Quanto vale a diver$idade nas empresas

Quanto vale a diver$idade nas empresas

Como traduzir o conceito de diversidade para a linguagem da estratégia empresarial

A palavra diversidade já faz parte do vocabulário do meio corporativo no Brasil.

As ações voltadas para promoção da diversidade nas empresas, em geral capitaneadas pelas áreas de responsabilidade social ou afins, objetivam compor a força de trabalho da organização de maneira que esta contenha pessoas com as mais diversas características pessoais  –  gênero, opção sexual, cor de pele, etnia, religião, etc.

Em termos práticos, a diversidade nas organizações costuma mostrar sua face mais robusta nas atividades realizadas pelas áreas responsáveis pelos processos de recrutamento e seleção de colaboradores, o que de fato faz sentido.
Se a empresa assume o compromisso de promover a diversidade em sua estrutura funcional será a partir de sua porta de entrada – o processo seletivo – que o conceito começará a se materializar.

Cabe ressaltar que sem o devido envolvimento e real incorporação por parte de todos os níveis hierárquicos da empresa a diversidade não avança sob bases sólidas.

A adoção e implementação do conceito dificilmente resultará em impacto palpável se as pessoas contratadas, com suas mais diversas características, para além de suas habilidades profissionais, não forem acolhidas, sentindo-se como parte integrante da força de trabalho e não puderem contribuir com seus diferentes olhares para fazer diário da organização.

Em se tratando de diversidade o discurso vazio produz resultado vazio ou pior: resultado negativo!

Analisando a questão sob o prisma estratégico o conceito também se apresenta desafiador e merecedor de atenção por parte da Administração enquanto ciência e ferramenta de gestão.

Ao se afirmar que diversidade é importante para as empresas e deve ser buscada com afinco não podemos olvidar que empresas e organizações, especialmente as privadas, planejam e executam a fim de atingirem resultados.

Conforme a natureza do negócio estes resultados podem ser financeiros para atender sócios, acionistas ou patrocinadores (no caso dos empreendimentos sociais), além de garantirem a sustentabilidade do negócio.

Sendo assim, para além de qualquer senso ou consciência de responsabilidade social existente no topo da hierarquia, como traduzir diversidade em benefício estratégico para o negócio?

Segundo uma pesquisa da consultoria McKensey&Company de Janeiro de 2015 intitulada “Why diversity matters”,  empresas que se encontram mais bem posicionadas em termos de diversidade étnica possuem 35% mais possibilidades de alcançarem melhores resultados financeiros em comparação com suas pares. A mesma comparação em se tratando de diversidade de gênero aponta 15% mais possibilidades de melhores resultados.

O “x” da questão que esta pesquisa nos apresenta é a possibilidade de mensurar quanto vale a diversidade em uma empresa! (neste caso em termos financeiro).

O que isso significa? Significa que podemos deixar de enxergar diversidade como uma abstração, filantropia ou caridade. O resultado da incorporação e implementação deste conceito pelas organizações pode ser traduzido sob a égide da Administração e da estratégia empresarial.

É bom para as pessoas, é bom para a sociedade, mas é bom para as empresas também e este benefício pode se materializar, ser mensurado!

O desafio para administradores, executivos e demais cargos estratégicos nas organizações seria o de traduzir este valor, seja ele financeiro ou não, para o seu negócio.

De que forma o fato da estrutura hierárquica da organização ser composta por pessoas que possuem as mais diferentes características pessoais, ademais dos requisitos profissionais para cada função, pode contribuir de maneira objetiva e constante para que a empresa alcance os resultados desejados? A pergunta é retórica e a resposta demandará internalização de conceitos, valores e esforço concentrado do topo à base da da hierarquia.

Uma premissa, contudo, pode auxiliar esta reflexão – ao menos em seu estágio inicial.

Experimentemos colocar juntas pessoas com vivências distintas ou mesmo espectralmente opostas para analisarem qualquer objeto ou situação, um filme ou livro por exemplo. As interpretações serão as mais diversas e até surpreendentes, porém o mais interessante será a troca de informações a respeito de seus pontos de vista que estas pessoas farão, podendo inclusive influenciar umas as outras a mudarem sua percepção quanto ao objeto de análise. Esta é a dinâmica que ocorre nos círculos de livros e os grupos focais cujos objetivos é o compartilhamento de percepções diferenciadas.

Agora experimente internalizar e naturalizar esta dinâmica na sua empresa, cotidianamente: para desenvolver o seu produto, para atender o seu cliente ou para traçar a estratégia do seu negócio.

As respostas às demandas certamente serão diversa$ e os resultado$ poderão surpreender…


Fonte: Artigos Administradores / Quanto vale a diver$idade nas empresas

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