Um dos "estados da arte" do processo de inovação

Um dos “estados da arte” do processo de inovação

O produto e o serviço são tão inovativos que ainda vão deixar muita gente de boca aberta, alguns por felicidade, outros por obrigação.

Embora estejamos vivendo um período de sérias restrições de consumo devido ao ambiente econômico desfavorável que perdura desde o ano de 2015, algumas coisas chamam a atenção. Se por um lado vemos o nível de desemprego no Brasil atingir seus 11,2% da população ativa, com 60 milhões de brasileiros inadimplentes e uma inflação rumo à casa dos dois dígitos (9,32%), por outro lado, vemos um movimento de mercado que parece oferecer oportunidades raras de prosperidade para àqueles que estiverem dispostos a arriscar.

Vendo por este ângulo, parece que estou falando do mercado de capitais. Embora a filosofia tradicional que versa sobre investimentos recomende cautela nessas aquisições, em que liquidez, solvência, alavancagem, compra na média e diversificação são termos básicos para operar, o que vou explanar agora nada tem a ver com este assunto – embora eu concorde com alguns que esse pode ser o melhor momento para investir, já que muitas empresas estão com suas ações subvalorizadas.

Hoje vou falar sobre a beleza da inovação. O exemplo que vou utilizar, em minha humilde percepção, parece incorrer ao “estado da arte”, tamanho o impacto positivo que me causou. Falo sobre uma empresa conhecida como Nubank. Uma empresa que emite e gerencia um cartão de crédito de bandeira MasterCard e que não cobra absolutamente nada pelo serviço que presta. Nenhuma taxa oculta, nenhuma anuidade embutida. Não há intermediadores envolvidos, não há papelada à preencher, não há burocracia. O cliente tem um atendimento único, diferenciado, e acompanha todo o seu histórico de consumo através de seu smartphone. É tão simples quanto inacreditável.

O cliente assume, definitivamente, seus gastos. O aplicativo Nubank permite total gerência de informações pelo usuário. Este pode acompanhar em tempo real todos os seus gastos, inclusive onde foi feita a compra, além de identificar seu saldo remanescente. Caso o cliente precise de mais saldo no cartão, ele pode optar por antecipar um pagamento ou negociar com algum atendente do Nubank uma possibilidade de elevar seu limite de crédito. Esse último, acreditem, pode ser solicitado via WhatsApp.

Simples assim. Uma das únicas exigências é que o futuro cliente tenha um smartphone, pois é através dele que o usuário poderá operar seu cartão e desbloqueá-lo. Qualquer operação ocorre através do aplicativo, seja um simples acompanhamento de um histórico de consumo, seja o bloqueio parcial do cartão pelo próprio usuário vítima de alguma tentativa de fraude. A segurança e a comodidade são garantidas pelo aplicativo que anuncia as transações realizadas pelo cliente em tempo real.

Com os grandes bancos cobrando juros absurdos e irracionais sobre o cartão de crédito, além das tradicionais taxas básicas e anuidades, o Nubank inova ao garantir uma incidência de juros na ordem de 7,75% ao mês para os casos de parcelamento de dívidas e atrasos de pagamentos. Tal taxa praticada é bastante inferior se comparada com a maioria das taxas de operações bancárias para crédito rotativo. E certamente não são essas situações que garantem a operacionalização do Nubank.

Sua operacionalização é garantida pela margem que o Nubank ganha nas transações realizadas com o cartão de crédito. Diretamente, o cliente não remunera o Nubank, pois isso é realizado pela empresa que faz a venda. Só ocorre diretamente quando o cliente opta por parcelar seu débito, incidindo, então, juros sobre saldo remanescente. Desse modo, não é difícil de entender o porquê de tanta gente estar na “fila” para se tornar um cliente Nubank. O produto e o serviço são tão inovativos que ainda vão deixar muita gente de boca aberta, alguns por felicidade, outros por dor (obrigação).


Fonte: Artigos Administradores / Um dos “estados da arte” do processo de inovação

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