"Startups" que descuidam da relação societária morrem rápido

“Startups” que descuidam da relação societária morrem rápido

– somos um país de empreendedores, mas poucos atentam para a importância de investir na relação societária;
– 70% dos negócios que desaparecem, tem como causa principal, conflitos societários e familiares;
– cuidar da relação como sócio é vital para o sucesso do negócio;
– reúna regularmente para tratar do assunto e estabeleça um protocolo com direitos e deveres.

Uma das causas que tem elevado o rápido índice de mortalidade das “starups”, criadas por mais de um empreendedor, é o descaso que os mesmos atribuem as questões relacionadas ao vínculo societário. 

Em geral, muito concentrados desde o início nas questões da gestão administrativa e financeira do curto prazo, – o que faz bastante sentido evidentemente – os empreendedores terminam não se preocupando com o relacionamento societário. Vínculo esse essencial, e determinante, para obter sucesso no longo prazo, além da continuidade do próprio empreendimento. 

O assunto também não tem merecido a devida atenção tanto da literatura administrativa como do próprio mundo acadêmico. Desde que lancei meu primeiro livro sobre o assunto – “O sócio feliz – como ser, ter e manter um sócio” – no ano de 1999, que agora estou revisando para nova edição, nada apareceu que pudesse provocar ou orientar empreendedores que constroem starups em conjunto com outros.

Um dos primeiros pontos que deve ser considerado, quando se constitui uma sociedade, é a análise da sua própria origem.

O que leva duas ou mais pessoas a se unirem em uma sociedade no mundo dos negócios? 

A resposta à esta pergunta têm muitas alternativas:

Um motivo bastante comum é aquele que se  origina no conceito da complementaridade. É constituído por pessoas com habilidades e conhecimentos distintos, e que percebem na sinergia dos mesmos suas forças e capacidades.

Outros se juntam em função de uma forte e prolongada amizade que gerou cumplicidade e confiança mútuas. Alguns pela identificação de interesses e princípios comuns. 

Um casal pode ainda considerar que criar um vínculo societário pode se tornar uma positiva extensão do seu relacionamento conjugal.

Herdeiros criam um vínculo societário na medida em que recebem um patrimônio ou negócio, atrelado aos direitos e obrigações de uma herança.

Desempregados ou aposentados consideram algumas vezes que uma prolongada convivência na empresa, e o espírito de solidariedade os uniu.

 Outros ainda podem buscar um parceiro pelo temor, ou falta de coragem, para iniciar algo sozinho. Além daqueles que acreditam que juntos podem ganhar muito mais e se mostram dispostos a dividir um “bolo possível”. 

Enfim, as razões que levam as pessoas a se juntarem podem emergir de distintas formas e aspirações. E, embora não esteja neste motivo a principal razão de muitos fracassos, é vital ter clareza dos mesmos para facilitar a administração das primeiras  dificuldades.

 Vejamos então alguns cuidados indispensáveis para avaliar e manter uma sociedade:

 – Invista tempo em discutir a relação societária com a mesma periodicidade que analisa o negócio, resultados e estratégias;

– Tenha clareza de que o modelo e razões que deram início a sociedade não vão durar para sempre. Em algum momento eles se esgotam e exigem a busca de novas formas para manter e dar sentido à relação;

– Assimile, realisticamente, a afirmativa do fundador da Bom-Bril de que “quem tem sócio não é “dono”, mas tem “patrão” e precisa aprender a dar satisfação”;

– Fixe, de comum acordo, questões como carga de trabalho, dedicação de tempo, divisão das tarefas, grau de risco que cada um está disposto a correr, retiradas, investimentos, liderança, estrutura de governança e gestão, etc.

– Considere que uma das maneiras para manter viva e saudável a união é ter clareza sobre as formas como se pode sair ou terminar a sociedade, sem um processo litigioso. E isto deve ser estabelecido, de comum acordo, logo no início. Jamais na hora em que surja um conflito. Uma boa forma para permanecer juntos é ter clareza, desde o início, de como se pode sair ou terminar uma sociedade. Sem brigas.

– Mantenha diálogos constantes sobre as possíveis diferenças que possam surgir entre os interesses individuais e as necessidades ou prioridades do coletivo.

 Enfim, não exige nenhuma receita mágica para permanecer juntos. O que ajuda é tão singelo como manter permanente diálogo, transparência e cumplicidade.

Como dizia o poeta Vinícius de Moraes em relação ao amor…”que seja eterno enquanto dure”.

  


Fonte: Artigos Administradores / “Startups” que descuidam da relação societária morrem rápido

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