Prejuízos da "administração estelar"

Prejuízos da “administração estelar”

A empresa que se rende ao brilho das “estrelas” profissionais é ofuscada pelos concorrentes

    Poderíamos pensar que tal sistema seria utilizado no interior da nave espacial Enterprise e desenvolvido pelo vulcaniano sr. Spok – o orelhudo – ou talvez uma administração aplicada nas empresas que possuem filiais em outras galáxias… mas não!

    A administração estelar é a maneira pela qual muitas empresas “terrestres” encaram o seu dia a dia.
    O sistema administrativo a que me refiro é aquele onde do processo participativo fazem parte apenas as estrelas da empresa; ou seja, aquelas que querem mais e mais brilho próprio. Aquelas que usam muito duas palavrinhas temíveis: conte comigo! – melhor seria cante comigo porque se contar… “dança”.
    Tais estrelas possuem sua grandeza hierárquica e não medem esforços nem consequências para atingirem grandezas maiores – o brilho é o que interessa, o resto não tem pressa!
    Em favor de um brilho próprio cada vez maior essas estrelas fazem com que a empresa fique alguns anos-luz atrás de suas concorrentes.
    A constelação formada por elas chama-se “Raposa Maior” e possuem uma única semelhança com os vulcanianos: as orelhas também são grandes.
    Os “raposianos” sofrem de um problema causado pelo excesso de brilho: a cegueira, que faz com que pilotem suas naves espaciais caoticamente e muitas vezes em direção “buracos negros”.
    Vejamos as fases pelas quais passa um projeto apresentado por um “satélite” (sem luz própria) nestas empresas:
    Lua nova – o satélite apresenta o projeto.
    Quarto crescente – é submetido à apreciação de 365 pessoas.
    Lua cheia – retorna com “trocentas” assinaturas e despachos causadores de outros tantos memorandos, inclusive de departamentos alienígenas.
    Quarto minguante – a guerra entre as estrelas é tão grande que o projeto fica coberto pela poeira cósmica e o satélite… “míngua”.
    Passadas algumas luas a ideia do satélite renasce. Mas com uma pequena diferença. Agora a apresentação é feita por uma das estrelas sobreviventes.    Após a retirada do pó cósmico, temos mais quatro fases:
    Lua nova – a estrela apresenta a mesma ideia.
    Quarto crescente – cegos pelo brilho magnífico da estrela, a ideia é aprovada em microssegundos.
    Lua cheia – é posta em prática, evolui e ultrapassa os resultados esperados.
    Quarto minguante – a estrela sobe na categoria das grandezas e o satélite… “míngua”.
    Tais estrelas são raposianas, cegas e de orelhas grandes; pois o sucesso de uma administração está no brilho não ofuscante de cada um, fazendo com que a empresa atinja a primeira grandeza.

Prezados, esse artigo, de minha autoria, foi publicado no Caderno de Empresas do jornal O Estado de São Paulo em 04 de abril de 1991.
Nesses últimos 15 anos muita coisa mudou. Ou não?


Fonte: Artigos Administradores / Prejuízos da “administração estelar”

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