Segurança, o segredo do planejamento

Segurança, o segredo do planejamento

Apontamentos a respeito da necessidade de segurança para a realização de planejamento empresarial.

Quem nunca teve algo programado para o fim de semana e, na sexta-feira, às onze da noite, recebeu aquela mensagem “desculpe, blá blá blá não posso comparecer…”? Após uma ou duas vezes que isto ocorre, os indivíduos tendem a criar o famoso “Plano B”, modelado especificamente para contornar as adversidades da vida.

Agora, imaginemos que o nome da pessoa que convidamos é CPMF, será que ela virá à festa? Se vier, devemos nos comportar da forma X, caso ela não esteja, Y. Todavia, a criação ou não da CPMF (ou o nome que desejarem utilizar para uma nova tributação), afetará inúmeros planejamentos empresariais, incluindo o preço final destinado ao consumidor. Com isto em mente, teremos que pensar que alguns empreendimentos somente poderão ver a luz do dia caso ela não surja e outros terão que ser muito mais arrojados caso apareça.

Lembramo-nos sempre de um caso envolvendo engenheiros. Havia um projeto de construção de algumas pontes, houve uma alteração do material dos cabos e algumas outras coisas. Esta simples alteração, que para um leigo seria “seis por meia dúzia”, forçou todas as empresas participantes do empreendimento a efetuar uma ampla revisão de todos os cálculos. Este cenário cria a insegurança. Como realizar projeções econômicas de longo prazo sem um norte?

Na minha área principal, a saber, o direito, não raras vezes somos surpreendidos com alterações de posições jurisprudenciais há muito consolidadas, o que frustra horas e horas de reuniões com o cliente. Por isto, nestes encontros sempre afirmamos “o entendimento atual é este, pode ser que com o tempo ele venha a ser alterado…”. Agora, repita esta frase para alguém que pretende fazer um investimento de quarenta milhões de reais e veja o quão afável ele será quando disser que poderá estar construindo um castelo sobre a areia movediça.

Ao longo dos últimos dias, em conversas com inúmeros empresários, percebemos que a insegurança política destes dias, aliada às incertezas do day after eventual deposição da presente Dilma, cria um clima de extrema retenção de capital e, por consequência, mínima disposição de investir em nosso país. A rigor, o ideal seria um planejamento unificado para os próximos vinte ou trinta anos (o chamado médio prazo), porém, dadas as circunstâncias e a ausência completa de interesse político de quem quer que seja em estabelecer planejamento que vá além de um mandato, o empresário brasileiro termina por dançar conforme a música.

De fato, o empresário brasileiro, guardadas as devidas proporções, não é muito diferente de um treinador de futebol, cujo time não passa mais de duas temporadas sem vender seus melhores jogadores ao exterior e, ao final, deve reconstruir a equipe, ou seja, sempre recriando e se adaptando às circunstâncias. O país necessita de um planejamento seguro e isto deve ocorrer o quanto antes, pois a economia nacional não é um campeonato de futebol, as empresas não são meras agremiações e, principalmente, as demissões, movidas pela insegurança, são reais e frustram milhares e milhares brasileiros que necessitam de sustento.


Fonte: Artigos Administradores / Segurança, o segredo do planejamento

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