Tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada: é isso mesmo?

Tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada: é isso mesmo?

Um modo diferente de interpretar a sentença “tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada”. Entendemos que é possível ter orgulho do que fizemos e, mesmo assim, ser crítico com suas ações e em determinadas situações, mudar.

Não é difícil se envolver numa conversa em que a seguinte sentença é proferida: “Se você pudesse mudar alguma coisa na sua vida, você mudaria?” ou, em variações em torno do mesmo tema, “se você pudesse mudar suas decisões, você mudaria?”.

Bem, penso que nesta questão tem dois pontos fundamentais: O passado e o presente!

O primeiro – o passado – se apresenta como condição de possibilidade do hoje, de modo tal que muitos dizem que não mudariam nada pois as ações realizadas no passado culminaram no que somos hoje. Não há dúvidas disso! Somos o resultado de nossas ações, da sociedade, do contexto sócio-histórico em que vivemos e, deste modo, tomados decisões que acabam por formar quem somos!

Outros dizem que não mudariam nada pois não se arrependem do que fizeram! Não querem repensar pois não se arrependem dos filhos que tem, das realizações, da profissão e de tudo o que conquistaram.

Parece, então, que o passado fica blindado e que remexer não é bom, é arriscado e inútil.

A questão que quero propor é outra: Se nossos dias são folhas em branco, posso recorrer aos rabiscos de minha passagem como forma de melhorar meu futuro a partir do presente!

Perceba uma coisa, acumulamos ao longo de nossa vida um repertório de experiências que vão formando quem somos e, deste modo, quando olhamos para o passado não somos as mesmas pessoas que implementaram as ações. Não há recuperação/resgate do passado mas apenas reinterpretação! Quando penso no que diz quando tinha 15 anos não me arrependo… fiz o que eu “era” naquele tempo. A questão é que hoje não tenho 15 anos e olhando a mesma situação faria diferente. Do contrário eu não mudei (fiquei preso nas experiências dos 15 anos) ou o contexto sócio-histórico que eu vivi aos 15 anos ainda se reproduz hoje! Convenhamos, condição pouco provável.

Quero dizer com isso que me arrependo? NÃO! Quero dizer que muitas coisas faria diferente, outras não! Ter orgulho do passado não quer dizer torná-lo intocável, embora não se possa mudar o que já foi feito! Contudo, se pudéssemos mudar o passado assim o faríamos mas com a cabeça de hoje! Isso é ruim?

Penso que não.

Aprender, em certa medida, é repensar criticamente o passado olhando para o futuro, numa condição fincada no presente. Por isso, considerar que seria possível mudar algo no passado não quer dizer se arrepender do que fez, mas que faria melhor se naquele tempo já tivesse acumulado a experiência de agora. Isso, em última análise, acolhe o entendimento de Heráclito, de que após um banho de rio nem o homem nem o rio são os mesmos.

Nas organizações ocorre algo semelhante… reviver o passado no presente é contribuir para que suas ações no hoje contribuam para o atingimento dos atuais objetivos.

Além disso, será que você está hoje onde gostaria de estar? Cuidado! Não estou querendo dizer que onde você está é ruim, mas é onde gostaria de estar? Se sua resposta for NÃO implica que você fez algo no passado que NÃO culminou no atingimento de seus objetivos! E a culpa foi só sua!

Por isso, afaste a justificativa “tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada” quando olhar para seu passado. Olhe com respeito para o que fez, mas não com reverência! Você mudou, as situações mudaram você e por que não aceitar isso?


Fonte: Artigos Administradores / Tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada: é isso mesmo?

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