Recrutamento e seleção

Recrutamento e seleção

As empresas fazem certo seus processos de Recrutamento e Seleção?

Tenho este texto pronto há tempos, mas como estava participando de um processo de seleção tive o melindre de publicar antes e suscitar dúvidas se era uma crítica ou uma forma de forçar uma situação. Agora que o processo encerrou é hora deste texto ver a luz do dia e gostaria muito de seu feedback sobre ele.

Não é de hoje que tenho a impressão que o mundo gira para um lado oposto ao correto nos processos de recrutamento e seleção. Avalio tal afirmação por experiência própria e em conversas a respeito com o mais variado tipo de profissionais durante todos estes anos de carreira.

Comecemos com o recrutamento.

Nesta etapa a empresa traça um perfil profissional e divulga a vaga para captação. Para exemplificar melhor o que relatarei na sequência vou usar dois anúncios que peguei no dia 28/01/16:

01 – Objetivo: Realizar o atendimento qualificado aos associados, clientes e demais públicos de interesse, no que tange aos produtos e serviços da *******, na plataforma das Unidades de Atendimento e outros locais com potencial, a fim de apresentar soluções financeiras que atendam as necessidades do público em questão, efetivar negociações e cumprir com as metas estabelecidas.

Requisitos: Formação superior completa em Administração, Ciências Contábeis ou Economia, com pós-graduação em áreas afins. Experiência profissional mínima de 2 anos em atividades de negócio na Unidade de Atendimento, no auxílio nas carteiras de produtos e serviços ou experiência similar de mercado. Profundos conhecimentos sobre produtos e serviços bancários, legislação cooperativista e técnicas de venda. Ampla visão de negócio.

02 – Descrição: Irá gerenciar planejar e organizar as atividades contábeis, administrativa, financeira e organizacional da empresa, observando os princípios legais entre outras funções. Qualificação: Experiência no planejamento e coordenação em atividade de controladoria. Formação: Superior completo em Direito, Administração ou Engenharia.

A primeira vaga é de Vendedor, salário e benefícios estão marcados como a combinar (não há crase antes de verbo, fica a dica) e o produto da empresa é empréstimo consignado. Por curiosidade, liguei para a firma e me informaram que o salário é entre R$ 1.000,00 e R$ 1.300,00 bruto, que há participação nas vendas entre 0,1% e 0,3% e os benefícios são oferecidos pelo sindicato da categoria e são optativos.

 Não é necessário ser gênio para ver que estão pedindo demais para um cargo que exige muito menos (não vou colocar nesta balança o que é oferecido pela empresa). Acredito que diante da crise e o número de desempregados que esta firma possa até conseguir o funcionário que procura, porém logo ela irá perde-lo já que para alguém com este tipo de formação e experiência apenas diante de uma necessidade urgente é possível aceitar tal serviço.

O segundo anúncio é para um Controller em uma fábrica. Salário entre R$ 4.800,00 e R$ 5.000,00, todos os benefícios incluídos e participação nos lucros.

Por mais que esta vaga esteja melhor delineada do que a primeira, ela abre um leque imenso quando aceita formação superior em três profissões completamente distintas. Há claramente uma falta de objetividade do que a empresa realmente quer seguir. Sugiro contratar primeiro um consultor que dê o diagnóstico exato do que se precisa, pois, com certeza, o processo ficaria mais eficiente e eficaz.

Aqui cabe reportar algo que as empresas costumam reclamar muito que é o candidato que manda currículos sem estar alinhado com o perfil da vaga. Isto ocorre por conta de anúncios como este que deixam a desejar na objetividade, o que, infelizmente, é a maioria.

O relatado no paragrafo acima ainda é agravado diante do nosso próximo assunto: Processo Seletivo.

O processo seletivo talvez seja onde a cabeça dos profissionais se torna um trevo. Há tanta subjetividade e achismo que fica quase impossível encontrar um ponto de equilíbrio entre o que foi publicado na vaga e no que se espera do candidato neste processo.

Comecemos pela Dinâmica de Grupo.

É necessário salientar que ela começou como um estudo americano de um pesquisador alemão em meados dos anos 50 do século passado, baseada na Teoria da Administração que fala da dinâmica dos grupos (entrosamento entre os diversos setores e departamentos). Este pesquisador morre em meados dos anos 60 sem concluir absolutamente nada, mas seus assistentes começam a vender a pesquisa como se fosse absoluta. A tentativa dá resultado e a década de 70 e começo dos anos 80 infesta às empresas dos EUA. Período conhecido como década perdida já que seu maior feito foi criar a geração yuppie, conhecida por aparentar sem ter conteúdo.

Nos EUA as dinâmicas não são mais utilizadas nas grandes e médias empresas, ao invés disso utilizam a visitação e até a entrevista com a família do candidato e esta simples ação gera um profissional que em média permanece por 8,9 anos em uma empresa e executivos top com cerca de 32 anos de estudo entre formação e aperfeiçoamento.

Esta simples solução que as empresas americanas adotaram baseia-se apenas em se fazer o óbvio. Analisar o profissional em sua casa dá a ele segurança e ele é capaz de se apresentar melhor e ao analisar sua família constata se ele terá o suporte necessário ao entrar na empresa. Unir os dois maiores pedestais de alicerce de um ser humano (família e emprego) ratifica de forma muito melhor a capacidade técnica e pessoal do candidato.

Preciso ainda ressaltar os dois maiores erros que vejo nos processos seletivos.

O primeiro são as famigeradas indicações.

Devo dizer que sou muito refratário às indicações e meu motivo é simples: o candidato não é identificado com a empresa e sim com quem o indicou.

É fácil ver onde esta forma de contratação nos levou. Muitos setores, departamentos e até firmas inteiras, principalmente neste momento de crise que passamos, não conseguem reagir, simplesmente porque deixaram de ser empresas e viraram clubes sociais.

O outro ponto são os ditos testes de perfil psicológico.

Vou me usar como exemplo para ficar mais fácil.

Diante das perguntas subjetivas como, por exemplo, que animal você seria?

Mesmo sabendo que leão é liderança, formiga é trabalho em grupo e tantas outras respostas clichês, eu seria honesto e citaria cavalo e não é porque ele seja trabalhador e responsável, mas porque, ao meu ver, ele é o animal mais importante do mundo. Imagine a humanidade sem o cavalo. Estaríamos em pleno século 21 vivendo como no século 18. Sem ele não haveria a expansão nem a evolução.

Outra pergunta clichê é: qual a sua maior qualidade ou como as pessoas costumam te identificar?

Coloquei as duas questões, mesmo parecendo um pouco desconexas, porque minha resposta é a mesma: Empatia.

Sou administrador e para um analisador mais distraído esta pode parecer uma qualidade de quem tem pouca objetividade ou que seja incapaz de exercer liderança. As pessoas também podem enxergar outras qualidades em mim, porém todas partem do norte dado pela empatia.

Empatia é se colocar no lugar do outro e neste ponto considero impossível tomar decisões objetivas, ter assertividade, ser eficaz e eficiente, ser justo sem se colocar no lugar do outro, da empresa, do cliente, do funcionário, do chefe e de todos os outros envolvidos em qualquer processo que seja.

A meu ver, é impossível ser um grande profissional em qualquer área sem ter a empatia como elemento intrínseco e natural.

Fazendo uso da característica que citei hoje fica fácil reconhecer que a grande maioria das empresas peca na questão mais óbvia e que ao procurar os profissionais com mais experiência, mais cursos, mais diplomas acaba por esquecer justamente do atributo mais importante que um candidato deve ter que é a identificação com a empresa. Não confunda isso com identificação com os funcionários.

Quem se identifica com a empresa cuida com maior zelo, se esforça mais, trabalha incansavelmente, se aprimora e principalmente encara as metas, planejamentos e mudanças com mais gana e responsabilidade, simplesmente porque seu coração pulsa pela instituição. A simbiose entre razão e emoção torna o profissional mais completo pelo simples fato dele se sentir uma pessoa completa.

Na verdade não há segredo para se contratar a pessoa certa. Basta usar o óbvio.

O que você pensa a este respeito?


Fonte: Artigos Administradores / Recrutamento e seleção

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