Queda no salário de admissão se intensifica em junho e tem segundo pior resultado em 11 anos

Queda no salário de admissão se intensifica em junho e tem segundo pior resultado em 11 anos

Novos profissionais estão sendo contratados por salário 2% menor do que em junho de 2014 quando descontado o efeito da inflação

A Catho e a Fipe divulgam hoje indicadores que mostram um diagnóstico negativo do mercado de trabalho atual no Brasil. O salário médio de admissão registrou queda de 2,0% entre junho de 2015 e o mesmo mês do ano anterior. Trata-se do segundo pior resultado nessa base de comparação nos últimos 11 anos; só o resultado de fevereiro de 2015 foi pior (queda de 2,1%).

Nesse cenário, segundo a projeção Catho-Fipe, a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pela PME/IBGE deve ficar em 7,0% em julho de 2015. Esse valor pode representar a maior taxa de desemprego registrada no Brasil desde junho de 2010, além de ser 2,1 pontos percentuais maior do que o índice registrado em julho de 2014.

Apesar da piora do salário de admissão, a ‘Pressão Salarial’ média dos últimos 3 meses – obtida pelo cálculo da razão entre os salários de admissão e de desligamento – apresentou ligeiro crescimento de 0,1% entre maio a junho, atingindo o patamar de 0,893. O dado mostra que a queda de salários dos últimos meses também está presente no salário de desligamento e não só no momento da contratação.

Apesar da ligeira melhora em junho, a pressão salarial mostrou queda de 0,81% ao longo do primeiro semestre do ano. Na média dos últimos meses, o salário dos admitidos caiu mais do que o dos desligados.

Os Indicadores do Mercado de Trabalho Catho-Fipe, desenvolvidos e calculados pela Fipe em parceria com a Catho, utilizam informações do banco de dados da Catho, de outras fontes da Internet e do Ministério do Trabalho. A metodologia completa está disponível em www.fipe.org.br.

Variação do salário médio de admissão

O salário médio de admissão é um indicador bastante relevante para o monitoramento do mercado de trabalho. Por indicar como está a evolução da remuneração dos trabalhadores que iniciam um novo vínculo, ele tem a capacidade de ser um termômetro mais ágil de variações dos salários do que a média de remuneração de toda a população ocupada.

Em junho, o salário de admissão médio apresentou queda de 2,0% descontada a inflação quando comparado ao resultado do mesmo mês do ano anterior. Ainda que esse resultado não seja o pior dos últimos meses (em fevereiro a queda foi de 2,1%), o índice atual se configura como um número fraco de variação dos salários na hora da contratação.

Taxa de Desemprego Antecipada

 

Ao compilar e processar informações de currículos, anúncios de vagas e de contratações disponibilizados pela Catho, a Fipe calcula uma estimativa para a taxa de desemprego da Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE)*. De acordo com os dados, a estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada de julho de 2015 é de 7,0%, 0,1 p.p. acima do nível registrado em junho. Normalmente a média o desemprego de julho é 0,1 p.p. menor do que no mês anterior – o que acaba criando uma expectativa de piora quando os dados são vistos livres de efeitos sazonais.

Na comparação com julho do ano passado, a projeção mostra um aumento 2,1 pontos percentuais na taxa de desemprego. Com exceção de junho de 2015, esse seria o maior crescimento da taxa de desemprego no período de 12 meses em toda a série histórica da PME.

A estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada feita por meio da técnica do “nowcasting” utiliza dados disponibilizados em “tempo real” para produzir informações e estatísticas precisas. No caso da Taxa de Desemprego, a Fipe cruza informações obtidas com buscas na Internet (por meio de palavras chave relacionadas a emprego, por exemplo) com informações de vagas, candidatos e contratações da Catho, além de outros dados econômicos e também a própria série da PME dos meses anteriores para estimar a taxa de desemprego do mês corrente. A metodologia completa pode ser encontrada em www.fipe.org.br

*A Taxa de desemprego do IBGE é calculada com base na Pesquisa Mensal do Emprego (PME), que abrange seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Pressão salarial

A comparação dos salários médios de admissão e de desligamento é útil para identificar o grau de dificuldade que as empresas encontram quando precisam contratar novos profissionais. Por outro ângulo, mostra também a condição que os candidatos a novas vagas encontram no momento de negociar seus salários.

A medida é calculada de forma simples: segundo o Caged/MTE, é a divisão entre o salário de admissão médio pelo salário de desligamento médio em um determinado mês. Se for igual a 1, significa que em média os trabalhadores novos estão sendo contratados pelo mesmo salário daqueles que deixam seus empregos. Normalmente, esse valor é menor do que 1, já que os novos contratados costumam ter salários menores que os desligados. A medida em o tempo passa, o vínculo entre a empresa e o empregado se fortalece, e o trabalhador avança na progressão salarial. Portanto, quanto maior a pressão salarial, maior o ‘aperto’ no mercado de trabalho.

Os dados exibidos no gráfico acima mostram a série dessazonalizada da Pressão Salarial para o Brasil desde 2006, com a média móvel de 3 meses a fim de evitar análises ilegítimas em curto prazo.

Durante a crise financeira de 2008-2009, houve forte queda na pressão salarial, que voltou a subir em 2010 e atingiu o pico de 0,941 em abril de 2012. A partir de então, mesmo que lentamente, a pressão salarial apresenta tendência de queda e já está significativamente abaixo da média do período 2006-2015. Em junho/2015, a pressão salarial livre de efeitos sazonais mostrou crescimento de 0,1% sobre maio e atingiu 0,893, ou seja, em junho o salário médio dos admitidos foi 10,7% menor do que o dos desligados no período.


Fonte: Queda no salário de admissão se intensifica em junho e tem segundo pior resultado em 11 anos Queda no salário de admissão se intensifica em junho e tem segundo pior resultado em 11 anos

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