Triste cotidiano de uma cidade olímpica

Triste cotidiano de uma cidade olímpica

O Rio de Janeiro precisa de mais desenvolvimento econômico-social e paz, e não de pirotecnia olímpica ou de gângsteres dominando e oprimindo a população local.

Faltando menos de três meses para as Olimpíadas, a cidade do Rio de Janeiro não para de surpreender com suas mazelas. Apesar de suas belezas naturais e do grande “esforço paisagístico e midiático” para vender ao mundo que aqui é o paraíso na Terra, problemas como saúde e educação públicas precárias, imobilidade urbana e a crescente onda de violência têm dito mais ao mundo sobre a capital fluminense do que paisagens e campanhas publicitárias.

 

O caso mais recente de mazela carioca que tomou conta do noticiário nacional foi o da violência praticada por 33 traficantes a uma jovem de 16 anos. Não obstante a covardia praticada, o ato violento foi filmado por um desses elementos e divulgado nas redes sociais.

 

Sem demagogia política ou discursos providos de argumentos de natureza sociológica para florear a questão da violência, já passou da hora de o Poder Público lidar com organizações criminosas como PCC, Comando Vermelho, Terceiro Comando, milícias, dentre outras, com o devido rigor da lei. Afinal de contas, é inadmissível que milhões de pessoas sejam oprimidas diariamente pelo terror empreendido por essas organizações que, em muitos casos, valem-se do vazio legal de atuação estatal e da corrupção de agentes públicos para operarem negócios, no morro e no asfalto, que vão do tráfico de drogas e de armas até a oferta de TV a cabo e transporte alternativo.

 

Portanto, há que se discutir um conjunto de medidas coordenadas para acabar com esse mal que beneficia alguns milhares em detrimento de toda a sociedade brasileira, com ênfase para:

 

  1. Aumento da pena máxima vigente no Brasil, atualmente de 30 anos;
  2. Ampliação das penas aplicáveis aos crimes que tenham correlação com a corrupção de agentes públicos e a associação com organizações criminosas;
  3. Discutir de maneira ampla, isenta e criteriosa, observado o propósito de ressocialização do detento, a questão da maioridade penal;
  4. Fazer com que o preso, de fato, passe por um processo de ressocialização, recebendo qualificação profissional adequada e executando atividades dentro dos presídios que “retornem” os gastos que a sociedade tem com ele, como a reforma e conservação dos próprios presídios, consertos e reparos de veículos públicos e produção de itens de consumo e bens de interesse do Poder Público, como mesas, cadeiras, armários, etc.;
  5. Ações integradas das forças de segurança pública e das Forças Armadas para ocupar as comunidades onde essas organizações criminosas operam, prender os envolvidos, apreender os recursos utilizados nas atividades criminosas e remeter tudo para estados diversos do de origem, evitando, dessa forma, que essas pessoas e recursos voltem para as comunidades locais;
  6. Ampliar e enrijecer o controle das fronteiras marítimas e terrestres do país;
  7. Unificar as polícias civis e militares, otimizando, assim, os resultados da atividade policial pela sinergia resultante da conjugação das atividades de inteligência, investigação e patrulhamento; e
  8. Preventivamente, estruturar e qualificar adequadamente os sistemas públicos de saúde, educação e transportes, combinados com políticas públicas de incentivo à cultura, ao lazer e aos esportes, a fim de que as organizações criminosas não disponham de novos contingentes de marginais. Afinal de contas, é com educação de qualidade, ações de bem-estar sociocultural e de estímulo ao emprego e à geração de renda que o Poder Público evita que um cidadão de hoje se torne o criminoso de amanhã.

 

O Rio de Janeiro precisa de mais desenvolvimento econômico-social e paz, e não de pirotecnia olímpica ou de gângsteres dominando e oprimindo a população local.

 

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!


Fonte: Artigos Administradores / Triste cotidiano de uma cidade olímpica

Os comentários estão fechados.