Quem sobreviverá ao futuro dos negócios contábeis?

Quem sobreviverá ao futuro dos negócios contábeis?

O cenário de negócios contábeis no Brasil é promissor, porém complexo. Não há mais espaço para iniciativas pouco profissionais. Então, quais serão os próximos desafios e oportunidades neste contexto?

O cenário de negócios contábeis no Brasil é promissor, porém complexo. Não há mais espaço para iniciativas pouco profissionais.

Diante da gigantesca burocracia tributária e uma legislação trabalhista repleta de lacunas, aliadas ao novo modelo de relacionamento com o fisco trazido pelo Sped, é imprescindível que toda empresa use sistemas informatizados para apoio à gestão.

Sem isso, o custo e o risco de gerenciar tais informações tornam-se impraticáveis. A relação entre empresas e escritórios contábeis que as atendem, por sua vez, precisa de agilidade e confiabilidade, que também só podem ser garantidas por meio do uso de tecnologia da informação.

Assim, há oportunidades claras para inovação em serviços e processos que integrem as informações empresariais, contábeis, fiscais e trabalhistas, além de soluções que apoiem as empresas na busca da excelência gerencial.

Dado todo este panorama, imagine uma organização contábil que atenda qualquer tipo de cliente. O custo de treinamento de seus funcionários será infinito. Entender a legislação tributária e trabalhista de todos os setores econômicos, em todos os regimes tributários, é uma tarefa cara e que precisa ser atualizada periodicamente.

Imagine ainda que este escritório digite toda a movimentação financeira, contábil e fiscal de seus clientes. Quanto desperdício de tempo e quanto risco há neste processo manual?

Mesmo que ele resolva integrar seus sistemas aos dos clientes, o custo do desenvolvimento e da manutenção destas conexões não é pequeno. Assim, a cada novo cliente que este escritório busca atender será gerada uma receita marginal pequena e um custo marginal enorme.

Por isso, uma empresa contábil sem rigorosos processos organizacionais definidos e controlados, e sem uma boa estratégia para criação de modelos de negócios adequados a cada nicho de mercado atendido, torna-se o pior negócio do Brasil. Não atende bem os clientes, nem gera retorno aos sócios, e cria grandes riscos para ambos.

Por outro lado, quando o empresário contábil se esforça para aprender técnicas de administração e planejamento, ele produz modelos de negócios que maximizam o atendimento e as receitas, racionalizam os custos e os riscos.

A partir do uso intensivo de tecnologia, é possível inovar em serviços e processos. Isso cria um ciclo virtuoso, gerando fidelização de clientes, valorização dos serviços contábeis e criação de novos negócios.

Da mesma forma, a adoção de metodologias globais que levem à excelência na gestão é fator imprescindível à sustentabilidade das organizações contábeis, seja qual for sua natureza ou porte.

Planejamento estratégico e mercadológico, modelagem de negócios, gestão de relacionamento com os clientes, custeio baseado em atividades, marketing digital, gestão de recursos humanos e inovação em processos e serviços são algumas das principais atividades exigidas neste novo modelo.

Sob este contexto, a concorrência internacional tende a ser cada vez mais pesada. Existem hoje nos Estados Unidos 13 redes de franquias ofertando serviços contábeis, tributários, financeiros e processamento de folha de pagamentos, segundo dados da International Franchising Association.

A Liberty Tax, a maior delas, oferece, no mercado americano, serviços tributários para pessoas físicas e pequenas empresas, por meio dos seus 4,5 mil escritórios. Mas completa essa oferta com canais eletrônicos para atendimento tanto às pessoas físicas quanto jurídicas. Além disso, disponibiliza sistemas em nuvem para gestão empresarial. Ou seja, é um modelo bem abrangente de atuação.

Outras gigantes no mercado norte-americano já desembarcaram aqui no Brasil. Uma delas é a HR Block, franqueadora de serviços tributários que processa uma em cada seis declarações de imposto de renda nos Estados Unidos.

Tem ainda a Paychecx, que processa a folha de pagamentos de 590 mil empresas naquele país, mas que atua também no setor contábil e tributário, e iniciou sua operação no Brasil mirando exclusivamente os serviços de folha de pagamentos.

Diante de tudo isso, é preciso que o empresário contábil abra os olhos para essa realidade e se capacite para gerir o seu negócio de maneira mais profissional e sustentável. Do contrário, será engolido por quem souber antever as oportunidades e se preparar para aproveitá-las oferecendo um serviço que realmente seja capaz de fazer a diferença no dia a dia de seus clientes.


Fonte: Artigos Administradores / Quem sobreviverá ao futuro dos negócios contábeis?

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