Sapatos do bem: como a TOMS alia lucro a uma boa causa

Sapatos do bem: como a TOMS alia lucro a uma boa causa

A fabricante de sapatos que nos mostra que é possível crescer de forma sustentável e fazer o bem ao mesmo tempo.

A TOMS Shoes é uma legítima representante do que vem sendo rotulado como capitalismo consciente. A empresa foi fundada pelo americano Blake Mycoskie, após uma viagem de férias na Argentina. Lá, o empresário conheceu as alpargatas tradicionais do País, atualizou cores e solados e concebeu uma empresa, partindo de uma proposta de valor simples e consistente: para cada sapato vendido, um sapato seria doado para uma criança carente.

Recentemente, li o livro Comece Algo que Faça a Diferença, escrito por Blake e divido aqui quatro lições extraídas da obra.

A importância de ter uma história. 

Acima de números, modelos de negócios e ofertas, pessoas se interessam por histórias. Cuide para que seu negócio tenha uma boa história. Para ser boa, a história precisa ser real. Não é difícil. Todos temos histórias que podem despertar o interesse de outras pessoas.

A importância de espalhar sua história.

Ok, sua empresa tem uma narrativa consistente. Agora, se ocupe de espalhar sua história de todas as formas possíveis. O fundador da TOMS conta que, desde o início, não perdia nenhuma oportunidade de contar a história da marca para amigos, familiares e desconhecidos. A estratégia envolvia desde usar uma cor diferente de TOMS em cada pé para despertar a curiosidade de estranhos e então ter a oportunidade de falar sobre a marca até uma turnê pelos EUA a bordo de um trailer.

A importância de começar pequeno e crescer de forma ágil.

Mycoskie conta que o início de sua empresa foram 250 pares de alpargatas argentinas transportadas até os Estados Unidos em três mochilas e alguns cartões de visitas. A filosofia de manter custos mínimos é parte da cultura da TOMS. O autor acredita que o excesso de recursos pode matar uma startup promissora, pois reduz a criatividade e tira o foco dos aspectos essenciais do negócio. Para validar seu argumento, Blake Mycoskie cita exemplos de empresas que, na sua visão, sucumbiram à bolha da internet no início dos anos 2000 por terem recebido muito investimento em estágios onde o dinheiro não era o aspecto fundamental para o desenvolvimento do negócio.

Capitalismo consciente é uma via de mão dupla.

A empresa tem uma proposta bacana e que beneficia comunidades pobres, mas ainda continua sendo uma empresa e uma empresa visa o lucro. Dessa forma, se por um lado dezenas de milhões de crianças pobres já foram beneficiadas pelas doações da TOMS, a empresa também se beneficia (e muito) de seu viés social. O fundador é honesto ao admitir que só recebeu apoio de gigantes do mercado como a revista Vogue, Ralph Lauren e AT&T em função da causa social incorporada ao DNA da empresa. Adicionalmente, os clientes se tornam divulgadores e embaixadores da marca por acreditarem na missão do empreendimento. Não há nada de errado nisso, o negócio se torna viável e mais crianças são beneficiadas.

A TOMS deu tão certo que atualmente ampliou seu escopo, mantendo a mesma filosofia. Hoje em dia, desenvolveu uma linha de óculos escuros e para cada par de óculos de sol vendido, a empresa doa um par de óculos de grau para uma criança. Também há cafés gourmet e para cada café vendido, a empresa doa água para o país produtor dos grãos.

Recomendo a leitura àqueles que acreditam em negócios que sejam sustentáveis financeiramente e, ao mesmo tempo e de alguma forma, impactem positivamente o ambiente no qual está inserido.


Fonte: Artigos Administradores / Sapatos do bem: como a TOMS alia lucro a uma boa causa

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