliação de variáveis como riscos do negócio, mercado concorrente ou demanda de clientes e ausência de técnicas de precificação na elaboração dos preços, além de outras como o desconhecimento dos aspectos contábeis, tributários e burocráticos, incompatibilidade com os sócios ou poscionamento incorreto.

Outro aspecto subestimado pelos empreendedores ao abrirem os seus negócios refere-se ao processo de validação da ideia como uma verdadeira oportunidade de negócio. Apesar à primeira vista parecerem similares, existe uma grande diferença entre os termos. Por isso, inédita ou não, o que importa é como o empreendedor utiliza sua ideia de modo a transformá-la em um produto ou serviço, ao mesmo tempo em que testa sua ideia junto a clientes em potencial, empreendedores experientes e amigos próximos, para identificar se a ideia pode ser tornar uma oportunidade para execução, conforme Dornelas (2008). E neste aspecto, se a elaboração de um Plano de Negócios parecer uma barreira ao desenvolvimento, uma série de outras ferramentas que podem, em curto prazo, serem alternativas mais viáveis e dinâmicas para modelar o negócio e identificar a viabilidade do mesmo estão à disposição do empreendedor.

Desta forma, o que parece realmente estar relacionado à quebra precoce das MPEs brasileiras está, de fato, relacionado às características empreendedoras e às habilidades gerenciais ou know-how em business do empreendedor, do que aspectos externos ao negócio, ao mesmo tempo em que estes não devem ser desconsiderados, nem subestimados e sim avaliados e acompanhados constantemente.

Referências:

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. Empreendedorismo no Brasil. Relatório Global. 2014.

IBPT. Empresômetro. Disponível em:<http://empresometro.cnc.org.br/Estatisticas>. Acesso em: 13 de jan. 2016.


Fonte: Artigos Administradores / Por que as micro e pequenas empresas quebram precocemente?

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