Reinventando o mesmo

Reinventando o mesmo

O mercado muda com muita rapidez e as exigências são cada vez mais maiores. Por isso, tanto uma empresa e o seus produtos precisam estar sempre se reinventando, buscando constantemente novas abordagens para se manterem ativos

Falar em dificuldades nas vendas soa até estranho no atual momento em que vivemos. Estamos em plena era do consumismo e as pessoas estão ávidas a comprar. E lembrem-se, comprar é para algumas pessoas, uma forma de terapia, que melhora a autoestima e contribui para uma renovação pessoal, ou seja, comprar faz bem.

No mundo atual novidades pipocam instantaneamente em diferentes locais e setores e parece que em segundos já estamos desatualizados ou que a novidade já se tornou obsoleta. É assim mesmo. Tudo está muito rápido. Quem não sonhou em ter uma TV tela plana de 29 polegadas? Não era o máximo? Pois é, agora o sonho, é uma TV 3D.

Este movimento é mais evidente com quem trabalha com moda, onde as mudanças são ditadas pelas tendências que, influenciam e são influenciadas ao mesmo tempo. Analisar e colocar rapidamente o produto no mercado, sob esta ótica, entendendo o que ele quer comprar, é ponto fundamental na assertividade das vendas. Aqui o produto é sempre o mesmo, seja uma camiseta, uma blusa, mas estamos adequando-o à venda, ou seja, há um constante processo de reinventar o mesmo.

Trazendo para uma relação mais próxima, o que dizer, então, do ambulante ao lado, que vende o tradicionalíssimo e conhecidíssimo cachorro-quente, só que agora dentro de um furgão todo adaptado? O produto é o mesmo, mas a abordagem mudou. E é a isso que muitos gestores não se atentam. As mudanças que o mercado exige para adquirir o mesmo produto. Reinvenções de um mesmo produto muitas vezes são necessárias para manter sua longevidade e prorrogar suas vendas, e isto não tem relação com o tempo de existência do produto. Tem a ver com a abordagem, a forma como os possíveis e novos compradores podem se identificar com o produto. Caso contrário, o natural, mas indesejado envelhecimento e o fim do produto podem acontecer. Se não houver atenção, pode ocorrer até precocemente.

O mercado se movimenta, necessidades surgem e outras desaparecem, hábitos mudam, e adequações são necessárias para manter o produto, a empresa e o próprio negócio. Hoje as empresas são avaliadas também pela sua capacidade e agilidade às mudanças e os gestores precisam estar atentos a isto. O grande desafio aqui é entender o que está acontecendo fora e dentro da empresa e sincronizar o movimento, caso contrário, a empresa poderá ter dificuldade de encontrar o seu rumo.

Métodos de gestão, controles, processos, procedimentos, entre outros, também passam pela mesma situação. E não estamos falando nos modismos. É preciso mexer na velha forma, que há anos sempre deu certo, que fez o produto ganhar espaço e a empresa crescer, mas que gradativamente deixou de surtir o mesmo efeito. É a adaptação, é a transformação do já existente ao novíssimo.

Observadores mais atentos, dirão que nada acontece por acaso e, se houvesse um acompanhando regular, dentro de critérios, o movimento do produto, da empresa ou do mercado já seria detectado antecipadamente e as ações para adequação ou mesmo de mudanças ocorreriam. E isto está correto.  Trazendo esta análise para a gestão, o fato é que, mesmo que soe estranho, muitos empresários ainda não despertaram para o planejamento, que é uma ferramenta importantíssima para manter o vigor do negócio. É como nunca ir ao médico para fazer um check up com receio de receber uma notícia desagradável. O planejamento, neste caso, é um exemplo do que pode ser feito, dentre outras ferramentas a serem utilizadas.

Manter a longevidade e o sucesso do negócio assegurando as vendas é um trabalho de reinvenção diária, de atenção ao que acontece, nos mercados, no produto, nos consumidores, nos concorrentes e na própria empresa. Analisar o conjunto não é tarefa fácil e, muitas vezes, é deixada de lado. Às vezes, pela sobrecarga de trabalho do dia a dia. Todo mundo está correndo, é o que mais se ouve, mas não parar para analisar o próprio negócio e não agir dentro de um planejamento, pode minimizar o desempenho da empresa e até, em determinada etapa, ser fatal para o negócio. A empresa e o produto podem ser os mesmos, mas a forma como eles são percebidos pode ser diferente e isto que deve ser compreendido pelos gestores.


Fonte: Artigos Administradores / Reinventando o mesmo

Os comentários estão fechados.