Somos a média das pessoas que nos cercam

Somos a média das pessoas que nos cercam

É uma análise assustadora, mas reveladora.Preste atenção em suas companhias mais constantes. Depois faça uma reflexão sobre seus conceitos, opiniões, receios, etc.

As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos acostumar ao mau cheiro (Provérbio Chinês)

Não vos enganeis. As más companhias corrompem os bons costumes (1Corintios 15,33)

Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos sofre aflição (Provérbios 13,20)

A Bíblia, os provérbios chineses e tantas outras menções populares, confirmam o que nossos pais e avós nos diziam -de uma forma mais didática – quando éramos adolescentes: menino (a), diga-me com quem andas e direi quem tu és.

 No empreendedorismo, na psicologia e na administração, existe a máxima – cunhada pelo brilhante escritor e palestrante americano Jim Rohn –  que afirma o seguinte: nós somos a média das cinco pessoas que mais passamos o tempo.

Todas essas afirmações refletem uma única coisa: somos seres influenciáveis, não importa o quanto cacarejemos que tomamos nossas próprias decisões, seguimos nossos próprios caminhos, traçamos nossos próprios destinos. De uma forma ou de outra, as influencias estão presentes em nossas vidas, mesmo sem percebermos.

E não há nada de errado nisso. É absolutamente natural. O ponto aqui é levantar as seguintes questões: o que você quer para sua vida e com que tipo de pessoas você se acompanha?

Nota: Importante mencionar que o termo tipo de pessoas não é, de forma alguma, discriminatório. Trata-se apenas de uma referência para entender o contexto.

Dito isso, vamos colocar as coisas de um modo prático.

Um exemplo clássico é do sujeito que começa em um novo emprego e entra (como se diz) “cheio de gás”. Quer mostrar serviço, mostrar seu valor. Mais à frente, começa a se associar com alguns funcionários mais antigos. Passam a almoçar juntos, fazer as pausas para o cafezinho e até sair para um happy hour depois do expediente. Nada demais nisso.

O problema é quando esses veteranos são do tipo “tô nem aí”. Vivem reclamando da empresa, do salário, do chefe, fazem mais pausas do que trabalham, atrasam ou faltam constantemente e usam desculpas esfarrapadas para justificar.

Enquanto estão na empresa, esses vampiros de entusiasmo têm uma missão: recrutar bons funcionários para fortalecerem a sua “causa”, sempre com um discurso na base “cola em mim que você vai brilhar”. A amizade é um laço forte, que liga as pessoas de uma maneira poderosa.

Aquele novato, que começou com uma tremenda garra de vencer, vai se adequar aos padrões dos novos companheiros, se não carregar consigo valores bem firmes de profissionalismo e caráter. Isso é absurdamente comum, especialmente entre os menos experientes.

Trata-se de uma modelação que acontece de maneira gradual e sutil. Sem perceber, o sujeito é engolido pelo turbilhão de sanguessugas corporativos.

Lembro que quando era gestor de uma grande empresa e recebia novos funcionários, meu primeiro discurso era de alerta: procurem não se associar às pessoas que não têm interesse em somar. Infelizmente, nem sempre me davam ouvidos.

 Mas não é somente nas empresas que vemos exemplos desta natureza. Nossos amigos, familiares e colegas são mais influentes do que possamos imaginar. Pode bater o pé o quanto quiser. Pouco a pouco, com um comentário aqui, outro acolá, ou mesmo com mensagens diretas, vamos nos deixando dominar pela filosofia, conceitos e valores do meio que convivemos.

Quer ver um exemplo clássico? O nativo dos pampas gaúchos se muda para uma cidade do Nordeste. Um ano depois, ele já está falando com o sotaque local. Ôxente bichin! E vice-versa.

O fato é que o ser humano pertence a uma espécie sujeita a estímulos. Por que você acha que raramente alguém consegue bons resultados quando resolve fazer exercícios físicos em casa, especialmente se está cercada de gente sedentária? E que acontece com esse mesmo individuo quando passa a frequentar uma academia, repleta de pessoas que têm o mesmo objetivo?

Outro exemplo? Muitos calouros de Universidades Federais (principalmente), iniciam o primeiro período cheios de expectativa e motivação para aprender as disciplinas dos cursos que optaram. Alguns meses depois, estão fumando um baseado nos jardins do campus, vestindo uma camiseta do Che Guevara e cantando Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré). Vem, vamos embora, que esperar não é saber.

Não estou questionando se é certo ou errado. É o que é.

O funcionamento deste mecanismo é muito simples de entender.

Se associe a gente preguiçosa que você vai se tornar um sujeito que prefere o apocalipse zumbi a levantar da cama ou sair para dar uma caminhada na esquina.

Se associe aos que cultivam pensamentos de pobreza e escassez e você vai se tornar um sujeito que acha que o mundo é só injustiça, que não existe esperança, oportunidades, etc.

Se associe às pessoas desleixadas, que é possível que em um futuro próximo, você passe a viver em um local semelhante ao lixão municipal.

Por outro lado, experimente se associar a pessoas otimistas, bem sucedidas, disciplinadas, organizadas e você vai notar uma diferença extraordinária nos rumos que sua vida vai tomar.

E antes que alguém questione: é claro que existem exceções. Elas existem para quase tudo na vida, certo O problema é: você se considera uma exceção? Jura?

Nossa mente é tão moldável – para o bom e para o mau – que nem percebemos que caminhos tomamos, até já estarmos naufragados em uma poça de frustração, tristeza e arrependimentos. Ou, no melhor (ou pior) dos casos, estamos cientes sobre as situações que nos metemos, e atribuímos nossas condições à vida (é assim mesmo), ao governo ou ao poder satânico das trevas infernais.

Como driblar essa armadilha? Pode parecer duro demais o que vou dizer aqui, mas a melhor forma de não cair nesta roubada é fugir. Ou melhor dizendo, se afastar de gente que te arrasta para a lama da mediocridade. Entendo que nem sempre é possível um distanciamento físico, quando você divide o mesmo teto, mas existe a alternativa de reforçar o outro lado.

Como assim?

Se existem pessoas próximas, que te estimulam (até sem querer) a pensamentos e comportamentos pouco eficientes, procure companhias que podem te levar a uma condição inversa. Pouco a pouco, é até possível que você passe a influenciar positivamente àqueles que remavam para o lado inverso. Eu, pessoalmente, conheço diversos exemplos.

E se não tiver ninguém próximo? O que eu faço? Bom, neste caso, você pode reduzir suas horas de televisão e mergulhar em livros com conteúdo relevantes e estimulantes. Mas, cá entre nós, duvido muito que não exista em seu meio, alguém que pode te ajudar a crescer. Basta prestar atenção, que você vai encontrar. Nós vemos o que estamos preparados para ver.

Lembre-se sempre de uma frase simples, que utilizei incontáveis vezes para alertar pessoas do meu círculo profissional e pessoal: é muito mais fácil puxar para baixo do que para cima.


Fonte: Artigos Administradores / Somos a média das pessoas que nos cercam

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