Quando um dia me chamaram de louva-a-deus

Quando um dia me chamaram de louva-a-deus

Quem nunca se olhou no espelho e desanimado não acreditou em si mesmo? Eu por muito tempo pensei assim

Quem nunca se olhou no espelho e desanimado não acreditou em si mesmo? Eu por muito tempo pensei assim. Sabe aquele menino tachado de estranho no colégio? Esse era eu. Sem amizades, de pouca fala, escondido atrás de um óculos fundo de garrafa e um aparelho dentário que mais parecia um capacete espacial, e quando ainda obrigado a participar do futebol nas aulas de educação física era o último a ser escolhido. Quatro olhos, Jimmy Neutron, Harry Potter, Nerd, apelidos comuns. Mas entre todos os apelidos, um me chamou atenção e marcou muito a minha vida. Ainda lembro, quando entre risadas, uma voz me chamava de “Louva-a-Deus”. Quando você tem apelidos mas os divide com outros muitos na escola ou o apelido é tão banal que não pode ser imaginável em uma realidade próxima, tudo bem, se esquece. Mas Louva-a-Deus ficou em minha memória. Todos os dias em frente ao espelho eu imaginava, será culpa do meu aspecto físico? Onde estará a minha força?

Quem sabe um dia o Louva-a-Deus pensou assim também. Em seu mundo surreal, seu porte pequeno, raquítico, frágil não transmite grande impacto, grande inspiração perante os outros. Mas engana-se quem pensa desta forma: o Louva-a-Deus é considerado um grande monstro por trás da sua simples aparência, um verdadeiro soldado de guerra. É conhecido como “tigre dos gramados” e no seu pequeno mundo dos insetos é mais temido e terrível que um leão. Sua visão fantástica mesclada à sua agilidade e seu disfarce único em meio a vegetação permite capturar um inseto “no ar” com as suas pequenas patas, o transformando no inseto caçador mais veloz e voraz do mundo. Então imagine o poder de visão, a concentração, a agilidade, a sabedoria, o time nas ações e atitudes deste pequenino. Quase nenhum inseto escapa de um Louva-a-Deus. O Louva-a-Deus permanece sempre em sua posição de ataque ou defesa, agora imagine a energia que o mantém. Sua fome praticamente insaciável é comparada à de um turbarão. Sua paciência, permite ficar minutos parado em um mesmo local sem mexer um milímetro sequer, seja para capturar seu alimento ou fugir de uma ameaça, então imagine o seu poder de raciocínio. Quando um predador maior, como um pássaro, se aproxima, o Louva-a-Deus quase sempre consegue vencê-lo em segundos, se escondendo em seu disfarce junto as folhas e galhos, o que o faz um dos insetos mais inteligentes do mundo animal. Quando ainda o pássaro o vê e se aproxima, suas patas longas se abrem, e ficando de pé, o transforma em um gigante do mesmo tamanho ou maior que o seu predador.

Talvez conosco seja assim, ao sermos julgados embora por nós mesmos em muitos casos, ou quando ainda mostramos ao mundo pouco efeito sobre os nossos resultados, não somos capazes de perceber que dentro de nós há uma força incomparável, sem limites para vencer qualquer obstáculo, ela apenas precisa ser descoberta, moldada, preparada. O menino do colégio? Aprendeu com o Louva-a-Deus. Saiu de trás do velho óculos e descobriu que a arte de se relacionar é a sua maior qualidade. Foi à frente de uma sala de aula e desta vez em bom e alto tom, e lecionou para centenas de alunos em diversos colégios. Subiu em um palco e palestrou para dezenas de pessoas, quase todos os dias. Fez a sua carreira e busca todos os dias mostrar que realmente é capaz.

E você, onde estará a sua força?


Fonte: Artigos Administradores / Quando um dia me chamaram de louva-a-deus

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