Somos vencedores

Somos vencedores

Sim, especialmente as Pessoas com Deficiência no Brasil, podem bater no peito e em alto e bom som e dizer aos quatro ventos: “Somos Vencedores! ”. Por que digo isto? O Brasil tem em seu histórico várias vitórias ao redor do mundo, que pouco são vistas e aplaudidas aqui nessas terras

Sim, especialmente as Pessoas com Deficiência no Brasil, podem bater no peito e em alto e bom som e dizer aos quatro ventos: “Somos Vencedores! ”. Por que digo isto? O Brasil tem em seu histórico várias vitórias ao redor do mundo, que pouco são vistas e aplaudidas aqui nessas terras. Cito um exemplo que está vivo neste momento, que foi o Parapan-americano de 2015 onde o Brasil e em suas últimas 3 edições foi o campeão absoluto, superando inclusive EUA e Canadá. É ou não uma ótima notícia a ser revelada aos quatro cantos? 2016, vamos sediar o maior evento do esporte mundial, as Olimpíadas e Paralimpíadas, onde o Brasil, além de sede dos jogos, figura como uma das potências mundiais do esporte paralímpico.

Nesta última edição, o Brasil, no Pan-americano, ficou em 3º lugar (141 medalhas), atrás dos EUA (265 medalhas) e Canadá (217 medalhas), porém, no Parapan-americano, o Brasil desponta, é formidável, tem como resultado 1º lugar (257 medalhas), Canadá em segundo (168 medalhas) e EUA em terceiro (135 medalhas), só em medalhas de ouro nossos paratletas trouxeram mais que o dobro do segundo lugar, 109 Bra x 50  Can. Qual é o modelo, qual é o segredo para este resultado? Investimentos massivos? Cobertura da mídia? A quantidade de deficientes que o país possui? E o que isto tem a ver com o mundo do trabalho para pessoa com deficiência?

Vamos responder a estas questões, de forma simples e objetiva, como a falta de informação a respeito atrapalha no processo inclusivo na vida social da pessoa com deficiência, e por consequência na sua vida profissional.

Investimentos massivos:

Até 2015, o CPB – Comitê Paralímpico Brasileiro, para financiar parte de suas ações, utiliza como recursos a Lei Piva, lei esta que destina 2% do valor arrecadado com as loterias do Brasil para COB e CPB – Comitê Olímpico Brasileiro. Porém destes valores 85% eram destinados ao COB e 15% ao CPB. Sim, com 15% do orçamento total, brasileiros com deficiência fazem a diferença e trazem a diferença no esporte paralímpico.

Então é a cobertura da mídia? Acredito que não. De cada cem domicílios, 28,42 possuem serviços de TV por assinatura. Ou seja, isto não quer dizer que este grupo de pessoas assiste os esportes paralímpicos quando são transmitidos, há possibilidade em que somente em alguns casos as pessoas possam assistir, vamos supor que 20% tenha interesse, então, 5,68 domicílios que gostam e buscam assistir os Pan-americano, e Parapan-americano. O que quero dizer com isto? Nós somos Vencedores, porém, vencedores ocultos, vencedores que estão a margem da sociedade e quando há uma chamada no jornal, é muito breve onde se fala sobre o quadro de medalhas e muito poucas imagens. Muitas vezes me pergunto, qual é o receio em mostrar um corpo deficiente na mídia? Qual o conceito de perfeição? Pode ser que aos olhos de muitos, o paratleta não seja um corpo perfeito, porém, com suas imperfeições é pleno em sua categoria e temos vários com reconhecimento mundial por ser recordista mundial em suas provas e em número de medalhas.

Somos um país com mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de limitação, assim, pode-se dizer que há uma quantidade bastante significativa para tornar-se paratletas. Pode-se dizer que sim, mas somente este argumento não basta, é preciso vontade e, quem mesmo sem deficiência, tem vontade para depois de um dia intenso de trabalho encarar uma pista, academia ou quadra por mais 4 horas no mínimo de treino pesado para tornar-se um atleta? Vamos lembrar que em primeiro lugar estamos falando de Pessoas, ponto. A pessoa com deficiência além da vontade, precisa checar se em sua comunidade há transporte para que ela possa ir treinar, se ela consegue se deslocar, ir e vir de sua casa até a condução e posteriormente até o local de treinamento, se há profissionais capacitados e com interesse em treiná-lo no esporte paralímpico e por aí vai, somente para elencar alguns impedimentos.

Há por contexto histórico a segregação das pessoas com deficiência, e não só elas, pois podemos citar os negros, mulheres, LGBTs, que moram em comunidades de entorno, mas aqui vamos focar no público PCD e, os avanços em relação a acessibilidade arquitetônica, acessibilidade a educação, acessibilidade ao mundo do trabalho, cultura e saúde são temas ainda muito recentes nas discussões a respeito aos direitos de ir e vir, educação, saúde entre outros. Nossa Constituição Federal é de 1988, a Lei de Cotas de 1991 e a LBI – Lei Brasileira de Inclusão de 2015. Mesmo com 27 anos de Constituição, 24 de Lei de Cotas os avanços que podemos verificar em relação a todas as questões de diversidade, ainda são muito paliativas, acredito que vamos discutir a respeito por longos anos para poder olhar para traz e ter certeza de que há uma cultura inclusiva no pais. É inegável que os jovens nascidos após “Bug do Milênio” nos anos 2000, conseguiram acompanhar suas classes nas escolas e aos 15 anos estão finalizando o ensino médio, junto com seus amigos sem deficiência. Do ponto de vista inclusivo, isto é um grande avanço, pois este jovem inicia sua carreira profissional na mesma idade que seus amigos de classe, o que há de vir neste sentido é que em 10 anos acredito a máxima “Não existem pessoas com deficiência capacitadas no mercado” deve cair por terra. Mas, o que tem isto a ver com transmissão do Parapan-americano? Tudo a ver, pois quando as pessoas veem uma nação de vencedores, dando seu melhor nas pistas, quadras, piscinas, sabe que tem uma nação guerreira, que além de não possuir calçadas bem planejadas onde seu direito básico de ir e vir, com menores recursos como citei acima, conseguem ir além, estar no maior lugar do pódio e com orgulho de ser brasileiro.

É aqui que queria chegar, ao olhar para o deficiente como vencedor, você vê nele, superação, dinamismo, auto estima, garra, determinação e tantas outras qualidades. Porém quando não mostramos isso a sociedade como um todo, o deficiente é sempre visto como deficiente, falho, pequeno, incompleto, enfim, coitadinho. As linhas que trago aqui, visam mostrar um recorte deste recorde de medalhas da delegação brasileira no parapan-americano de 2015.

No universo da empregabilidade, nosso número é pequeno ainda 2% dos trabalhadores formais são PCDS. É um número pequeno ainda, e creio que o fato deste número não aumentar, acredito, é devido justamente pela falta de divulgação de pessoas com deficiência que adquiriram sucesso na vida, seja ela esportiva, seja ela profissional. Ampliar a divulgação do resultado destes vencedores, gera identificação com um público de 23,9% da população brasileira que possui algum tipo de limitação. O simples fato de mostrar cases de sucesso, faz com que outras pessoas, que também possuem limitações similares, busquem ter sucesso de alguma forma, meche com seu comodismo, faz com que mude seu status quo e amplie seus horizontes, mostra que é possível.

E o que isto tudo tem a ver com os Vencedores do Parapan-americano? 

Se nossa sociedade esconde nossos Vencedores, pessoas públicas que estão em busca de seus objetivos esportivos. Como querer, que invisíveis, ou percebidos somente por suas limitações, podem fazer a diferença onde vivem. Vamos cuidar de nossas pessoas! Com e Sem Deficiência!

Pois, Somos Todos Vencedores!

Fontes:

http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalNoticias.do?acao=carregaNoticia&codigo=32513

http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas-com-deficienciareduzido.pdf

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-08/brasil-termina-parapan-em-primeiro-lugar-com-257-medalhas-109-de-ouro

http://brasileconomico.ig.com.br/vida-e-estilo/esporte-clube/2015-07-14/lei-promete-revolucionar-gestao-e-organizacao-do-esporte-paralimpico-no-pais.html


Fonte: Artigos Administradores / Somos vencedores

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