Quem trabalha e pensa em rede não perde tempo criticando o chefe

Quem trabalha e pensa em rede não perde tempo criticando o chefe

É claro que existem argumentos indiscutíveis para não gostar de um superior, ou do proprietário da empresa para a qual trabalhamos, mas se estes argumentos são mesmo indiscutíveis basta ter coragem para mudar de emprego, ou até mesmo ficar sem emprego até que apareça um novo

É claro que existem argumentos indiscutíveis para não gostar de um superior, ou do proprietário da empresa para a qual trabalhamos, mas se estes argumentos são mesmo indiscutíveis basta ter coragem para mudar de emprego, ou até mesmo ficar sem emprego até que apareça um novo. Mesmo ficando por necessidade, sabemos que no fundo é uma atitude hipócrita, um mal necessário, até que se resolva. Mas não é desse tipo de situação crítica que falo aqui, é das picuinhas do dia-a-dia, da “rádio fofoca”, das pequenezas a que podemos nos submeter por conta da nossa insatisfação.

A primeira coisa que devemos fazer nestes casos é rever nossa opinião com frieza com base nos seguintes critérios: 

  1. Aquilo que te incomoda é prejudicial para a empresa, ou é pessoal?
  2. Está julgando o superior como se ele tivesse que ter todas as respostas?
  3. Acredita que ele está mesmo deixando de corresponder intencionalmente?
  4. Ele está mesmo percebendo a situação com clareza?
  5. Há diálogo, ou é uma insatisfação platônica da sua parte?

Vamos refletir um pouco sobre cada item acima descrito, sem ter a pretensão de encerrar o assunto, mas com a intenção de flexibilizar um pouco nossas emoções. 

A – Aquilo que te incomoda é prejudicial para a empresa, ou é pessoal?

Se o incômodo é pessoal, provavelmente tem a ver com o estilo de cada um, com a cultura de trabalho. E a cultura de trabalho é sempre disseminada de cima para baixo numa empresa, seja ela um negócio de 10 ou de 100.000 funcionários, é sempre assim, afinal quem criou ou quem dá continuidade num negócio quer mesmo isso, independente do sucesso ou não alcançado pela empresa, devemos nos adaptar à cultura dela, ou vamos embora. Se a opção é adaptar-se, então é ampliando nossas relações, ou seja, trabalhando e pensando em rede que conseguimos isso com mais facilidade. É optar por fazer parte de um sistema, de um processo produtivo e é também assim que conseguimos atuar para melhorá-lo, porque todos percebem e participam. Isoladamente tenderemos a parecer um Harry Potter, querendo fazer mágica com nossa varinha de condão. Normalmente isso soa ridículo e não agrega ninguém, pelo contrário, aumenta nosso isolamento. A época dos feudos foi na idade média, não é mesmo? 

B – Está julgando o superior como se ele tivesse que ter todas as respostas?

Quanto mais subimos na estrutura de uma empresa, mais percebemos que os gestores sofrem um tipo de isolamento terrível, porque em muitos casos não há ninguém na sua categoria de especialidade no mesmo local, isso torna suas decisões difíceis, mesmo tendo experiência não é nada fácil decidir o tempo todo. Se criticamos porque não concordamos com algumas decisões, ou porque não as vemos, devemos pensar que talvez ele não tenha as respostas para tudo, ou pelo menos não tenha as melhores respostas o tempo todo, ele não é um super-herói da Marvel, ele é humano e erra como qualquer outro. Então porque não apresentar opções, mostrar-se disponível para dar ideias ou simplesmente conversar sobre o tema? Às vezes, só de mostrarmos que sabemos desse tipo de isolamento pode facilitar que o superior perceba a rede de profissionais que está abaixo dele e que ele passe a contar mais com ela para partilhar decisões (Atenção! É importante saber ajudar, evitar os achismos é fundamental, se não podemos colaborar devemos ser sinceros, o resto é tentativa de adular e isso é mesmo pernicioso e perigoso, se os problemas não aparecem imediatamente, a longo prazo emergem potencializados). 

C – Acredita que ele está mesmo deixando de corresponder intencionalmente?

Com base no relatado acima, pense bem, porque o superior tomaria más decisões intencionalmente? Não faz sentido, não tem lógica, como também não deve ter lógica nossa atitude de crítica, ele provavelmente é 100% emocional e precisa de reflexão. Se as decisões não são as melhores, é porque faltam elementos que ajudem a atingir melhores resultados, em rede são várias cabeças procurando soluções, em grupo a chance de que se conclua melhor do que a média é indiscutivelmente maior. São muito mais neurónios ativados para o mesmo fim. É claro que pode ser uma questão de ego, de querer os méritos todos para si, mas não devemos deixar de ajudar nem nesses casos, porque tudo se torna evidente com o passar do tempo e muito provavelmente o superior não irá querer abrir mão dos novos níveis de resultados, tendendo a compartilhar os méritos, se isso não acontecer com o passar de várias situações estamos diante dos tais argumentos indiscutíveis do começo deste texto, mas quem perde é ele, porque sua rede se desfaz, ou transforma-se numa rede falsa, cheia dos aduladores, inútil. 

D – Ele está mesmo percebendo a situação com clareza?

Sou consultor de executivos desde 1988 e em grande parte das vezes que os problemas aparecem são mal formulados ao superior, isso se resume em três palavras: falhas de comunicação. Isso é muito mais comum do que imaginamos, é tipo aquela brincadeira do “telefone sem fio”, onde cada um diz uma informação ao outro no ouvido e quando chega na última pessoa está tudo distorcido. Por isso e mais uma vez, a vantagem de trabalhar e pensar em rede é indiscutível, porque fica óbvio que as informações caminham mais rápido, bem como o envolvimento na busca das soluções, é como trocar o “telefone sem fio” por uma palestra, onde todos recebem a informação ao mesmo tempo e na mesma forma, cabendo a cada um utilizar seu quadro de referências e interagir, isso multiplica as possibilidades e é indiscutivelmente mais produtivo, para isso é que servem reuniões, para distribuir informações relativas a metas, objetivos ou, soluções de problemas, todos os outros tipos de reuniões são inúteis, servem para o tal achismo, são pura perda de tempo (e isto está endémico hoje em dia, infelizmente). 

E – Há diálogo, ou é uma insatisfação platônica da sua parte?

Diante de tudo o que foi relatado acima, se da sua parte não há atitude, só desperdício de energias com críticas, se não há a predisposição para ajudar, não se vai a lugar nenhum. Você pode ter todas as razões do mundo para estar certo, mas, se como num amor platônico, quem está do outro lado não percebe nada, não haverá nunca reação favorável, não há ligação, conexão. Por isso o diálogo é precioso, mas um diálogo com foco, sem conversa fiada, ou adornos emocionais baratos, os diálogos objetivos fazem parte de quem quer fazer parte, é este seu caso?


Fonte: Artigos Administradores / Quem trabalha e pensa em rede não perde tempo criticando o chefe

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