Varejo em 2016: contagem regressiva…

Varejo em 2016: contagem regressiva…

O varejo dispõe de meio ano para recuperar resultados. O cenário é de incertezas e desafios. Mas o olhar sobre o cliente segue essencial…

O mês de Junho marcou o encerramento do primeiro semestre no calendário, dando a dimensão que boa parte do ano se foi. Para o comércio, por exemplo, parte das datas mais representativas em seu faturamento já passaram. Vimos Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados impactados pela dura realidade econômica brasileira, em um período recheado de feriados, e agora teremos um novo semestre com poucas interrupções, e que dispõe do Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal como algumas das referências em seu horizonte.  

A experiências destas primeiras datas apontam que o consumidor brasileiro, a primeira vista, pisou forte no freio. Na semana do Dia dos Namorados, por exemplo, houve uma redução de 9,5% nas vendas, comparadas ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Serasa Experian. O resultado se assemelha ao visto no Dia das Mães, que registrou retração de 8,4%, e uma Páscoa que manteve altos estoques de chocolate  acumulados, com o percentual de 9,6% de vendas menor, amargando o pior resultado dos últimos 10 anos.

Estes números não indicam apenas a ausência de compras, mas podem também ser indício de adaptações. Estudo da FecomércioSP em parceria com o E-bit/Buscapé apontava em Março a previsão do comércio on line ter retração menor que o varejo em geral, na faixa de 1% em relação a 2015. Mas no caso das datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, o comércio eletrônico viu evolução, ampliando respectivamente em 8% e 16% as vendas com relação ao ano anterior. 

Apesar da constatação quanto a diferenças expressivas entre os resultados do comércio físico e do virtual, e as empresas ainda seguem discretas quanto a possíveis adaptações. Em Minas Gerais, por exemplo, pesquisa da Fecomércio indicou que apenas 23,1% das empresas físicas de Belo Horizonte trabalham com vendas pela Internet. No contato que tenho com muitas destas empresas, atenção a canais como redes sociais, uso de Marketplaces, ou implantação de aplicativos na operação, soam como uma realidade distante, seja por haver a crença que seu target é diferente, segue um comportamento mais “tradicional”, seja por acreditar que a adaptação será cara e de resultados incertos. Em paralelo, temos a intensificação de uso destas ferramentas por parte dos clientes (sobretudo dos Milennials), e da facilitação do acesso a tecnologias, com start-up´s promovendo a criação de ferramentas e soluções diversas.

O segundo semestre inicia no Brasil com o indicativo da confiança do consumidor atingindo níveis maiores, demonstram que o cliente já sente uma condição mais estável, se permitindo planejar o consumo de maneira mais tranquila. Esta confiança segue pautada na necessidade de perceber em seus fornecedores o interesse de facilitar seus problemas, atender suas necessidades, representar sua personalidade, e ouví-lo quando e onde quiser.

Ainda que o principal ator seja o cliente, cabe também ressalvas ao cenário no qual ele está. Alto índice de desemprego, reduzindo o mercado consumidor, o nível inflacionário que segue acentuando custos e sobrecarregando varejistas, ampliando o preço final e reduzindo margens, o crédito caro restringindo retomadas mais rápidas, e os eventos que surgem no horizonte, Olimpíadas e Eleições, indícios que até poderemos ver evolução, porém com pouca tranquilidade. 

E como lidar neste cenário, sobretudo sendo de porte pequeno? Primeiramente, sabemos que o cenário ainda não se mostra tranquilo ou estável. Segundo, que nosso cliente não é (e provavelmente nunca mais será) quem costumava ser. Assim, três palavras podem ser aliadas no processo:

  • Criatividade: Seja na implementação de tecnologias que acentuem a exposição da marca, ou pelo menos otimizem a operação, seja na diversificação dos serviços, ou ainda, na criação de eventos que promovam a vinda para a loja, é essencial trazer novidades aos olhos do cliente.
  • Parceria: Dividir espaço com parceiros que queiram complementar sua oferta e dar a seu cliente um bônus, ou pleo menos auxiliem na busca por indicadores gerenciais cada vez mais apurados, pode intensificar resultados.
  • Qualificação: Seu negócio reduziu. Não dá mais pra errar. Cliente na vitrine tem que ser convertido em venda. Portanto, não dá mais para deixar seus negócios com amadores.

 

Assim, as próximas datas de impacto no varejo este ano poderão ser um divisor de águas entre as empresas que seguem no mercado, e as que perderão ainda mais a chance de estabilizar a operação. Mas independente do cenário, fica o entendimento de que, no quesito consumidor, a necessidade de uma adaptação nos negócios não permite mais espera. Seja aqui ou em qualquer lugar do globo, algumas afirmativas se consolidaram no atendimento ao cliente: 1) ter praticidade no mundo virtual, 2) criar experiência no mundo físico, e por fim, 3) saber ouvir o cliente, estando onde ele estiver. 


Fonte: Artigos Administradores / Varejo em 2016: contagem regressiva…

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