Um breve olhar ao transportes marítimos

Um breve olhar ao transportes marítimos

Nunca houve uma sociedade tão dependente das trocas comerciais como aquela em que vivemos hoje. Consumimos de tudo, e tudo vem de vários sítios diferentes. De todo o lado, aliás. Nos dias de hoje, é costume ver grandes navios que trazem dos países pobres matéria-prima e, na viagem de regresso, levam o produto final.

Nunca houve uma sociedade tão dependente das trocas comerciais como aquela em que vivemos hoje. Consumimos de tudo, e tudo vem de vários sítios diferentes. De todo o lado, aliás. Nos dias de hoje, é costume ver grandes navios que trazem dos países pobres matéria-prima e, na viagem de regresso, levam o produto final.

Surge, então, um problema: como transportar grandes quantidades de carga, de um ponto a outro, mantendo o seu baixo custo e de maneira rápida? A resposta a esta questão reside na superfície dos Mares do Mundo, detentores de cerca de 70% da superfície terrestre, e nos grandes navios mercantes que a atravessam.

Desde tempos longínquos que o Homem se apercebeu das potencialidades do mar. Os primeiros navios, no verdadeiro sentido da palavra, datam de 5 000 a.C. e em 2 000 a.C. surgiu a galera, um tipo de navio que ajudaria civilizações a dominar o Mediterrâneo.

Apesar de serem navios à vela ou de remos, grandes feitos foram conseguidos com estes navios primitivos. As coggas, navios construídos no Norte Europeu, conseguiram atravessar o Atlântico Norte, cruzar mares gelados e chegaram inclusivamente ao Mediterrâneo [convém lembrar tratar-se do centro do comércio mundial à data]. Houve, durante séculos, uma evolução destes navios, traduzida numa enorme variedade de desenhos, tamanhos e fins. Contudo, uma época na História Humana ficaria marcada, entre outras coisas, por não ter trazido grandes desenvolvimentos ao mundo náutico: a Idade Média. Durante este período de aproximadamente 1 000 anos, poucas e pequenas evoluções houve, tais como o advento do cesto de gávea [séc. XIII] ou os castelos de proa e popa, ambos os exemplos desenvolvidos no decorrer do esforço militar.

Já os séculos posteriores trouxeram grandes avanços. O século XV marcou o desenvolvimento dos navios de três e quatro mastros e o considerável aumento das dimensões dos castelos. Os séculos XVIII e XIX dão ao veleiro as formas perfeitas e mastros maiores, com maior superfície de vela. Nesta altura, constroem-se navios de madeira com mais de 2 000 TAB e velocidades consideráveis. Marcam, também, o aparecimento dos Clippers, navios muito velozes desenvolvidos para o transporte do chá da China para a Europa em três meses. O mais famoso destes navios é o Cutty Sark, lançado à água a 22 de Novembro de 1869, o único Clipper do chá ainda existente, preservado no Passeio do Rei William, em Greenwich, Londres, Inglaterra, junto ao Rio Tamisa.

Simultaneamente ao aparecimento dos Clippers, desenvolvem-se também os primeiros navios de aço, mais leves, fortes e duráveis em comparação com a madeira, e também os primeiros navios com propulsão mecânica. O modo que o Homem viu de utilizar a força de uma máquina para propulsionar uma embarcação foi através de rodas de pás, uma adaptação do remo, o único meio de propulsão, além da vela, que conhecia até então. Contudo, James Watt, na segunda metade do século XVIII [cerca de 1775], desenvolveu o primeiro protótipo de um hélice, adaptado do parafuso de Arquimedes, para propulsionar o seu navio “Arquimedes”, que conseguia atingir velocidades de 7.5 nós com um motor de 80 cavalos. Foi, também, desenvolvido tendo em vista um protótipo de um submarino, algo que já estava em desenvolvimento na altura, uma vez que as rodas de pás eram completamente ineficientes nesta situação. No entanto, deve-se a F. R. Smith e a J. Ericsson a divulgação e promoção do hélice como meio de propulsão. Na imagem ao lado, podemos ver o navio BATILLUS durante a sua construção, nos estaleiros de Saint Nazaire Chantiers de l’Atlantique e os seus enormes hélices.

Desde a invenção do hélice e o motor a vapor até aos dias de hoje foi um salto, e à criação de novos navios especializados um piscar de olhos.

Surge, então, a necessidade de classificar os navios. Citando o Almirante Rogério S. d’Oliveira, antigo professor de arquitectura naval na Escola Naval e actual presidente da Academia de Marinha, “classificar os navios de modo racional e ao mesmo tempo com sentido prático, seria tarefa ingente que esbarraria com a maior controvérsia. É, todavia, costume agruparem-se os navios em categorias um tanto ou quanto convencionais, conforme os aspectos que se consideram.”

Assim, e visando única e exclusivamente uma classificação dos navios mercantes e as funções desempenhadas, podemos agrupar praticamente qualquer embarcação numa das seguintes categorias:

Navios de transporte

– Navios de carga geral;

– Navios frigoríficos;

– Navios graneleiros;

– Navios mineraleiros [caso particular do navio graneleiro];

– Navios de passageiros;

– Navios porta-contentores;

– Navios roll on roll off;

– Navios tanque [caso particular do navio graneleiro].

Navios de pesca

– Pesca de arrasto;

– Navios atuneiros;

– Navios lagosteiros;

– Pesca de linha;

Navios auxiliares

– Batelões;

– Lanchas de pilotos;

– Navios draga;

– Navios farois;

– Navios FPSO;

– Navios FSO;

– Navios quebra-gelos;

– Rebocadores, entre outros…

 [De notar que podemos agrupar as embarcações segundo parâmetros diferentes, tais como carga transportada [aquele que este artigo aborda], forma do casco, tipo de propulsão, etc…]


Fonte: Artigos Administradores / Um breve olhar ao transportes marítimos

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