Protegendo sua empresa da má gestão de negócios

Quem nunca ouvir falar de alguém que, apesar da boa-fé, acabou caindo em uma armadilha e se dando mal no mundo dos negócios? Um contrato com brechas, que causa prejuízos para o empreendedor. Um prazo não cumprido que prejudica a reputação da empresa. Um funcionário, que acaba considerando que um bônus poderia ser incorporado ao salário. Para evitar essas e outras ciladas, conversamos com Denise Delboni, advogada e professora de relações trabalhistas da FGV – Fundação Getúlio Vargas, para explicar os cuidados essenciais nestas questões.

 

Empreendedor x cliente

“Na relação entre o empreendedor e seu cliente, a regra geral é “Tenha tudo registrado”, seja por meio de contratos, seja por e-mails. De um modo geral, as pessoas estão atropeladas pelo tempo e acabam fazendo acordos e promessas, sem que se lembrem depois do que ficou estabelecido. Além disso, use agendas de papel, Ipads, bloco de notas do celular, enfim, o que for de sua preferência para registrar e manter a palavra quanto a prazos e especificações de produtos ou serviços. A esmagadora maioria das empresas (principalmente as pequenas) acaba se perdendo em meio a tantas cobranças com relação a promessas e entregas, que acabam por abalar sua reputação, logo de saída”, alerta Denise.

Cumprir prazos é essencial

Os fornecedores precisam ser grandes parceiros, acima de qualquer coisa. O empreendedor geralmente trabalha sob pressão, com prazos a cumprir, e precisa ter a certeza de que poderá contar com seu fornecedor. “Por exemplo, se o empresário necessitar de uma peça diferente, de um contrato em tempo recorde, de uma ajuda ou ajuste num produto, o fornecedor precisa estar à disposição para socorrê-lo. No caso das pequenas empresas, que trabalham com produtos customizados e, muitas vezes, dependem quase que 100% de seus fornecedores para a entrega de uma encomenda, recomendo que sempre haja um outro fornecedor como alternativa, para contar com uma opção em caso de necessidade”, sugere.

Questões trabalhistas: uma relação tão delicada

De um modo geral, os empregados em empresas de pequeno porte acabam tornando-se muito próximos dos empresários, nos sucessos e fracassos, razão pela qual muitas vezes são tratados com intimidade e familiaridade. Isto pode dificultar a cobrança de resultados a médio e longo prazo, já que a relação se torna mais informal do que deveria, sem os devidos cuidados com aspectos legais e demais exigências do vínculo empregatício. Ou seja, o empregador acaba “relaxando” na observância e prática das legalidades necessárias. E um bom empreendedor não pode ignorar a lei: ou a entende ou cerca-se de alguém que o assessore no assunto.

“Noto que as pessoas abrem negócios todos os dias, sem a preocupação quanto a direitos e deveres com relação, sobretudo, aos empregados. A primeira lição de casa para um empreendedor é tomar conhecimento da convenção coletiva da categoria à qual pertence (deve conhecer cada cláusula e detalhes), pois esta compreensão lhe dará suporte para entender o que pode ou não negociar com os empregados. Deste modo, não pode ir fazendo concessões aos empregados sem entender quais as possíveis consequências no futuro”. Muitos empregadores são processados por ingenuidade e desconhecimento da lei. Além disso, antes do pagamento de qualquer beneficio, prêmios ou bônus para os empregados, o empreendedor deve se questionar sobre possíveis resultados a serem obtidos com esta concessão e quais as implicações legais em termos de incorporação ao salário, aumento de custos ou despesas e consequências, em caso de cortes.

“Outra coisa muito importante é usar critérios claros e transparentes para todas as movimentações envolvendo empregados: desde ter assinada pelo empregado uma descrição de cargo (conjunto de tarefas a serem executadas) até o cuidado de definir se bônus ou prêmios são mais adequados (ou se a Convenção Coletiva já prevê por exemplo, pagamento de PLR – Participação nos Lucros e Resultados), para evitar arrependimentos, dinheiro gasto sem retorno e, o que é pior, tornar-se réu numa demanda trabalhista”.

Cuidados com as “brechas” na lei

Ficar atento à legislação ainda é o melhor caminho! “Pessoalmente, entendo que a maioria dos micro e pequenos empreendedores tem aversão aos sindicatos, já que tratam igualmente empregadores diferentes em termos de porte e recursos financeiros. Mas, conheço muitos empresários que começam a fazer uso dos sindicatos patronais para aconselhamento e orientação quanto a programas de remuneração variável, implementação de tabelas salariais, mecanismos de promoção interna, contratação de representantes comerciais etc. De um modo geral, seguir a legislação, contratando corretamente os empregados e pagando-lhes o que é devido já é mais de meio caminho andado para evitar surpresas no final da relação de trabalho. E lembre-se: tudo, absolutamente tudo, deve ser registrado”, orienta a advogada.

 

Matéria: http://projetodraft.com/como-se-proteger-de-problemas-na-gestao-do-seu-negocio/

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