Treinamento Experiencial. Uma via cada vez mais atual para o desenvolvimento de pessoas.

Treinamento Experiencial. Uma via cada vez mais atual para o desenvolvimento de pessoas.

O Treinamento Experiencial (T-EXE) não é uma novidade tecnológica e nem uma metodologia desconhecida, mas surpreende como seu potencial é cada vez maior quando o desafio competitivo das empresas e mercados exige pessoas mais autônomas, conscientes e capazes de se relacionar com qualidade com os outros e consigo mesmas.

Treinamento Experiencial. Uma via cada vez mais atual para o desenvolvimento de pessoas.

(Dagoberto Dalsasso)

 

Ao se abordar a educação de adultos (andragogia), faz-se necessária reflexão e breve aprofundamento sobre a importância, dentre os modelos disponíveis, da Educação Experiencial (EXE) e, dentro desta, do Treinamento Experiencial (T-EXE). Evidentemente, a alcunha EXE, tão adaptável à modernidade e ao mundo dos “softwares executáveis”, portanto dos aplicativos, cabe muito bem ao conceito experiencial de ganhos de aptidão para a realização, para a execução de atividades profissionais e empresariais com eficácia e eficiência. Tão importante para as pessoas corporativas do front e, em especial, para as que ocupam funções de liderança, que precisam ir muito além do simples “fazer” ou “programar-se para o fazer”, a capacidade da efetividade exige motivação e prontidão mental (perceptiva) para captar os sinais do ambiente e, com criatividade e inovação, predispor-se à mudança, ao novo, à transformação, à ação e ao desenvolvimento de novas capacidades e competências. Assim, ao se falar em treinamento comportamental, vivencial ou mesmo experiencial, devemos ir para a profundidade humana, no nível da análise comportamental e atitudinal, e entender um pouco melhor como os elementos de formação de um novo contexto, de um conjunto de diretivas de mudança, de necessidades e demandas emergentes, de processos mínimos requeridos e de desejos (aspirações) por resultados superiores pode mobilizar, desmobilizar ou mesmo manter apáticas as pessoas diante do seu “novo mundo em movimento”. E tudo o que uma empresa moderna não necessita é da apatia das suas lideranças.

{A MOTIVAÇÃO É A DINÂMICA INTERIOR QUE SOBREPÕE MOVIMENTO À APATIA E À INÉRCIA HUMANAS}

Se, de forma natural (não escamoteada pelo poder mental concreto e pela grande capacidade de representação social do ego, tão comum nos escritórios, nas salas de aula e em outros “ambientes controláveis”) pudermos, através dos programas de treinamento experiencial, mergulhar conscientemente as pessoas na matriz dos comportamentos e propiciar a revelação e a reflexão, sob medida, em relação ao revelado pelas suas atitudes e comportamentos materializados na ação, no ambiente de treinamento, teremos aí grandes ganhos de qualidade de vida e de significativos avanços pessoais e profissionais para o adulto, enfim para as lideranças, em treinamento. Vale aqui uma pausa para indicar que precisamos alargar o etmo primário da palavra treinamento. Mais que arrastar e puxar, do seu original latino em “trehere”, o treinamento profissional experiencial é ferramenta-chave para, acima de tudo, alargar fronteiras mentais e emocionais, motivar e desenvolver pessoas, indo além da simples geração e compartilhamento de um motivo aparente (aparentemente imposto de fora para dentro). O verdadeiro T-EXE sempre vai na direção de gerar sentido interior para esse motivo e ajudar o líder treinando a assimilar, sem reatividade inconsciente, a causa da causa e o foco da motivação esperada e, com ela, “fazer paz e amor consigo mesmo diante do mundo movente”. Ou seja, em ambiente seguro, o treinando é convidado a autoconhecer-se no mundo, perceber-se diante do contexto organizacional desenhado, do grupo em que atua, dos processos em curso e dos resultados obtidos (contrapondo-os aos a serem obtidos), tanto no ambiente de treinamento quanto na atividade profissional. Compartilhando elementos da sua essência e jeito de ser, das suas experiências, o líder, ou mesmo o colaborador sem função de liderança, ajuda com suas especificidades a construir a identidade do grupo por meio da integração da ação com a reflexão (práxis). A essência da abordagem dos programas de treinamento experiencial visa, então, a permitir que o “treinando”, melhor seria dizer o “experienciador”, atinja o nível desejado de autoconhecimento e a percepção da orientação necessária/esperada, permitindo-se, assim, à abertura ao desenvolvimento de novas bases cognitivas, atitudinais, comportamentais, mentais, mas neste nível da experiência, sobretudo das emocionais. Saibamos que aquilo que verdadeiramente nos move, o que nos mobiliza e o que nos motiva à ação (motivação), como humanos, é a emoção. A mente pensante baliza e dá contornos seguros à ação, mas é a emoção (ex-movere) que nos movimenta e nos faz sair do lugar confortável (ou desconfortável) em que nos encontramos (e vencer a acomodação).

O treinamento experiencial, dentro da andragogia EXE, deve sempre levar em conta, primeiro o contexto (as pessoas, os desafios, a realidade intrínseca e extrínseca, o ambiente, os elementos referenciadores de comportamentos e tantos outros detalhes que desenham um tempo e lugar específicos relacionado aos objetivos do treinamento), depois precisa construir um conjunto de processos harmônicos, complementares, sinérgicos e transformadores para propiciar a autopercepção e o desenvolvimento das pessoas, individual e grupalmente, afinal o crescimento experiencial do adulto (do líder) é igual ao amadurecimento qualitativo deste nas relações.

{DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS = AMADURECIMENTO QUALITATIVO NAS RELAÇÕES}

E, finalmente, quando se trata de treinamento corporativo (organizacional/empresarial) faz-se necessário levar em conta que há um patrocinador a espera de resultados verdadeiros e aplicáveis, nem sempre como um fim em si mesmo, mas principalmente como meio de conquistas sustentáveis de novas capacidades para geração de resultados humanos superiores no presente e no futuro de médio e longo prazos da organização.

Assim, ao desenrolar-se um processo de aprendizagem experiencial, devemos ficar atentos aos elementos de autoestima, às forças e fraquezas pessoais e grupais, aos elementos éticos e às virtudes, aos graus de dispersão e ansiedade, ao uso do tempo (que é fundamental, visto que é o único recurso verdadeiramente não renovável), ao grau de reatividade, ao temor e à apatia, enfim, a todo um conjunto basal preexistente de “formação” (molde) do humano, enquanto agente e paciente, pessoal e social, inserido em uma realidade organizacional. Nesse processo relacional do “eu-comigo e do eu-com o outro”, do “outro-comigo e do outro-com os outros”, de agentes e pacientes, da introversão e da extroversão e de tantas outras polaridades que exigem mediação consciente, construímos, no momento do treinamento, espaços saudáveis para descobertas, significações, encontros e enfrentamentos construtivos, inclusive nos conflitos e, sobretudo, naqueles velados.

{EXPERIENCIAL = AÇÃO + REFLEXÃO + SABEDORIA + COMPREENSÃO + CONHECIMENTO = INPUT PARA A CONSCIÊNCIA}

A riqueza do treinamento experiencial bem embasado, quando é mais do que a realização de dinâmicas indoor ou outdoor divertidas e focadas em si mesmas, ou seja, quando prevê o mergulho coerente na profundidade necessária, que amarra com inteligência os resultados esperados à compreensão do contexto, processo e desempenho obtido, traz grande agregação de valor, não só ao treinando, mas a todo o seu conjunto relacional nos diversos ambientes de convivência, em especial no trabalho. Por isso, fico muito feliz ao afirmar que: o treinamento experiencial, que não é nenhum “jovenzinho metodológico” e nem uma novidade tecnológica na praça, é uma via cada vez mais atual para se obter resultados humanos e corporativos muito consistentes e expressivos.


Fonte: Artigos Administradores / Treinamento Experiencial. Uma via cada vez mais atual para o desenvolvimento de pessoas.

Os comentários estão fechados.