Teorias da liderança: foco no líder e no contexto

Teorias da liderança: foco no líder e no contexto

Liderar pressupõe um comportamento individual dirigido a fazer com que outrem execute aquilo que foi proposto.

Liderar tem a ver com a própria essência do ser humano. Sendo assim, dada a complexidade deste último, conceituar liderança não é algo fácil, embora algumas teorias tenham se aventurado em tal empreitada, levando a cabo hipóteses confluentes.

De forma inicial, liderar pressupõe um comportamento individual dirigido a fazer com que outrem execute aquilo que foi proposto (Hemphill & Coons, 1957). Por outro matiz, acredita-se que a liderança passa pela capacidade dos seres humanos em influenciar outras pessoas por meio da comunicação assertiva, logo, uma interação interpessoal (Tannenbaum, Weschler & Massarik, 1961; Jacobs, 1970). Resumidamente, o processo de liderança é balizado por dois pilares: está ligado a um fenômeno grupal e trata-se de um processo de influência intencional perante os liderados (Bergamini, 1994).  

A partir desses conceitos iniciais, elencam-se a seguir teorias da liderança vistas através de dois enfoques distintos: Teorias da liderança com foco no líder e teorias da liderança com enfoques situacionais.

Foco no Líder

Essa primeira abordagem sobre liderança centra-se na definição de líder e na procura das qualidades comuns a todos os líderes. Destacam-se aqui duas teorias: a teoria dos Grandes Homens e a teoria dos Traços.

Teoria do Grande Homem – Concebe a ideia de líder nato. Para essa teoria, acredita-se que há super-homens destinados a exercer profunda influência perante os demais. Tal conceito pode ser encontrado na fala de Bennis (2001), o qual afirma que as habilidades de liderança são inatas, ou seja, o homem já nasce com essa condição, sendo poucos os escolhidos para exercer seu papel de líder.

Teoria dos Traços – Semelhante à teoria do Grande Homem, esse conceito de liderança defende a tese de que a posse de certos traços pessoais permitiria a certos homens acesso ao poder. Para a Teoria dos Traços, era possível encontrar características universais nos líderes que os distinguiam dos não-líderes. Bryman (1992) lista três grandes de traços abordados pela literatura: fatores físicos, habilidades características e aspectos de personalidade. Segundo os defensores dessa teoria, o importante era eleger quais atributos melhor definiriam a personalidade do líder. Esse enfoque foi predominante até a década de quarenta, capitaneado por estudos desenvolvidos na seara da Psicologia. A partir da revisão de tais estudos, foi possível elencar 34 traços de personalidade considerados pertinentes ao líder: sociabilidade, inteligência interpessoal, auto-confiança, ascendência e domínio, fluência verbal, equilíbrio emocional, responsabilidade, etc. (Bergamini,1994).

Embora as teorias citadas acima (Grande Homem e Teoria dos Traços) tenham sido refutadas posteriormente, ainda assim encontram-se muito difundidas no senso comum. Para contradizê-las, pesquisas subsequentes mostraram que as teorias focadas no líder não levaram em conta a natureza dinâmica das relações humanas, tampouco consideraram os fatores situacionais ao definir liderança.   

 Enfoques situacionais

As teorias de enfoques situacionais exploram as variáveis que cercam o processo de liderança, sendo esses, portanto, enfoques mais abrangentes do que os vistos anteriormente. Levando em consideração o contexto situacional, a personalidade do líder é apenas um dos fatores que determina o desempenho dentro de um determinado grupo, não sendo condição sine qua non a efetividade desse mesmo líder no comando de outros grupos de trabalho, sob outras condições Fiedler (1967).

Teoria das Trocas – Respaldada por Hollander (1964), a Teoria das Trocas busca encontrar o equilíbrio entre líder e liderado. Nesta teoria, o surgimento de um líder sai da esfera do seu tipo de personalidade unicamente e leva em conta as normas compartilhadas pelos grupos. São esses valores grupais que irão destacar a importância de certas características do líder. Para Hollander, o grau de liderança de alguns está relacionado à escala de facilitação do atendimento dos objetivos almejados pelo grupo liderado. Por esse aspecto, o papel desempenhado pelos subordinados no processo de liderança tornou-se estratégico na formação do vínculo gerado entre líder e liderado, ou seja, a percepção que os liderados possuem da figura do líder (Bergamini, 1994).

  • Abordagem situacional de Liderança – Essa abordagem defende a ideia de que a situação faz surgir o líder necessário e conveniente, ou seja, os grupos escolheriam o líder ou líderes segundo a conveniência destes. Por outro lado, a teoria situacional afirma que o líder hábil pode se adaptar e se antecipar às necessidades dos elementos do grupo. Pelo matiz situacional, a liderança é vista como um fenômeno social que ocorre exclusivamente em grupos sociais, consubstanciada no indivíduo (personalidade, caráter, capacidade de realização), no grupo (estrutura das inter-relações individuais no grupo, atitudes, necessidades) e na situação (exigência das situações, objetivos, ambiente).

Teoria Contingencial ou do Comportamento – Teoria elaborada por Fiedler a qual distingue a existência de dois tipos básicos de estilos de líder: aquele que pode ser considerado como orientado para a tarefa e  aquele  que é orientado para relacionamento. A partir dos estudos contingenciais – meados do século XX – a liderança começou a ser vista como um processo derivado da relação existente entre o líder e outras pessoas do grupo. Logo, são desconsiderados certos traços que contribuem para o sucesso virtual dos líderes e enaltecida sua capacidade em adequar os comportamentos às exigências das diversas situações. O mais relevante nessa teoria é a premissa de que é preciso lançar mão tanto da situação em que se encontram os grupos quanto dos aspectos pessoais do líder ao analisar sua liderança, pois o desempenho organizacional está atrelado não somente ao estilo do líder, mas também aos fatores influenciadores sobre ele (Fiedler, 1967).

  • Teoria Caminho-Objetivo (Path-Goal) – Para essa teoria, pouco conhecida no Brasil, mas valorizada nos Estados Unidos, Canadá e Europa, ressalta-se o liderado como um reduto motivacional dentro do processo da liderança. Segundo Smith, P. B. & Peterson, M. F.(1989)

“A teoria do Caminho-Objetivo muito claramente deriva das teorias que se baseiam na expectância, que se tornaram populares no campo do comportamento organizacional nos anos 60 (por exemplo, Vroom, 1964). Na sua essência, ela propõe que os subordinados farão aquilo que desejarem os líderes, caso eles façam duas coisas. Primeiro, devem assegurar que os subordinados compreendam como atingir os objetivos do líder. Segundo, esses líderes devem prever que os subordinados cheguem aos seus objetivos pessoais nesse processo (House, 1971). A tarefa do líder é, então, diagnosticar a função do ambiente e selecionar aqueles comportamentos que assegurarão que os subordinados estejam motivados ao máximo no sentido dos objetivos organizacionais”

Seguindo essa linha de raciocínio, os subordinados se sentirão tanto motivados quanto forem atendidas suas expectativas, a partir do comportamento do líder.

Fica claro, portanto, que não há como descrever comportamentos dos líderes a partir de uma escala de melhor ou pior comportamento. Também não se pode conceituar liderança baseando-se em graus de eficácia, tampouco desprezando variáveis situacionais ou ambientais que têm peso suficiente para determinar condições que favoreçam este ou aquele estilo de liderança. Porém, líderes diferentes atingem sua eficácia de maneiras particulares e em situações também especiais.


Fonte: Artigos Administradores / Teorias da liderança: foco no líder e no contexto

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