Vale a pena fazer um curso tecnológico?

Vale a pena fazer um curso tecnológico?

Será que o único caminho para o sucesso acadêmico são os cursos de bacharelado e licenciatura? É possível acelerar o caminho da formação acadêmico para o sucesso profissional? E pra que servem, afinal, esses cursos tecnológicos?

Após longos dois anos de estudos, dividindo-se entre trabalho e estudo, Renan finalmente desistiu da faculdade. Não era fácil. Dividir-se entre emprego de oito horas diárias e os estudos deixava tudo bem cansativo. E após esse longo expediente, a simples decisão de ir para a faculdade todos os dias se tornava um constante conflito entre a razão e a vontade. E nesse conflito, muitas vezes a razão perdia, cedendo lugar para o desejo de ir para casa. Isso sem contar o investimento mensal. Como grande parte dos jovens universitários brasileiros, ele precisava pagar por sua faculdade particular. E pagava caro! Trabalhava, inclusive, para poder bancar esses estudos. Mas, não deu. Ele desistiu. Após dois anos, ele desistiu. E saiu com uma mão na frente e outra atrás, sem nenhum diploma ou certificado. Nada. Todo um investimento e esforço jogado fora”.

Sei que muita gente se identifica com o caso narrado acima. Inclusive eu. Foi meu caso durante muitos anos. Foi minha relação com a formação superior. Uma relação de amor e ódio. Por isso, durante muito tempo resolvi não terminar minha faculdade. Desistia com pouco tempo, enxergando o quão longe estava o término desses quatro anos. Dizia que não ia fazer faculdade. Mas, finalmente, descobri que existia um atalho, um caminho mais próximo, uma forma mais rápida de obter minha formação superior: os cursos tecnológicos!

Isso foi em 2006. Após uma pesquisada sobre o assunto, descobri que esses cursos tinham o mesmo peso dos bacharelados e licenciaturas. Ou melhor: tinham o mesmo peso diante da lei. Na verdade, havia um grande preconceito sobre esses cursos no mercado de trabalho e mesmo dentro das faculdades que ofertam esse tipo de curso. Universidades (mesmo as federais) e professores mal informados, que desconsideram os cursos tecnológicos como formação superior, acreditando que os mesmos não valem para pós-graduação ou para concursos públicos superiores. Mas será que isso tudo é verdade? Resolvi conferir. E descobri muita coisa, a qual abordo mais abaixo.

Preciso deixar claro, antes de tudo, que sou fã dos cursos tecnológicos, não tenho como esconder! Uma formação rápida, que em dois anos habilita o sujeito para o exercício profissional da área pretendida ou já exercida anteriormente sem formação.

Os cursos tecnológicos são regidos pela Resolução CNE/Cp 3, de 18 de dezembro de 2002, e seu grande lance é exatamente trazer uma formação mais rápida para o profissional que já atua no mercado, mas que ainda não possui formação. E quatro anos é demais pra esse profissional. Por isso os bacharelados tem sido preteridos por aqueles que optam pelo curso tecnológico. São muito longos e maçantes. Já os tecnológicos habilitam quem já está no mercado de maneira mais rápida. Ou mesmo insere aqueles que querem entrar em um mercado que exige formação superior.

O desfecho do caso narrado no início desse artigo, o do Renan, seria diferente se ele tivesse optado pelo curso superior de tecnologia. Com dois anos ele já estaria formado! Acompanhe meu raciocínio: em dois anos, um estudante de bacharelado tem metade de um curso superior. Isso, na prática, significa que ele não possui nada, apenas algumas disciplinas cursadas. Não possui um curso técnico a mais em seu currículo, muito menos um diploma de nível superior. Com dois anos, o estudante que opta pelo curso tecnológico está colando grau. Já possui um curso superior, uma graduação, e já está habilitado a ingressar em uma pós-graduação, seja em nível de especialização ou MBA (Lato Sensu) ou de mestrado e doutorado (Stricto Sensu). Já pode concorrer a vagas que exigem nível superior. Já pode fazer concurso de nível superior. E tem direito a cela especial até o julgamento, caso seja preso (olha a vantagem!).

Outra grande vantagem desses cursos rápidos é que eles acabam representando um grande incentivo para tantos profissionais que encontram dificuldade em conciliar estudo e trabalho, ou quem tem pressa em obter a formação. Embora alguns pensem que tais cursos geram uma certa acomodação ou mediocridade, por ser uma formação mais rápida, é exatamente o contrário que acontece. Eles acabam atraindo quem já tinha desistido de tentar, como é meu caso. E pelas pequenas vitórias conquistadas, agora fracionadas em intervalos de tempo menores, uma grande motivação surge para a continuidade dos estudos, projetando os tecnólogos a passos cada vez maiores e constantes.

Em dois anos se conquista a graduação. Mais um ano e meio vem o MBA. Isso soma 3 anos e meio. Nesse tempo, o sujeito que escolheu o bacharelado ainda não terminou sequer a faculdade, isso se não tiver se desmotivado e desistido, enquanto nosso amigo tecnólogo já estará partindo para um mestrado, já sendo graduado e possuindo uma especialização. Ou melhor, em quatro anos, enquanto muitos estarão terminando um bacharelado, o tecnólogo já poderá estar terminando um mestrado.

Sendo assim, tais formações representam formação rápida e eficaz para um mundo cada vez mais dinâmico. Mas é importante conhecer melhor a legislação para tomar uma decisão mais embasada quanto a escolha por um curso superior de tecnologia.

Veja abaixo algumas considerações quanto ao curso tecnológico, segundo a resolução (ou, uma lista de motivos para escolher um curso tecnológico):

O Curso Tecnológico é um curso superior.

“Art. 2º Os cursos de educação profissional de nível tecnológico serão designados como cursos superiores de tecnologia (…)”(Resolução Cne/Cp 3, De 18 De Dezembro De 2002.)

Portanto, garante por lei todos os direitos e regalias concernentes aos portadores de diploma de ensino superior, tais como:

Ingresso em Especialização, Mestrado, Doutorado (Strictu Sensu e Latu Sensu);
Ingresso em outras graduações como portador de diploma de ensino superior;
Reconhecimento no exterior (Estados Unidos, Europa, entre outros) para ingresso no regime de pós-graduação Strictu Sensu e Latu Sensu;
Regimes diferenciados em situações penais perante a lei;
Ingresso em Concursos Públicos.

O Curso Tecnológico é uma Graduação.

“Art. 4º Os cursos superiores de tecnologia são cursos de graduação, com características especiais, e obedecerão às diretrizes contidas no Parecer CNE/CES 436/2001 e conduzirão à obtenção de diploma de tecnólogo.” (Resolução Cne/Cp 3, De 18 De Dezembro De 2002.)

Existem três tipos de graduação: Bacharelado, Licenciatura e Tecnológico. Portanto, o tecnólogo é legalmente graduado como os tradicionais Bacharelados e Licenciaturas e possui os mesmos direitos.

O aluno que se gradua em Curso Tecnológico poderá ingressar em uma pós-graduação sendo: Especialização e/ou Mestrado e/ou Doutorado (Strictu Sensu e Latu Sensu).

“Art. 2º Os cursos de educação profissional de nível tecnológico serão designados como cursos superiores de tecnologia e deverão:

V – promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as mudanças nas condições de trabalho, bem como propiciar o prosseguimento de estudos em cursos de pós-graduação;” (Resolução Cne/Cp 3, De 18 De Dezembro De 2002. Art. 2º)

Pós-graduação abrange: Especialização, Mestrado e Doutorado.

“III – de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino;” (Lei Nº 9.394, De 20 De Dezembro De 1996 -Capítulo IV da Educação Superior Art. 44.)

O Curso Tecnológico vale para Concursos Públicos que exijam nível superior.

O curso Tecnológico é um curso superior e garante o direito do graduado de ingressar em concursos públicos que possuam essa exigência para essa área do conhecimento (Resolução Cne/Cp 3, De 18 De Dezembro De 2002, Art. 2º).

Sim, e aí? O que eu faço com essas informações?

E aí que o curso Tecnológico é uma tendência mundial já é amplamente aceito e reconhecido legal e socialmente nos Estados Unidos e Europa (entre outros), pois fornece formação específica e prática, focada no mercado de trabalho e de duração mais rápida do que as graduações convencionais.

Os estudantes e futuro profissionais devem compreender o seu papel social e legal, os direitos e deveres, combatendo o “pré-conceito”, fruto de desconhecimento e ignorância. Alguns profissionais no mercado apresentam esse desconhecimento, ao que se deve apresentar a legitimidade dessa graduação.

Qualquer instituição, pública ou privada, que dentro do perfil da formação, em consonância ou equivalência com a vaga ofertada, não aceitar o tecnólogo como formação superior e graduação está cometendo contravenção e um ato ilegal, cabendo recurso jurídico.

É direito do tecnólogo o ingresso em especialização, mestrado e doutorado em área igual ou equivalente, bem como em concursos públicos (municipais, estaduais e Federais). É direito garantido pela legislação vigente e pelo Ministério da Educação (MEC). Cursos voltados para gestão, como Tecnólogo em Marketing, Processos Gerenciais, Recursos Humanos e Gestão Financeira, entre outros, também já são reconhecidos pelo Conselho Federal de Administração – CFA e pelo Conselho Regional de Administração – CRA, permitindo a afiliação dos mesmos ao conselho. Hoje, inclusive, grandes instituições de renome, como Fundação Getúlio Vargas – FGV, Universidade Federal do Ceará e FIAP, possuem cursos superiores de tecnologia.

Portanto, vale a pena considerar um curso tecnológico na sua formação, principalmente se você tem pressa e precisa de resultados em um prazo menor, como foi meu caso. Sem dúvida foi uma das decisões mais acertadas que já tomei e foi o grande pontapé inicial para que minha vida acadêmica, e consequentemente profissional, decolasse. Esse é, sem dúvida, um grande atalho a ser considerado.


Fonte: Artigos Administradores / Vale a pena fazer um curso tecnológico?

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