Um novo olhar sobre a liderança

Um novo olhar sobre a liderança

A nova dinâmica de mercado pede profissionais mais colaborativos na concepção e execução do negócio. Mas isso implica em novas formas de distribuir o poder internamente e dar voz a todos. Como a liderança se encaixa neste novo cenário?

Até meados do século XX os princípios da administração científica desenvolvidos por Frederick Taylor (cuja base está na divisão do trabalho em tarefas e na separação entre concepção e execução) aumentaram exponencialmente a oferta de produtos e serviços, elevando a produtividade das indústrias em todos os segmentos. Contudo, este ganho em escala e aumento da oferta fez com que, cada vez mais, as empresas tenham que competir por preço e mercado. Desta forma, as companhias necessitam agregar novos valores e funcionalidades aos produtos e serviços, seja para aumentar as vendas ou ao menos continuar a ter alguma participação no mercado.

Mas este movimento implica em uma nova forma de produzir e de entregar valor aos clientes: é preciso perceber e absorver novas demandas, garantir qualidade, ajustar-se a tecnologias e formas de produção mais baratas, que permitam eventualmente uma competitividade por preços. 

 Por isso, temos um desafio na gestão de empresas nos dias atuais: conseguir a cooperação não apenas na execução, mas também na concepção, no direcionamento estratégico e tomadas de decisão, especialmente através do compartilhamento de conhecimento que os funcionários aprendem na linha de frente, nos insights gerados através do contato com o mercado, com o consumidor, do que funciona bem e do que pode representar desperdício.

 Para Prahalad & Rasmawany (2000), a nova economia exige a reforma dos sistemas tradicionais de gestão e das estruturas organizacionais. Essa reforma é essencial para que as organizações possam aproveitar as competências dos clientes. Os padrões da nova economia devem levar em conta o capital intelectual que existe tanto na força de trabalho como nos próprios clientes.

Entretanto, esta estratégia pode provocar um desequilíbrio nas relações organizacionais, na divisão de responsabilidades e na estrutura hierárquica, até então formatados de acordo com a divisão de tarefas propostas pelo taylorismo, e em funcionamento até hoje nas corporações. Por conseguinte, quando uma empresa estimula comportamentos cooperativos e de envolvimento entre os funcionários, é preciso que ela também se preocupe em estabelecer uma forma de coordenação interna que lide com essas novas formas de relações organizacionais, que mexem nas estruturas de poder e divisão de responsabilidades, que passa a não estar mais tão separado e definido, como prega o princípio da racionalidade da administração científica.

 Por isso temos visto novas práticas de lideranças surgirem, menos centrada na figura de uma pessoa. Algumas teorias mais recentes têm considerado a liderança como um processo e não apenas uma competência individual. A lógica aqui é que se a liderança envolve algumas habilidades como motivação, empatia e escuta ativa para que os resultados sejam entregues, isso deve ser uma responsabilidade do grupo e não só de uma pessoa. A liderança então deveria ser vista como um processo condutor de resultados.

 A autora Barbara Kellerman discute amplamente a necessidade de quebrarmos esse lider-centrismo, pois os seguidores precisam ser considerados, tamanha a força que têm para avaliar os resultados e pressionar por mudanças. Kellerman propõe que a indústria da liderança mude esta abordagem lider-centrista, que reduz a compreensão do papel da liderança e desenvolvamos um maior nível de inteligência contextual, para que tenhamos uma liderança integrupal e não apenas intragrupal, com maior potencial de gerar uma real cooperação.

 “As escolas de liderança corporativa preparam seus líderes para atuarem em situações  muito específicas, atendendo apenas às necessidades de uma empresa em particular. Entretanto, o desenvolvimento da liderança não pode se restringir ao desenvolvimento individual de alguém que será visto como um salvador”.

 A recessão e os escândalos corporativos têm nos mostrado uma crise de confiança nos líderes, pois esperamos que resolvam os problemas de forma milagrosa.Os acontecimentos políticos no mundo inteiro nos mostram que os líderes estão mais fracos e os contextos, mais complexos. É visível que há uma pressão para que os líderes atuem de forma mais equitativa e democrática, em vez de comandar e controlar.

 Depois da crise econômica de 2008, houve uma intensificação nas pesquisas sobre liderança ética, a fim de avaliar o real impacto das atitudes antiéticas em um curto e longo prazo. A disseminação destas práticas acaba afetando todo o sistema econômico, pois impactam na decisão de investidores, que têm sua confiança abalada.


Fonte: Artigos Administradores / Um novo olhar sobre a liderança

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