Qual a prioridade: o Brasil do futuro ou o futuro do Brasil?

Qual a prioridade: o Brasil do futuro ou o futuro do Brasil?

O Brasil precisa enfrentar seus tabus e definir suas prioridades, caso contrário, estamos condenados a sermos medíocres, eternamente

Desde o milagre econômico da década de 70, os políticos brasileiros desenvolveram a visão exagerada de grande potência mundial, visão está fortalecida na expressão “o país do futuro“.

45 anos se passaram, e o futuro ainda não chegou para o Brasil. Para realizar o desejo de ser grande, faltaram aos nossos políticos duas características importantes: Competência e visão de longo prazo.

Ao longo dessas mais de 4 décadas, o Brasil viveu alguns momentos de esperança: Sarney Presidente, Collor Presidente, FHC Presidente e Lula Presidente.

Com Sarney presidente, primeiro presidente civil desde 1964, criou-se a expectativa do “agora vai”. Porém a incapacidade em lidar com os desafios de uma nação recém democratizada fez o Brasil patinar e não se desenvolver.

Com Collor presidente, primeiro presidente eleito pelo voto direto, a esperança da consolidação democrática morreu nas mãos da corrupção.

Com FHC Presidente o Brasil pode experimentar as benesses de uma moeda estável e forte. O Povo acostumado com a hiperinflação pode se sentir por algum tempo no Brasil do futuro, mas, para que tal sentimento se perpetuasse, precisávamos de duras reformas que, por falta de coragem política, nunca aconteceram.

Com Lula presidente “a esperança venceu o medo“, e ficou sob a responsabilidade do sindicalista, eleito com ampla maioria no congresso, fazer as reformas que o país precisava e conduzir o Brasil para seu futuro glorioso. Mas a corrupção prevaleceu sobre a razão, e as reformas, tão necessárias, ficaram atoladas no mar de lama.

A janela de oportunidade que o Brasil experimentou entre 2004 e 2008 era a oportunidade ideal para consolidar o Brasil como nação forte, porém, “nunca antes na história deste país“, o povo tinha visto tamanha corrupção como o mensalão. Apesar disto, a esperança se renovou, Lula se reelegeu, pois o povo jamais imaginou que haveria corrupção maior que o mensalão, mas houve: o Petrolão.

Novamente o sonho brasileiro morreu nas mãos dos corruptos e agora o Brasil precisa de dois grandes ajustes: Um para sair do buraco de curto prazo que nos metemos por conta da irresponsabilidade fiscal e do populismo, e outra, maior ainda, para que o futuro do Brasil não seja uma armadilha insolúvel.

Chegou a hora de pararmos de sonhar com o “Brasil do futuro” e passarmos a pensar no “Futuro do Brasil”.

O “Brasil do futuro“, que representa os sonhos de grandeza dos demagogos, é aquele futuro que não precisa de esforços para ser alcançados, afinal, o “berço esplêndido” é, por si só, a garantiria de nosso futuro.

Já o “Futuro do Brasil” representa aquela nação ciente de que o futuro se conquista com “braço forte“, abrindo mão de privilégios presentes para que se possa conquistar os benefícios futuros, sem medo das lutas que virão, pois existe a certeza de que “um filho teu não foge à luta“.

 Algumas visões de país apregoadas pelos demagogos não podem mais perdurar. Precisamos enfrentar velhos tabus ou aceitar sofrer as consequências da covardia que nos manterá não só numa nova década perdida, mas sim em um século perdido.

Precisamos enfrentar a corrupção cultural desta nação

O país que se escandaliza com mensalão e Petrolão, mas que não consegue enxergar em si mesmo a origem de toda essa barbaridade. A corrupção não nasce em Brasilia, antes, nasce no seio da sociedade.

Somos uma sociedade corrupta, onde levar vantagem é o que importa. Andar a 90 na via que permite no máximo 50; Estacionar em local proibido; Pagar o cafézinho para o guarda Somos, no final das contas, os grandes incentivadores daquilo que mais condenamos: a corrupção.

Michael Blomberg, diante do caos em Nova York, implantou a política de tolerância zero e resolveu o problema. O Povo brasileiro precisa urgentemente de uma política de tolerância zero, onde não mais vá aceitar nenhum tipo de delito, desde os cometidos por um político popular até aqueles cometidos por um cidadão comum.

Não existe transformação sem ruptura. Ou rompemos com a cultura da corrupção que domina nossa sociedade, ou estaremos condenados à mediocridade.

Precisamos lidar com a visão de curto prazo dos governantes

O Brasil se planeja para 4 anos. Ninguém está pensando no Brasil do século XXII. Precisamos criar políticas de longo prazo, que serão respeitadas por todos os que assumirão o poder no futuro.

Planejar é, antes de tudo, uma demonstração de responsabilidade política. Com limitações de recursos, precisamos aprender a investir naquilo que mais gerará retorno, independente de ideologia partidária ou de achismo dos grandes “estadistas”.

Precisamos lidar com o custeio da máquina pública

Temos uma máquina pública insaciável, que devora todos os recursos a sua disposição e ainda continua com fome.

Pela falta de coragem para enfrentar a baixa qualidade e a baixa produtividade do serviço público, governantes simplesmente contratam e incham cada vez mais a máquina, transformando-a em um monstro que emperra o futuro da nação.

Com média salarial muito superior ao setor privado e com um regime privilegiado de aposentadoria, o funcionalismo público é o grande sonho de uma grande parte da população: Ser funcionário público, com estabilidade, que ganha muito acima e trabalha muito abaixo da média do mercado.

Precisamos urgentemente, preservando os direitos adquiridos, acabar com o regime estatutário do funcionalismo público e criar um sistema de desempenho que efetivamente funcione e, principalmente, puna aqueles que não desempenham conforme o esperado.

Precisamos lidar com a previdência pública

Sistema de previdência não é um benefício social, é um recurso público pago pelo cidadão que quer, no futuro, ter a garantia de uma aposentadoria justa“.

Aqueles que nunca pagaram previdência, não podem ser sustentado por um regime previdenciário. Isso é uma grande injustiça com aqueles que contribuíram.

Benefícios sociais (Loas, Bolsa família, etc.) devem ser pagos pelo tesouro e com recursos do tesouro e através de outros meios que não o sistema previdenciário.

O ideal é uma previdência de conta individual, pois, no final das contas, o dinheiro da previdência pertence ao cidadão e não ao governo. Usar da previdência para fazer populismo é roubar aqueles que fielmente, durante 35 anos, pagaram sua previdência na esperança de uma aposentadoria digna.

Precisamos lidar com a deficiência na educação pública

O Brasil é um país pobre e precisa escolher suas prioridades. As crianças devem ser a prioridade, portanto, a educação fundamental deve ser a base do investimento em educação.

Esse é um investimento cujos frutos somente serão colhidos daqui a 20 anos, portanto, precisamos investir já.

Qual a vantagem de termos universidades públicas que atendem em sua maioria ricos? Cujo orçamento é consumido em sua maioria com salário de professores (que ganham muito acima da média salarial do país), deixando de lado as pesquisas que poderiam garantir o futuro desta nação?

Um adolescente de 18 anos pode se virar para pagar sua universidade mas, uma criança, vai ficar à mercê de sua sorte.

As universidades públicas criaram uma elite de professores, com salários muito superior, mas com produtividade muito inferior à média nacional.

Atualmente, as universidades públicas são o maior exemplo de concentração de renda e de injustiça social desta nação. Os filhos de pessoas ricas que estudaram em escola particular a vida inteira são os que conseguem entrar e se formar em universidade públicas.

As cotas em universidade públicas atualmente servem para mostrar o abismo que existe entra a educação privada de primeira linha e a educação pública. Mesmo os alunos cotistas não conseguem, depois de formados, os bons empregos dos alunos oriundos das caras escolas públicas, por um motivo bem simples: um bom profissional não é formado na universidade, é fruto de uma vida inteira de educação de qualidade.

Programas que financiam (ou até mesmo pagam) a universidade privada nada mais são do que uma transferência de renda, impostos direcionados para poucos (e milionários) grupos de empresários.

Sem o enfrentamento direto dos problemas estruturais que nos mantêm na mediocridade, esta nação não só nunca será a “nação do futuro” como também “nunca terá futuro“.


Fonte: Artigos Administradores / Qual a prioridade: o Brasil do futuro ou o futuro do Brasil?

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