Valores essenciais e justiça

Valores essenciais e justiça

Os sinais de esgotamento de um modelo civilizatório, a construção de uma nova ordem mundial e o nosso papel nela

Valores essenciais emergirão

Estaremos então liberando outras dimensões do nosso ser no sentido da satisfação da sempre presente aspiração da transcendência: a do sentimento. O exercício livre da compaixão e da misericórdia libera gradualmente o fluxo de amor do qual somos essencialmente constituídos. Não dá ainda, para descrever, o que significará toda a humanidade liberando em ondas cada vez mais intensas o fluxo de amor de cada um dos seus constituintes. Ouso sonhar que essa liberação é inexorável, e, irreversível.

Ao sentimento mesquinho de satisfação do ego e da busca desenfreada do ter, abraçaremos Erich Fromm e todos os grandes avatares que já pisaram no planeta Terra para enfim, sermos mais. Diferentemente de bens materiais que quando dou fico com menos, o amor se multiplica em ondas concêntricas que entrecruzam com as emitidas por outros seres em uma progressão geométrica de intensificação beneficiando o emitente e todo o planeta e a vida nele contida. A física quântica já nos demonstra essa verdade já há muito pressentida pelos grandes místicos e avatares espirituais.

Justiça afinal

 

Um novo, novo (?) conceito de justiça imperará. No tempo e no espaço, todas as religiões e filosofias defendem o princípio de que importa que nos conheçamos em nossos desejos, expectativas e sentimentos profundos que expressam o nosso ser, como medida do nosso relacionamento, desdobrando eticamente, esse nível de conhecimento para a construção de relacionamentos pacíficos, harmoniosos e justos. 

Estaremos ressignificando a nossa história, os antigos heróis e líderes, se nos mostrarão à luz do que realmente foram: A expressão de um ser primitivo, sanguinário, cruel e injusto, cujas reminiscências ainda conservam seus resquícios na forma de tiranetes políticos e econômicos da mídia leviana que insiste em propagar esses exemplos, e, do consumo irrefletido como se esses traços de selvageria não pudessem ser dissolvidos pelas areias do tempo. Serão. A “coisificação” do ser humano cansa e sinais desse cansaço já começam a se manifestar em prol da reposição da dignidade de todos. São processos longos, mas acredito, irreversíveis.

Acontece dentro de cada um de nós e vai se espraiando até a retirada da base de sustentação dessas superficialidades pela absoluta falta de interesse em continuar consumindo esse tipo de produto ou serviço.

Quem serão então nossos novos heróis? Quem serão então nossos líderes? Muitos deles já estão atuando entre nós no anonimato dando a sua contribuição em termos de devotamento, renúncia e sacrifício em prol da construção da nova ordem que surge. A eles a exposição midiática no momento, só retardaria no seu entendimento, o muito por fazer em tão pouco tempo.   Surgirão mais e cada vez mais relevantes unindo gerações no esforço de construção da nova ordem.

A prática do novo senso de justiça amainará as dores e ódios resultantes do antigo sistema de domínio e exclusão. Novos amantes da paz se olharão através das fronteiras como vizinhos amigos que se auxiliarão mutuamente no grande projeto do crescimento conjunto.

“Pax Romana”, a “Paz das armas” (!), refletem o guerreiro que ainda somos. Só o ser autopacificado pode atuar como halo-pacificador já nos ensinava Huberto Hoden. Gandhi, quando se sentia incapaz de resolver um problema qualquer, entendia que nele estava a dificuldade. Retirava-se, meditava, recuperava a sua paz interior, e, dessa forma, conseguiu libertar 500 milhões de indianos do jugo inglês sem sangue. Na realidade, o seu acabou sendo derramado por um fanático que não compreendeu o transcendental papel que lhe cabia.

O que significará a transferência dos imensos recursos hoje destinados à guerra e à destruição para a elevação da qualidade de vida do ser humano? Incomensuravelmente maior é o desperdício da mais nobre das energias: a do ser humano. O que significará o aproveitamento do talento e das potencialidades de bilhões que dormitam no ralo comum da miséria e do esquecimento? De bilhões cuja maior angústia é obter de manhã a ração miserável para o filho que teima em chorar de fome? Imaginemos o que significará esse empuxo fenomenal de energia nas ciências, na filosofia, nas religiões e nas artes enfim, em todos os saberes e fazeres humanos. O que for pensado e concebido nas primeiras encontrará talentos impensados em novos seres de obra (engenheiros, operários e outros), que estarão operacionalizando aquelas concepções para o bem comum. Taylor terá ficado para trás definitivamente. Chaplin será lembrado como o herói que logo no início denunciou essa visão míope que ainda guarda seus resquícios em núcleos de produção e de prestação de serviços no nosso sistema adoentado. Conclamado a utilizar a sua vontade, saber e sentimentos para fazer o melhor, teremos então seres de obra atuando em todo planeta. Embora fuja ao teor lógico da escrita, não dá para esconder a emoção que aflora quando imaginamos essa futura realidade.  Vem novamente a pergunta: Quem serão os nossos heróis? Quem serão os nossos líderes? Um traço indiscutível me parece poder adiantar: O líder daquele tempo não será alguém que se contentará em desenvolver em seus colaboradores um comportamento de manada (até porque eles não aceitarão), mas sim aquele que desfrutará a alegria de contribuir com cada um deles no afloramento e fortalecimento da sua singularidade, e, a partir dessa base de construção comum desfrutarem ambos da suprema alegria do servir.


Fonte: Artigos Administradores / Valores essenciais e justiça

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