Quando a empregabilidade é indiferente

Quando a empregabilidade é indiferente

Em meio a crise que estamos, muitas vezes a capacidade de se manter empregado não tem valor

A crise que assombra o mercado brasileiro não é novidade para ninguém. Em qualquer lugar do Brasil e até mesmo fora dele, a todo o momento se houve falar de suposições e previsões sobre a saúde econômica brasileira.

O mais triste é que essa crise tem nome, sobrenome e endereço. Se pegarmos uma lente de aumento para nos aproximarmos dos detalhes, veremos brasileiros e brasileiras que sofrem com a brusca redução de suas rendas, muitas vezes drástica, alterando seus padrões de vida e sendo abrigados  a se readaptarem rapidamente. Por que como dizia minha avó, quem chega primeiro bebe água limpa.

Em meio a este mar de pessoas alguns casos específicos me chamaram mais atenção. São as pessoas que por terem um maior nível de instrução não conseguem recolocação profissional, seja em suas áreas de atuação ou em outras áreas. Mas por que isto ocorre? Por que mesmo estando dispostas a ocupar cargos considerados inferiores aos ocupados anteriormente não conseguem um novo emprego? Por que ninguém lhes oferece uma oportunidade?

O motivo desta dificuldade é que as pessoas que já ocupam cargos nas empresas pretendidas pelos que procuram recolocação, ao se depararem com currículos recheados se sentem ameaçados. Logo começam a se imaginar sendo substituídos pelos novatos com vasta experiência e currículos de encherem os olhos. E lá se vai por água abaixo o clima organizacional. Este sentimento de ameaça é natural. Quando ameaçados os animais tem duas opções: atacar ou fugir. E conosco não é diferente. Estamos em um cenário que favorece situações como esta.

Presenciamos demissões em massa, demissões de pessoas que aparentemente se  aposentariam em seus cargos de prestígio. Vemos demissões de pessoas com um tempo considerável de empresa e sua substituições por recém contratados, por pessoas que vinham de outras empresas e até mesmo por estagiários e trainees. Todos estes “novatos”, por razões óbvias se posicionam no início desta nova carreira e, consequentemente recebem salários menores, o que é visto com bons olhos por qualquer instituição.

Outro ponto que desfavorece a recolocação destes profissionais no mercado é fator motivacional. A tendência é que as pessoas que já ocuparam cargos de prestígio não se sintam realizadas exercendo atividades mais simplórias. Por exemplo, alguém que já ocupou um cargo de gerência não se sentiria plenamente satisfeito exercendo atividades simples como balconista, frentistas, etc. Os recrutadores tem consciência de que caso a contratação de efetive, tão logo o mercado melhore, este funcionário estará a procura de uma oportunidade melhor, afinal, quem experimenta um padrão de vida  melhor é dificilmente  se adapta a ao tido como inferior.

Com este cenário, temos várias pessoas com alta empregabilidade desempregadas. Isso favorece a contratação, principalmente de estagiários e de pessoas com pouca experiência profissional ou com pouca instrução devido à possibilidade de se pagar salários menores.

Não digo que a culpa seja dos empregados, dos industriários, dos desempregados. Também não sou partidária para culpar partido X ou Y. A culpa é das circunstâncias. Não conseguimos apontar um culpado para esta crise brasileira, pois ela é resultados de um conjunto de fatores que têm um vasto histórico. A crise que vivemos é como uma represa que apresenta uma rachadura. Ela suporta até um certo ponto, e quando não pode mais estoura. Isso foi o que aconteceu com a nossa nação. Enquanto foi possível, ela se manteve e quando não pode mais, estourou.

Gostaria eu de terminar este artigo propondo uma solução para esta triste situação, como manda a etiqueta dos bons redatores. Mas como civil brasileira que sou, não consigo enxergar um saída, a tão esperada luz no fim do túnel. Mesmo assim mantenho a fé. Não nos governantes, não nos economistas, não no sistema, mas sim no povo. Ainda tenho fé no povo brasileiro.


Fonte: Artigos Administradores / Quando a empregabilidade é indiferente

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