Sua empresa sabe sambar?

Sua empresa sabe sambar?

Acabamos de passar pela época do carnaval que é um dos eventos de maior participação popular do nosso país. Além de toda a magia que fica evidente na grande maioria das pessoas, este ano tive um delírio em relação a uma das maiores atividades deste feriado.

O carnaval nos traz grandes apresentações e uma delas, é a performance que as nossas queridas Escolas de Samba desempenham nas avenidas. Levando em consideração que o local mais famoso desta atividade é o Rio de Janeiro e que as escolas de lá são as mais famosas, escolhi uma parte de uma das noites que ocorrem os desfiles para admirar tudo o que ali aconteceu.

No meio desta minha observação comecei a traçar uma viagem mental, que gostaria de compartilhar contigo, por acreditar que existem ensinamentos embutidos dentro desta comparação básica. Preciso para isso, que você aceite e entenda que estamos falando do mesmo povo, ou seja, nos brasileiros. Também preciso que você dê asas a sua imaginação para acompanhar meu raciocínio até o final, sem colocar muitos julgamentos até a ultima palavra…. espero que você entre no clima.

” E lá vem a escola …..

Primeiramente, o que chama a atenção de todos é um grito que se dá no meio de um nada, que rompe a atmosfera de ansiedade de muitas pessoas que estão atentas para tudo o que vai ocorrer ali, ou pelo menos que eles esperam que vá acontecer. Junto com este grito solitário temos imediatamente uma sonoridade discreta de alguns instrumentos e um punhado de voz que começam a acompanhar a primeira que se manifestou, como se estivessem apoiando o esforço inicial.

O mais estranho neste momento é olharmos para o que está acontecendo, e independente do entusiasmo destas pessoas que emitem seus sons, tudo esta vazio aos nossos olhos, não existe movimento, não existe ninguém que demonstre o motivo de toda esta energia.

E mesmo sem ninguém, surge nas palavras dos “oradores” uma palavra de ordem convocando toda a maravilhosa nação….. desculpa mas, onde é que estão?

De repente, eis que surgem algumas pessoas se esforçando para ocupar parte do espaço, eles fazem de tudo para chamar a atenção do público e sem esperar qualquer reação que digam a eles que estão indo bem, demonstram em seus rostos um sorriso de satisfação e orgulho invejáveis.

Fazem coisas extraordinárias, com acertos e erros, mantendo uma rotina e cadência que nitidamente se preocupa em fazer a atual performance muito melhor do que acabou de tentar fazer, e repete isso sucessivamente até desaparecerem.

Atras deles, vem um monte de outras pessoas acompanhada de um carro de dimensões suntuosas levando em consideração o tamanho do espaço e as pessoas que estão ao seu redor. É fácil reparar que tudo o que existe no carro foi feito com um carinho preciso, com uma dedicação impar, com um empenho de quem faz uma obra prima.

Sua passagem da a abertura para uma serie de outros fenômenos idênticos, ou seja, mais e mais pessoas passam depois dele, depois das pessoas mais um carro, depois do carro mais pessoas e tudo feito com este esmero e cuidado.

Além disso, podemos também verificar quantas pessoas fazem parte do todo, cumprem sua função sem se destacar em nada, no entanto, dá também para imaginar como seria estranho sem elas. Estas pessoas muitas vezes fazem parte minima da composição de um desses carros, que mesmo sem serem destaques em nada, se esforçam de maneira exemplar para que o contexto seja maravilhoso aos olhos de quem enxerga…… em troca de que? Inexplicável……

Como um buraco no meio de todas essas pessoas, surgem duas delas, um par, equipados com roupas dignas de uma rainha medieval e de seu mais belo nobre, com todo o espaço reservado para eles, então quando pensamos que vai haver um verdadeiro momento de individualidade, percebemos que este casal tem como seu principal objetivo dar o destaque máximo ao símbolo que esta estampado em sua bandeira. Fazem um verdadeiro bailado, que foi ensaiado até a exaustão para que a Marca fique impecavelmente presente aos olhos do público.

Muitas coisas podem dar errado num aglomerado de pessoas que parecem energizados, ainda mais, quando surge no meio de tudo isso um pessoal fazendo um barulho ensurdecedor, provocando que as pessoas não consigam se comunicar corretamente, tirando qualquer possibilidade de uma instrução detalhada de como proceder. Além do ruído mencionado, temos que contar que neste momento o excesso de energia e adrenalina das pessoas pode com facilidade contribuir para a perda da concentração e desviar a atenção e objetivo individual dos envolvidos.

Assim vamos percebendo o andar de todas aquelas pessoas que mesmo sendo comandadas de  uma maneira até grosseira pelas pessoas que estão coordenando a sua passagem, continuam sorrindo e cantando, defendendo a sua nação e a sua bandeira.

A grosseria mencionada não fere ninguém, afinal, todos sabem desde o grito inicial, que havia uma meta de tempo a ser cumprida, que caso uma pessoa não faça o trabalho dela corretamente, todos serão punidos por aqueles que os julgam, havendo esta consciência quem é que se importa com a exaltação do responsável pelo bom andamento de tudo para que seja conquistado o objetivo final.

E como num passe de mágica, todos passam e cumprem aquilo que tinham se preparado para fazer. Entregando o resultado. Dão o seu melhor. Comemoram a conquista de terem chegado a tempo. Se abraçam como se fossem campeões mesmo sabendo que apesar de tanto esforço, eles podem não ser os ganhadores por ínfimos detalhes.

O que importa mesmo…. é o que eles conseguiram realizar, e por terem realizado surge no seu coração um grande orgulho de fazer parte de tudo isso.

E com um gesto singelo, aquele que deu o grito inicial, simplesmente agradece, sem prêmios nem promessas, simplesmente agradece o empenho e a garra que todos demonstraram em todos os momentos.

Valeu minha nação……”

Te convido agora, para reler o texto e tentar traçar um paralelo, um comparativo de como seria simplesmente fantástico conseguir que as pessoas envolvidas no dia a dia das empresas tivessem essa vontade e este sentimento. Que o comportamento dos componentes de onde trabalhamos fosse pelo menos similar aos que pertencem a um movimento deste.

Possível?

Eu acredito que sim.

Nessas horas o que cabe pensarmos? Sem tentar descobrir quem esta fora do passo, quem esta fora do ritmo, que tal começarmos a pensar  que atitudes podemos começar a praticar para que a minha empresa seja a CAMPEÃ?

O primeiro pensamento a ser afastado é o de que você não tem nada com isso, talvez posteriormente surja um segundo pensamento te fazendo ir na linha de que sozinho eu não consigo fazer nada.

Neste momento, que tal chamar alguns que compartilhem de suas idéias e começar dando o seu grito…….. vai saber como será o resto do desfile!!!!

Abraço


Fonte: Artigos Administradores / Sua empresa sabe sambar?

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