Você está preparado para ser substituído por um robô?

Você está preparado para ser substituído por um robô?

A 4ª. Revolução Industrial e seus impactos na vida dos trabalhadores foi o tema central do Forum Econômico Mundial de Davos. Na nova economia, os robôs estarão concorrendo com os humanos por vagas nas organizações

Você acha que seu trabalho pode ser executado por um robô ou máquina? O que você faria se a sua ocupação fosse extinta ou substituída por uma máquina?

Independente da sua resposta, estamos diante de um futuro próximo e inexorável ao mesmo tempo atraente e preocupante. O novo ambiente de trabalho será um espaço aonde humanos se relacionam entre si e com máquinas e robôs inteligentes.

Nos últimos anos diversas atividades e ocupações vem sendo substituídas por máquinas ou modelos de trabalho automatizados. Quantos caixas de banco deixaram seus postos de trabalho que foram extintos e substituídos por máquinas automáticas de atendimento bancário? Hoje compramos um refrigerante ou ingresso de cinema e até fazemos check in no aeroporto por meio de máquinas.

Imagine você chegando em um hotel e sendo atendido por um androide, ou fazendo um curso com um professor robotizado, ou ainda pegando um táxi “sem motorista”, mas capaz de andar de modo inteligente e automático. Os drones militares sem pilotos e teleguiados já são um exemplo concreto de que não estamos muito longe da proliferação de atividades automatizadas. Quem garante que os aviões de passageiros no futuro não serão iguais aos drones de hoje, sem necessidade de pilotos. Atualmente muitos pilotos já são poupados de várias tarefas em um vôo e não raro deixam o avião no piloto automático. Por exemplo, a Amazon e a DHL já estão testando suas entregas por meio de drones.

Nessa linha, dá para imaginar um gestor automático ou um robô administrador?

A 4ª Revolução Industrial

Atualmente estamos vivendo a 4ª. Revolução Industrial. Depois de três revoluções industriais que mudaram o mundo ao longo dos últimos séculos – a primeira no século XIX, com o motor a vapor e as ferrovias, a segunda, no início do século XX com o advento da energia elétrica e produção em massa e a terceira, na segunda metade do século XX, com a informática e internet – estamos novamente vivendo uma era de profundas e radicais transformações. A nova revolução segue na esteira da anterior: é caracterizada por sua natureza hiperconectada, em tempo ideal, por causa da internet. Além das mudanças nos sistemas de produção e consumo e amplo uso de inteligência artificial, ela também traz o desenvolvimento de energias verdes e produtos sustentáveis.

A edição deste ano do Fórum Econômico Mundial (WEF) que ocorreu semana passada em Davos, na Suíça, teve como tema central a chamada “Quarta Revolução Industrial”. Essa realidade, que já começamos a experimentar no dia a dia, significa uma economia com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas, na qual as diferenças entre homens e máquinas se dissolvem e cujo valor central é a informação.

De acordo com o livro A Quarta Revolução Industrial, do Diretor Executivo do WEF, Klaus Schwab, esse período se caracteriza pelo desenvolvimento e avanços em genética, inteligencia artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia, entre outras mudanças, estão transformando o modo como trabalhamos e as habilidades que necessitamos ter para trabalhar neste novo contexto.

Também chamada por alguns autores de Indústria 4.0, essa revolução envolve também conceitos como internet das coisas, objetos inteligentes interconectados, análises massivas de dados (“big data”), fabricação flexível (séries curtas) e próxima ao consumo com influência direta do consumidor, ebooks, biotecnologia, produconsumo – cocriação por meio da parceria entre produtores e consumidores, “glocalização”, robôs, impressão 3D, inovação aberta, etc.

Essas mudanças são a base para uma revolução como nunca vimos antes. Mais abrangente e complexa. Sistemas inteligentes – casas, fábricas, fazendas, grids ou cidades – irão ajudar a abordar problemas desde a maior eficácia e redução de custos na cadeia de suprimentos das empresas até mecanismos para reverter o aquecimento global.

O crescimento da economia colaborativa permitirá que as pessoas monetizem qualquer coisa desde uma casa vazia a um automovel.

Neste ambiente também a forma de produzir e de consumir produtos e serviços irão mudar, colocando grandes desafios para empresas, governos e individuos. Nesta nova sociedade, além da revolução tecnologica, um conjunto amplo de drivers influenciarão o ambiente social, economico, político e demográfico. Enquanto setores inteiros se reorganizam e se ajustam a esta nova revolução, muitas ocupações e profissões passarão por profundas transformações.

Uma delas é a robótica. Desde a automatização das linhas de produção automotivas no final do século passado até a fabricação de peças complexas e componentes mediante impressão 3D, teremos muitos postos de trabalho sendo totalmente transformados, substituídos ou extintos. Com o fim da diferenciação entre homens e máquinas, uma nova quebra do modelo de cadeias produtivas e as interações comerciais em que consumidores atuam como produtores. Transformações e influências que vão impactar drasticamente o trabalho, as profissões e o ambiente laboral.

 O Futuro do Trabalho

O Forum divulgou o relatório “The Future of Jobs”, uma pesquisa baseada em 15 economias desenvolvidas e emergentes, entre os quais o Brasil, que abrangeu 1,9 bilhões de trabalhadores, ou seja, 65% da mão de obra do planeta. O relatório prevê que mudanças avassaladoras na força de trabalho levarão a perda de cerca de 5 milhões de postos de trabalho até 2020 – com 7,1 milhões de posições perdidas entre trabalhadores de colarinho branco e 2 milhões de empregos criados na ciência da computação, matemática, arquitetura, engenharia e campos relacionados. O relatório, que vale a pena ler, está disponível em http://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs

O relatório prevê uma concorrência significativa por talento nessas categorias de trabalho, tornando-se mais vital do que nunca o desenvolvimento de um banco de talentos sólido. Ao mesmo tempo, os trabalhadores em funções menos qualificadas poderão enfrentar a redundância, a menos que eles sejam treinados novamente – algo que os empregadores que enfrentam mudanças disruptivas em seus modelos de negócio podem muito bem querer evitar por razões econômicas.

Em seu livro, A Quarta Revolução Industrial, o Diretor Executivo do WEF, Klaus Schwab cita uma pesquisa feita pela Escola Oxford Martin que mostra que algumas profissões são mais vulneráveis ​​do que outras para automação. Entre as mais propensas estão secretárias, corretores de imóveis, rececionistas em hotéis, aeroportos e restaurantes, profissionais de contabilidade e operadores de telemarketing. As menos propensas para automação são assistentes sociais, gerentes de vendas, médicos, gestores de recursos humanos, analistas de sistemas computacionais, e gestores executivos, entre outros.

A pesquisa conclui que cerca de 47% do emprego total nos EUA estará em risco ao longo da próxima década ou duas. O emprego vai crescer em ambos os campos cognitivos, isto é, os salários de alta renda e os trabalhos manuais de baixo salário. Mas a automação e desintermediação vao diminuir significativamente a necessidade de empregos de renda média com base em atividades caracterizadas por rotina e repetição. Desde já o número de funções que podem ser automatizados é espantoso. Esta destruição do emprego está acontecendo em toda uma gama muito mais ampla de ocupações e em um ritmo muito mais rápido do que experimentamos em qualquer revolução industrial passada.

A grande questão é como o novo modelo de trabalho será no futuro. Os otimistas adeptos da tecnologia estão pintando um quadro de pessoas que são criativas e que se deslocam para o empreendedorismo em todos os lugares. Mas será que todos realmente irão prosperar como empreendedores? Será esta uma opção razoável para milhões de pessoas que esperam para ter um papel na sociedade, mesmo que os seus trabalhos sejam de baixos salários?

De forma alarmante, como o relatório do WEF destaca, uma grande parte da perturbação do mercado de trabalho se concentrará em ocupações que possuem o maior percentual de mulheres empregadas, tais como papéis de escritório e funções administrativas. Enquanto isso, as profissões que são esperados para aumentar o número de postos de trabalho já tem o maior desequilíbrio de gênero, tais como arquitetura, engenharia, matemática e ciência da computação.

De acordo com a consultora da EY, Uschi Schreiber, o progresso das mulheres quando comparado com o dos homens ainda é minoria, inclusive nas áreas de tecnologia. Agravando esta situação há o fato de que quase metade de todas as indústrias em economias avançadas estão aumentando sua procura de competências tecnológicas. A menos que algo mude rapidamente, as mulheres também vão começar a perder terreno nestas outras indústrias. O relatório do WEF coloca alguns números em torno destas questões.

Em 2020, os homens vão perder cerca de 4 milhões de empregos , em contrapartida, vão ganhar 1,4 milhões – cerca de um novo posto de trabalho criado para cada três extintos. Mas as mulheres terão de enfrentar a perda de 3 milhões de empregos e ganhar apenas 550 mil – mais de cinco posições perdidas para cada um criado. Nas profissões da categoria CTEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) há uma tendência de crescimento significativo, com expectativa de homens ganhando mais de 600.000 novos postos de trabalho até 2020, enquanto a percentagem de mulheres será pouco mais de 100.000. Dito de outra forma, os homens vão começar um novo trabalho STEM por 4 postos de trabalho perdidos em comparação com as mulheres que perdem 20 postos de trabalho para apenas 1 posição STEM.

Os dados do relatório do WEF estimula muitas perguntas, entre as quais destacamos as seguintes:

• Qual é o impacto sobre a economia quando as classes de consumo já não têm a renda para consumir? • O que precisamos fazer para gerir a transição para menos trabalho de modo que o trabalho disponível seja compartilhado de forma mais ampla? • O que podemos fazer para compartilhar os ganhos obtidos pela tecnologia, de modo que o benefício seja para muitos e não apenas alguns? • Como vamos educar as pessoas para o futuro e não apenas para o passado?

Estas são todas grandes questões. Inerente a isso está a necessidade de não pensarmos apenas em termos de crescimento econômico, mas refletir e pensar sobre a sociedade como um todo. Uma sociedade é mais do que apenas uma economia e engloba aspectos de infra-estruturas econômicas, sociais, industriais e culturais da vida humana coletiva. Talvez agora seja o momento de pensar sobre que tipo de sociedade queremos ser no futuro – uma que usa a tecnologia para melhorar a nossa vida, inclusive no contexto do trabalho e da produção ou aquela que busca ganhos de produtividade a curto prazo que beneficiam um pequeno grupo de pessoas?

As habilidades para o futuro e o papel da gestão de pessoas

Entre as diversas mudanças na gestão e nos negócios o relatório inclui: crescente participação da geração milênio nas empresas, economia colaborativa, crowdsourcing, volatilidade geopolitica, novas fontes de energia, novas tecnologias, big data, mudança na natureza do trabalho (home-office e jornada flexível), tecnologia mobile e cloud, ética, mudanças climáticas e escassez de recursos e maior longevidade humana.

Para lidar com esse cenário, o relatório do WEF, sugere que em 2020 os trabalhadores e profissionais que irão se destacar nos mercados são aqueles com as seguintes habilidades:

– Solucionar problemas complexos

– Pensamento crítico

– Criatividade

– Gestão de Pessoas

– Coordenação e integração com equipes

– Inteligencia Emocional

– Discernimento na tomada de decisão

– Orientação para atendimento e serviços

– Negociação

– Flexibilidade Cognitiva

Acompanhar as tendências no ambiente de trabalho é responsabilidade do diretor de RH e do diretor de estratégia, que devem se perguntar o que essas mudanças significam, especialmente para o emprego, habilidades e recrutamento de talentos.

O relatorio do WEF propõe um nova medida para a gestão de pessoas: a estabilidade de habilidades. Com ela pode-se quantificar o grau de disrupção dentro de uma determinada ocupação ou profissão, e até em um setor da industria.

A educação exercerá um papel importantissimo nesse processo preparando os colaboradores para a nova realidade.

Educar e treinar os colaboradores para esse novo perfil é uma das responsabilidades da gestão de pessoas nas organizações. Precisaremos nos adaptar aos impactos profundos que as mudanças disruptivas provocarão no ambiente de trabalho.

Para prevenir um cenário pessimista – avanços tecnológicos misturados com escassez de talentos e desemprego em massa, as empresas deverão requalificar e elevar a um novo degrau a sua atual força de trabalho. Isso é critico para a sobrevivencia das organizações em um cenário futuro adverso.

A nova revolução não precisa ser uma corrida entre humanos e máquinas mas uma oportunidade de trabalhar para verdadeiramente se tornar um canal por meio do qual as pessoas reconhecem seu potencial pleno.

Por exemplo, 65% das crianças que entram na escola atualmente vão acabar trabalhando em profissões e ocupações que ainda não existem hoje. Pense em quantas ocupações foram extintas ou substituidas nas duas últimas decadas?

Neste contexto, a capacidade de antecipar os requisitos e habilidades necessárias para se ajustar a nova realidade é extremamente crítico para as empresas, governos e pessoas. 44% apontam as mudanças no ambiente de trabalho e arranjos de trabalho flexível como um dos principais impulsores da nova revolução. 34% apontam a internet via mobile e as tecnologias de nuvem e big data como segundo propulsor.

No Brasil teremos um longo caminho a percorrer, sobretudo recuperar o tempo perdido na presente década e reverter o cenário atual de crise profunda. Para estar preparado para o futuro e acompanhar a 4ª. Revolução Industrial, o país precisará investir mais (e com melhor qualidade) em educação, treinamento e inovação para obter ganhos em qualidade, produtividade e competitividade, gerando novos empregos, desenvolvendo talentos e melhorando, consequentemente, a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.


Fonte: Artigos Administradores / Você está preparado para ser substituído por um robô?

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