Seu emprego vai acabar

Seu emprego vai acabar

O que você sentiu ao ler o título desse texto? Curiosidade? Angústia? Desespero? Calma, calma. Não vim aqui anunciar qualquer tragédia. Este artigo não fala sobre a desaceleração econômica que estamos vivenciando nem dos impactos que ela tem gerado em nossa sociedade

Não ia, mas preciso falar… só um pouco

As baixas taxas de crescimento do país são uma realidade. Um exemplo disso é quando as pessoas passam a consumir menos, diminuindo a demanda em alguns setores produtivos, como o comércio. Vendendo menos, as empresas passam a ter menos lucro e precisam reduzir gastos, sendo uma de suas estratégias o corte de pessoal. Desemprego passa a ser a palavra mais temida por todos.

Porém, você já parou para pensar na possibilidade de a queda nas taxas de emprego ser uma tendência social não necessariamente relacionada a uma crise econômica?

Explicando…

Já em 1999, Domenico de Masi abordou em seu livro “O futuro do trabalho – fadiga e ócio na sociedade pós-industrial” que, com a inserção da tecnologia nas organizações, “é necessário cada vez menos trabalho humano para construir cada vez mais objetos e fornecer cada vez mais serviços”.

 As chamadas TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) entraram nas organizações por volta de 1970, causando uma nova Revolução, chamada Terceira Revolução Industrial, onde a informática, a robótica e as telecomunicações, entre outras tecnologias, possibilitaram rápidos avanços no desenvolvimento dos setores produtivos da sociedade e também a expansão das empresas em níveis globais. Em diversos setores produtivos houve a gradual substituição do homem pelas máquinas.

Então a tendência é que a tecnologia substitua todo trabalho feito pelo homem?

Não é bem assim. Os postos de trabalho não irão acabar. O que tem passado por mudanças e, tendencialmente, passará ainda mais, é o que conhecemos hoje com emprego. A relação do homem com o trabalho vem se transformando ao longo dos anos, adequando-se às mudanças cada vez mais rápidas que acontecem no mundo. Veja, a seguir, algumas tendências para o futuro do trabalho:

 1. Os avanços tecnológicos e a globalização irão possibilitam o trabalho fora dos atuais limites de tempo e espaço, exigindo competências profissionais como autonomia, responsabilidade, automonitoramento, flexibilidade e criatividade. Isso já vem acontecendo atualmente. Conceitos como trabalho remoto, home office e nômades digitais estão cada vez mais presentes no dia-a-dia das pessoas.

2. Sem precisar se deslocar para um local fixo de trabalho, os profissionais ganham tempo livre para o lazer, educação ou até mesmo para desenvolver carreiras paralelas. A reportagem de capa da revista Você S/A de julho de 2013 mostrou o crescente número de pessoas que iniciam uma carreira paralela. Seja para profissionalizar um hobbie, ampliar a renda, ter um plano B para a aposentadoria ou até mesmo focar em uma possível mudança de carreira, cada vez mais pessoas escolhem ter mmais de uma atividade profissional.

3. As novas formas de produção estimulam a contratação por projetos, e não mais por cargos. O tradicional contrato de trabalho por tempo indeterminado dá lugar a diferentes e flexíveis formas de contratação, aumentando o número de profissionais autônomos, microempreendedores e freelancers. Com a descentralização do trabalho, as hierarquias ficam mais flexíveis. Os profissionais são cobrados por produtividade, não mais por carga horária.

Estas são apenas algumas transformações pelas quais já estamos passando e que ainda serão intensificadas nos próximos anos. Como toda mudança, a propensão inicial é de que seja percebida como algo negativo, uma ameaça ao atual modelo social. Porém, tais tendências irão transformar a nossa relação com o trabalho. Ela torna-se mais prazerosa, vira fonte de realização pessoal e proporciona maior qualidade de vida.

 E você? Já pensou em como poderá ser seu trabalho daqui a alguns anos?


Fonte: Artigos Administradores / Seu emprego vai acabar

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