Um ‘canto da sereia’ ao modo acadêmico: práticas predatórias e fraudulentas na ciência

Um ‘canto da sereia’ ao modo acadêmico: práticas predatórias e fraudulentas na ciência

A existência de periódicos que cobram taxas para publicação de artigos não é novidade, tal como não é novidade a proliferação de periódicos predatórios (os chamados scam journals ou ainda predatory publishers).

A existência de periódicos que cobram taxas para publicação de artigos não é novidade, tal como não é novidade a proliferação de periódicos predatórios (os chamados scam journals ou ainda predatory publishers). Creio que a novidade esteja naqueles periódicos que copiam e anunciam em seus websites informações do periódico verdadeiro (ISSN, impact factor, dentre outras informações) e tudo não passa de cópia do periódico original para, literalmente, roubar os pesquisadores através taxas de publicação.

O fato é que pouco se sabe dos bastidores de tais práticas predatórias destes fake journals, das quais são vítimas pesquisadores ao redor do mundo. Aproveitarei para narrar um fato do qual eu mesmo fui vítima.

Recentemente, um colega pesquisador me apresentou um periódico com impact factor e que supostamente teria uma rápida resposta. Pois bem, escolhi o periódico intitulado “La Pensée”, cujo website na época era www.penseejournal.com. Formatei o artigo e o enviei. Em menos de uma semana, recebi o aceite e um comunicado para pagar a taxa de publicação, que era de USD 450,00. Pensando na boa fé da indicação do periódico, efetuei o pagamento e aguardei o contato do editor, uma vez que somente após o pagamento receberia a carta de aceite.

Depois de um mês, dada a falta de contato do editor, resolvi escrever e cobrar a referida carta. Não recebi qualquer resposta e, na última tentativa, fui informado de que o e-mail do editor fora excluído. O site saiu do ar em questão de semanas. Foi então que comecei a procurar informações sobre o periódico e me deparei com a fraude: o periódico original (em francês) fora clonado, em um link muito mais simples e de fácil acesso mediante ferramentas de busca na internet, todo em inglês e com um rápido e eficiente mecanismo de envio dos artigos, um template simples e de fácil formatação.

A partir disto, fiz a juntada de provas e denunciei o periódico na Polícia Federal do Brasil, além de efetuar denúncia na Polícia Francesa, dado que o periódico tinha como base a cidade de Paris. Com a denúncia consegui protocolizar pedido de estorno dos valores junto à operadora do cartão de crédito, o que foi feito. Agora, resta prestar depoimento à Polícia Civil, que é para onde a PF submeteu o processo para investigação.

Espero que este caso sirva de alerta à comunidade científica, quanto à ilusão de aprovação de artigos em supostos periódicos de renome, indexados em bases de dados e com impact factor que, na realidade, são puras farsas acadêmicas com o interesse único de roubar dinheiro dos pesquisadores.

Algumas das listas de periódicos clonados podem ser acessadas em:

http://scholarlyoa.com/2014/01/02/list-of-predatory-publishers-2014/ 
http://scholarlyoa.com/publishers/ 
http://scholarlyoa.com/individual-journals/ 
http://www.nature.com/news/predatory-publishers-are-corrupting-open-access-1.11385 
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/03/1597163-eventos-cientificos-caca-niqueis-preocupam-cientistas-brasileiros.shtml 
http://scholarlyoa.com/tag/scam-conferences/ 

 


Fonte: Artigos Administradores / Um ‘canto da sereia’ ao modo acadêmico: práticas predatórias e fraudulentas na ciência

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