Seis regras para a prática do sucesso

Seis regras para a prática do sucesso

A prática tem um poder transformador no desempenho profissional. Para você que é líder, coach ou especialista, apresentamos 6 regras básicas para fazer a prática perfeita e eficaz na melhoria de habilidades e desenvolvimento de talentos – os verdadeiros campeões de altaperformance.

Você já deve ter ouvido falar que a prática faz o campeão. Basta ver quantas horas por dia um campeão olímpico treina para saber que a prática é uma condição determinante para o sucesso. Por exemplo, os melhores ginastas olímpicos chineses, entre os quais muitos ganhadores de medalhas de ouro, chegam a treinar 14 horas por dia!

O técnico Tite, campeão brasileiro pelo Corinthians, e atual técnico da seleção, é conhecido por sua obsessão por treinamento e prática, um exemplo de criador de campeões. Segundo ele, a causa de seu sucesso pode ser resumida em uma palavra:  “treinamento!”

Na vida, enfrentamos escolhas todo tempo, o modo como vamos encará-las é que faz a diferença. Você pode simplesmente cruzá-las no piloto automático ou emaranhar-se nelas e se desvencilhar, redefinindo novas práticas.

Se voce quer ser um campeão ou um líder melhor qualificado, recomendamos que reflita sobre a prática.

No livro “Sem treino não se ganha jogo”, os autores Doug Lemov, Erica Wollway e Jatie Yezzi constatam que o poder da prática e de diversas regras podem eficazmente desenvolver talentos e fazê-los progredir na arte do aperfeiçoamento.

Para os autores, a prática não é apenas definida como uma série de exercícios, atividades ou jogos simulados, mas como a oportunidade de inventar ou reinventar a nós mesmos, de qualquer maneira desejável, ao fazer repetidamente por várias vezes atividades com estratégia e intencionalidade de vitória. Ao compreender o poder de melhorar pequenas coisas, podemos elevar de modo extraordinário os resultados pessoais e organizacionais.

Pense sobre as vezes que você escova os dentes, lava o cabelo ou atende o cliente. Você faz isso há anos. Entretanto quando foi a última vez que voce otimizou uma tarefa, melhorou sua habilidade em fazer algo?

Muitas pessoas veem a prática de modo negativo, como um trabalho chato, repetitivo e necessário. Ao invés de ser vista como uma tarefa tediosa, a prática deve ser compreendida de forma mais ampla: como uma fase prévia e uma pré-condição importante para a eficácia e o sucesso.

Todos nós praticamos. Seja o vendedor que quer fechar mais vendas, o gerente se preparando para dar feedback aos seus colaboradores, o diretor-geral que deseja negociar com o fornecedor. A prática é uma poderosa ferramenta para melhorar as nossas habilidades profissionais.

Lemov, Woolway e Yezzi sugerem 6 passos para uma prática perfeita:

 1 – Repensar a prática

A prática deve ser repensada: ela não se reduz a uma série de atividades simuladas, mas é uma oportunidade de se criar ou reinventar a maneira como se executam as coisas de um modo mais eficaz. Reexamine suas suposições sobre a prática. Muitas vezes nossa premissa sobre a prática é errada. Por exemplo, crianças driblando cones com rapidez, aperfeiçoam o drible e flexibilidade, mas se tiverem joelhos travados, essa prática não vai adiantar na melhoria.

Nós vivemos em uma cultura que ama a competição. Nós amamos o desempenho, a vitória, os segundos do relógio contando nossa velocidade. Neste contexto, colocar a prática na linha de frente de todos os que procuram incutir talento e realização em si mesmo e nos outros é fundamental. Afinal é a prática, e não os jogos, que fazem campeões. Os campeões reconhecem o poder transformador da prática. E sabem que não basta a pratica, mas o como se pratica! É isso que efetivamente pode fazer a verdadeira vantagem competitiva.

Logo, descubra novas maneiras de pensar sobre a prática. Quando deliberadamente projetada e executada, ela pode revolucionar os nossos esforços mais importantes. O conjunto de regras claras apresentadas na prática perfeita nos fará melhor em praticamente todas as áreas de desempenho da vida. Michael Jordan disse uma vez: “Voce pratica a cesta oito horas por dia, mas se sua técnica está errada, então tudo que voce se tornará é ser muito bom em jogar a bola erradamente”.

Com regras e ferramentas práticas, podemos criar valores positivos fora de série e conjunto de talentos capazes de mudar o mundo.

A primeira regra para a prática perfeita é você “codificar o sucesso”. Todos sabemos que o cerebro não grava expressões negativas. Por exemplo, o professor que ordena ao aluno “não converse com o vizinho” irá fracassar. Porém, se disser, olhando-lhe nos olhos, e levantando o indicador: “Preste atenção agora, pois isso é muito importante”, terá maior chance de sucesso.

O maior benefício da prática é que ela permite que você visualize antecipadamente e pratique previamente a ação futura que voce deseja realizar de forma bem-sucedida. Os vencedores primeiro imaginam e visualizam o sucesso. Quando Barack Obama utilizou o slogan de campanha, “Sim, nós podemos!” ele estava codificando o sucesso.

Pratique a regra 80/20. Na economia 80% dos resultados vem de 20% das fontes. O que isso significa é que voce deve passar mais tempo praticando os 20% de ações que produzem mais resultados na sua organização. As coisas mais importantes devem ter mais atenção.

Substitua o seu propósito por um objetivo. Enquanto o propósito é amplo e genérico, o objetivo é mensurável, administrável, especifíco e tem prazo: isso ajuda no desdobramento e concretização do propósito e focaliza ações. Por exemplo, o propósito pode ser “encantar o cliente,” e o objetivo “sorrir, chamar o cliente pelo nome e, ao final, dizer muito obrigado”.

Corrija ao invés de criticar. Dizer simplesmente que a pessoa errou não acrescenta muito, mas apontar o que corrigir obriga a refazer novamente a ação, permitindo a pessoa melhorar. Curiosamente, as pessoas também podem auto-corrigir-se com base na sua própria observação e repetir a tarefa novamente até melhorar.

2 – Praticar melhor

Depois de mudar nosso modo de pensar sobre a prática, o próximo passo é definir as mudanças que precisaremos fazer no ato dos treinos para tornar a prática mais eficaz. Em outras palavras, fazer o design do processo.

Para isso é necessário analisar o jogo e conhecer suas regras. Observe a prática dos campeões. Analise o desempenho deles para entender as habilidades que desenvolveram para tornar-se vencedores. No entanto, além de identificar essas habilidades, você precisa desmembrá-las em aptidões e passos mais específicos e descobrir quais deles são os mais importantes, pois especificidade e detalhes são fundamentais. Existem princípios que podem ajudar a prática eficaz, como por exemplo, “isolar a habilidade.” No caso de cirurgias, os estudantes de medicina passam horas praticando as atividades que compõem o processo: como segurar o equipamento cirurgico, como fechar feridas, como suturar, etc. Ela é cuidadosamente isolada, projetada e ensaiada pelo novato antes de executá-la na prática de forma eficaz.

Após a prática individual, a equipe deve ter a oportunidade de treinar conjuntamente suas habilidades resultando em algo como um “concerto musical”.

Faça a prática ser divertida! Ninguém fica treinando penaltis jogando a bola sempre no mesmo lugar e chutando da mesma maneira. Isso torna o treino monótono e não gera criatividade e inovação. Procurando melhorar, o jogador vai tentando novas maneiras. Fazer alguma coisa para animar a prática pode tornar as pessoas mais dispostas a inovar. No exemplo do penalti, aquela paradinha que o jogador faz antes de chutar a bola se tornou uma prática universal e eficaz.

Assim, fazer pequenas modificações nas sessões de treino podem fazer toda diferença na prática.

Faça um Plano! Todos os líderes planejam sessões de treinos, mapeiam os tempos e atividades e traçam metas com base em dados e fatos. Detalham cuidadosamente as fases e atividades do plano e as revisam intensamente. E líderes treinam sobretudo a si mesmos. Eles lembram também de revisar, mofificar e refazer o que não está correto.

3 – Modelar a prática

Um componente da prática que é muito eficaz no início do ensinamento de uma nova habilidade é a modelagem. Demonstrar e descrever é essencial. Por exemplo, programas de culinária na TV são mais eficazes do que receitas em rótulos de alimentos, porque eles modelam como fazer o prato em questão.

A aprendizagem por meio da observação é feita em muitas profissões. Mas isso pode gerar cópias equivocadas. Por isso anunciar a jogada é útil para compreender a tarefa em detalhes. Como no bilhar, por exemplo, quando avisamos que vamos jogar a bola 3 na caçapa esquerda.

Faça superdemonstrações. Quando ensinam lingua estrangeira, os professores costumam falar o tempo todo naquela língua. Isso força e melhora a absorção e treina a prática auditiva e mental do novato, acelerando o aprendizado. Por exemplo, em uma simulação de vendas, uma maneira de se certificar de que você está fornecendo o melhor modelo possível é usar o vídeo, pois ele facilita a identificação e correção de erros.

4 – Praticar o feedback

O feedback é um elemento importante para a prática perfeita. Ele é poderoso para o aprendizado pois permite a identificação de pontos a serem corrigidos ou melhorados. Não se esqueça que dar feedback envolve diversas técnicas para que ele seja aceito pelo outro e tenha eficácia. Ele não deve ser avaliativo ou conter julgamentos, mas deve ser claro, especifício e acionável, focado no desempenho e não na pessoa, ilustrado com exemplos concretos.

Ao usar o feedback com frequencia, podemos desenvolver uma cultura em que as pessoas progridem mais rápido e eficazmente.

A sequência para treinar um campeão deve ser: 1) Demonstrar; 2) Praticar; 3) Dar feedback; 4) Refazer (praticando com a melhoria proposta pelo feedback) ; 5) Se possível, refazer várias vezes (treinar), e 6) Refletir (aprender e gerenciar).Incorpore esse processo no dia a dia.

Use também o poder da positividade. Frequentemente presumimos que feedback é corrigir o que está errado. No entanto devemos focar e construir o que é certo ou positivo. Devemos lembrar que são nossos pontos fortes que alavancam nosso desempenho.

Limite a quantidade de feedback que você dá. Frequentemente queremos passar tudo de uma vez. Imagine um professor de tenis dizendo: “Há nove coisas que você deve saber para dar um bom saque”. Raramente a pessoa manterá as nove coisas na cabeça. Assim, o melhor é “domar seu especialista” e ensinar um item de cada vez, didaticamente.

Descreva a solução, não o problema. Use o feedback para ensinar e sugerir soluções viáveis e macetes para resolver o problema.

5 – Desenvolver a cultura da prática

O quanto as pessoas abraçam a prática tem muito a ver com o contexto. Se uma organização intencionalmente cria uma “cultura de prática”, há uma probabilidade maior de que as pessoas pratiquem a excelencia regularmente. Em 2014, a Alemanha venceu a Copa do Mundo em grande parte pela quantidade e regularidade de treinamento mutuo da equipe.

Tratar o erro como normal é uma outra regra, sobretudo para quem quer inovar. O fracasso é uma parte normal da aprenzizagem e não deve ser apresentado como algo a ser evitado a todo custo. Tentar coisas novas e correr riscos é inerente a quem quer exceder seu desempenho.

Para construir uma cultura de prática, todos devem “entrar na dança”, inclusive o líder. Ele não deve apenas ficar sentado e dar feedback, mas praticar junto e dar o exemplo. E, igualmente, pedir feedback.

Potencialize a responsabilização mútua. Uma maneira de consolidar uma cultura da prática, é construir uma prestação de contas entre os pares. Empresas com equipes vencedoras geralmente acordam e cobram as metas de maneira equanime entre os membros.

Elogie e reconheça o trabalho feito. Reconheça a ação, o comportamento, não as características da pessoa. Lembre-se, estamos falando de desempenho! Crie sistemas de reconhecimento e seja sempre verdadeiro.

Contrate pela prática. Praticantes perfeitos são mais capacitados.

6 – Pós-prática: Aderir as novas habilidades

Você já viu empregados recem treinados, quando retornam ao trabalho, recair em velhos vícios? Nesse caso, o problema não está no treinamento, mas no contexto do trabalho: os gerentes não responsabilizam seus colaboradores sobre a nova prática esperada ou não recontratam novas metas de desempenho. Lembre-se: olhe para o que importa! Crie ferramentas que observem as coisas certas. Monitore a habilidade que foi objeto do treinamento e avalie o quanto o desempenho está melhorando.Isso responsabiliza os colaboradores sobre o que aprenderam e pelo que se espera deles.

Durante o jogo oriente, não ensine. Os líderes não devem ensinar coisas novas durante o jogo, pois isso confundirá os colaboradores. É a hora de praticar, permitir erros e aprender com a prática. Durante a atuação voce observar. O feedback deve ser posterior ao fato. No jogo, voce apenas dá pistas e lembra o que foi aprendido.

Meça o tamanho do sucesso! As medidas são essenciais para avaliar o desempenho e corrigir falhas. O pós-prática permite melhorar a jornada ao sucesso por meio de lições aprendidas. Use diferentes métodos e indicadores, tais como questionários, auto-avaliação, avaliação 360 e métricas de performance para avaliar de modo holístico o desempenho.

Pronto para o teste de 2ª. Feira?

Todas estas regras e passos existem para melhorar a performance de qualquer profissional ou líder. Comece a prática a partir do ponto que você está, e se você não está praticando, comece. Se você já está praticando, reestruture e reinvente suas práticas para incorporar o feedback e a melhoria acionável. Mas acima de tudo, faça a prática como uma diversão, para desejar faze-la novamente amanha.

Se voce tiver uma equipe, pode iniciar definindo os padrões e habilidades que deseja das pessoas. Poderá traçar um plano de desenvolvimento pessoal dos membros da equipe e introduzir o modelo da prática perfeita. Por exemplo, se “encantar o cliente” for uma estratégia da sua empresa, você pode combinar com a equipe quais as três ou quatro habilidades necessárias para isso acontecer de fato. Então, poderá seguir o processo da prática como foi visto aqui: 1) demonstrar e descrever, 2) praticar, 3) avaliar, 4) dar feedback, 5) treinar e 6) levar a adesão e aprendizado contínuo.

Como líder, ao fazer isso, você estará também prosperando em sua própria prática.

 

 

 


Fonte: Artigos Administradores / Seis regras para a prática do sucesso

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