Recordar é viver: 2015 é vida nova, mais do mesmo ou retrocesso?

Recordar é viver: 2015 é vida nova, mais do mesmo ou retrocesso?

Administrar também envolve vigiar: vigiar o tempo presente, a fim de garantir um futuro onde a essência dos erros do passado não se repita sob novos contornos.

No início deste ano, em 02/01/2015, este que lhes escreve fez uma breve reflexão sobre o que poderíamos esperar de um ano que se iniciava, à luz da realidade que nos cercava. Afinal de contas, este também é o trabalho e, ao mesmo tempo, a missão de um profissional de Administração: vigiar e guiar o tempo presente, a fim de garantir um futuro onde a essência dos erros do passado não se repita sob novos contornos.

 

Naquela ocasião, foi descrito que, no âmbito pessoal, era o momento de tirar do papel aquelas resoluções que costumávamos fazer na virada do ano anterior: perder peso, mudar de emprego, estudar, viajar, etc. ‎O desafio continua.

 

Para as empresas, o início de um ano representa a implementação de muitos projetos e ações planejados no ano anterior. ‎Contudo, à luz da conjuntura econômica atual, pautada pela estagflação interna e pelo arrefecimento do crescimento nas principais economias emergentes, o momento ainda é de cautela e de avaliação das tendências que se revelam no ambiente de negócios. 

 

Uma dessas tendências diz respeito à constituição de cadeias de valor transnacionais e dos consórcios de inovação global, sendo estes de uso intensivo de capital intelectual e financiados por fundos de investimento e organismos internacionais.

 

E onde o Brasil se situa nesse contexto? No momento, muito aquém do que poderia, comprometendo a sua competitividade e a de suas empresas locais.

  

Quanto ao Governo, o momento é de austeridade, principalmente por conta da deterioração das contas públicas nos anos de 2014 e 2015. Para tanto, não há outra alternativa para retomar as rédeas do desenvolvimento econômico senão poupar, poupar e poupar, e isso envolve cortar da própria carne, dos próprios Ministérios e dos próprios feudos. Afinal de contas, alguém precisa apertar os cintos para aumentar a oferta de capital necessário ao financiamento do setor produtivo, à melhoria da infraestrutura e ao estímulo à inovação‎ e ao desenvolvimento tecnológico. 

 

Para a sociedade como um todo, ‎permanece um dever de casa: o de vigiar o Poder Público, a fim de garantir que a corrupção e a irresponsabilidade de alguns não comprometam o bom funcionamento do todo. E‎ é o olhar vigilante do cidadão que garante que agentes políticos atuem em prol do interesse público, e, não, de grupos, facções ou partidos. Afinal de contas, nós colhemos o que plantamos: se plantamos acomodação e improvisação, colhemos acomodação e improvisação.

 

‎E, finalmente, não nos esqueçamos: ainda vivemos num país onde a pobreza de muitos coexiste com o luxo de alguns; onde traficantes e milicianos detêm as rédeas do poder na periferia de muitas metrópoles, enquanto “coronéis” governam na periferia do país; onde empresas estatais passam por processo de pilhagem; e onde grupos políticos que estão no poder vêm promovendo e apoiando discursos e condutas que reavivam a Doutrina de Segurança Nacional, ideologia que serviu às ditaduras militares que se instauraram na América do Sul nos anos de 1960 a 1980 e que, atualmente, serve, sob nova roupagem, ao Foro de São Paulo. Por exemplo: o discurso de posse da nossa Presidenta neste início de ano, conjugando com o discurso de suas bases (PT, CUT, MST, UNE, etc.) e com iniciativas como o Decreto n° 8.515/2015 geram desconfiança acerca de um possível processo de “Venezuelização” do país.

 

Isso posto, fica a recomendação: quem não escuta cuidado, escuta coitado; quem não escuta cautela, escuta Venezuela; e quem não escuta planejamento, escuta lamento.

 

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!


Fonte: Artigos Administradores / Recordar é viver: 2015 é vida nova, mais do mesmo ou retrocesso?

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