Sindicato, acima da Constituição e das leis?

Sindicato, acima da Constituição e das leis?

“Art. 545. Os empregadores ficam obrigados a descontar, na folha de pagamento dos seus empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados, salvo quanto à contribuição sindical cujo desconto independe dessas formalidades.”

Inicialmente, informo que o conteúdo deste texto não é sobre a contribuição compulsória, que apresenta características de um imposto. Sobre esta cobrança, posso adiantar apenas que a legislação não estabelece efetivamente as formas de acompanhamento e fiscalização do uso desses recursos arrecadados, proporcionando possíveis ocorrências de desvios em sua correta aplicação.

A criação dos sindicatos pode ter trazido algum benefício para os trabalhadores em algum momento, mas sabe-se que muitas coisas mudaram. Mesmo com muita tecnologia melhorando a comunicação entre as pessoas, algo permanece inalterado, o conformismo dos “pagadores de impostos” em ver o dinheiro saindo de suas mãos, reclamando mas não agindo contra as ações ilegais cometida por algumas entidades (sindicatos) que propositalmente ignoram a Constituição Federal e os tribunais brasileiros.

Segundo o Precedente Normativo n. 74 de 08.09.1992 e cancelado em 20.08.1998 (18 anos atrás) o desconto assistencial, cobrado anualmente pelos sindicatos, não é obrigatório.

“74 – Desconto assistencial. “Subordina-se o desconto assistencial sindical à não oposição do trabalhador, manifestada perante a empresa até 10 dias antes do primeiro pagamento reajustado.” (DJ 08.09.1992. Cancelado – Res. 82/1998, DJ 20.08.1998).”

A “lenda urbana” (contada anualmente por alguns sindicatos), diz que é necessário o funcionário de uma empresa, sair do seu ambiente de trabalho, se deslocar até o sindicato, para aí sim assinar documento solicitando que não seja descontado a assistência sindical. Mas, é isto que diz a nossa Constituição Federal. Existe algo acima da Constituição?

A Súmula 342 do TST estabelece que todo desconto para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, seguro de vida, previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, desde que com autorização prévia e por escrito do empregado.

Atente-se para o fato de que, a autorização deve ser para permitir o descontoe não para impedir o desconto (prática comum dos sindicatos).

Está muito claro, mas reforçando oque diz nossa constituição:

“Art. 545. Os empregadores ficam obrigados a descontar, na folha de pagamento dos seus empregados, desde que por eles devidamente autorizados, as contribuições devidas ao sindicato, quando por este notificados, salvo quanto à contribuição sindical cujo desconto independe dessas formalidades.”

Apesar do assunto já ter chegado nos tribunais, alguns sindicatos continuam com as ações irregulares como se nada tivesse acontecido.

“Desse modo, o relator concluiu que houve desrespeito ao artigo 8º, inciso V, da Constituição , que garante a livre associação sindical, e restabeleceu a sentença de origem que havia determinado a devolução ao trabalhador dos descontos efetuados nos salários a título de contribuição confederativa. Essa interpretação foi acompanhada pelos demais integrantes da Sexta Turma.”

Está evidente que alguns sindicatos continuam prejudicando os trabalhadores, forçando uma associação involuntária. Os trabalhadores continuam perdendo estes valores (fazendo falta para sua família) e percebe-se que tudo está sendo deixado de lado, como se nada tivesse ocorrendo.

Outro ponto importante para ser avaliado, é o fato de que, após tomar conhecimento da não obrigatoriedade e irregularidades na cobrança e “regras”, muitos trabalhadores preferem continuar perdendo estes valores para não tratar o assunto em suas empresas, evitando conflitos, já que há casos onde a empresa não quer se “incomodar” com o assunto e desta forma o trabalhador acaba se obrigando a aceitar os descontos para evitar problemas internos.

Finalizo os comentários deixando alguns links com matéria tratando sobre sindicato que desconsidera os fatos acima mencionados e persiste na cobrança, e também matérias informativas sobre a forma de ação de alguns sindicatos:


Fonte: Artigos Administradores / Sindicato, acima da Constituição e das leis?

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