Você gostaria de trabalhar numa das empresas investigadas pela Lava Jato?

Você gostaria de trabalhar numa das empresas investigadas pela Lava Jato?

Os impactos da longa investigação – já em sua 18ª fase – na imagem das companhias pode ser percebido, principalmente, na hora de prospectar novos empregados

Todo brasileiro já ouviu falar da Operação Lava Jato. Numa das maiores investigações de corrupção do País, diversos políticos foram presos e executivos de grandes empresas também. Mas, e essas empresas, como sobrevivem após terem o nome envolvido em escândalos como esse?

Os impactos da longa investigação – que já se encontra em sua 18ª fase – na imagem das empresas pode ser percebido, principalmente, na hora de novos trabalhos. Recentemente, soltamos no Administradores.com, vagas na Odebrecht e na Andrade Gutierrez. As oportunidades, apesar de interessantes, geraram reações mistas. Entre os comentários, tanto acusadores, exclamando não ter a menor vontade de trabalhar nessas empresas, como defensores, explicando que são poucos os funcionários envolvidos no caso de corrupção e que isso não faria o trabalho menos desejável.

E as reações não se limitam aos comentários. Em 2012 e 2013, de acordo com uma pesquisa da Cia de Talentos e da Nextview People, a Petrobras era a empresa mais desejada pelos jovens brasileiros. Em 2014, a empresa caiu uma posição, ficando em 2º. Já a Odebrecht, em 2014, apareceu logo após a empresa petrolífera. Os escândalos atuaram de forma tão avassaladora na reputação de ambas as empresas que, em uma pesquisa realizada em 2015, a Petrobras caiu seis lugares, ficando na 8ª posição; enquanto a Odebrecht nem aparece mais.

Martha Terenzzo, mentoring e sócia da Storytellers, explica que a reputação da empresa, principalmente para a geração millenium, vem se tornando um fator cada vez mais relevante no momento de consumir uma marca ou trabalhar para ela. “Suas pessoas e colaboradores são constrangidos mesmo que não sejam citados. Isso gera falta de comprometimento com o futuro, falta de credibilidade e não pertencimento”, esclarece.

Além disso, parceiros e fornecedores também podem ser afetados pela má fama de um negócio ao qual estejam associados. “A imagem da empresa fissurada abala toda a cadeia produtiva de negócios, desde seus colaboradores, fornecedores e consumidores. Ou seja, todos stakeholders de alguma forma serão impactados e, obviamente, afetará também os negócio”, explica Martha.

No entanto, mesmo que essas empresas estejam sendo investigadas, elas continuam em atividade e precisam contornar a situação para realizar novos contratos. Martha explica que, em situações como essas, a melhor opção para “limpar” sua imagem no mercado é se reinventar para atrair novos talentos. “Adotar uma medida de transparência radical na comunicação, tanto interna quanto externa, esclarecendo seus erros e novas formas de atuar pode ser uma forma de minimizar a fissura na imagem”, destaca. 

Entramos em contato com as assessorias da Odebrecht e da Andrade Gutierrez para saber como as empresas estão lidando com as denúncias e investigações na operação Lava Jato. Até o fechamento desta matéria, só recebemos o retorno da Andrade Gutierrez. Confira abaixo seu posicionamento: 

“O Grupo Andrade Gutierrez sempre se pautou por rigorosos valores éticos. Inclusive há mais de dois anos reformulou e aprimorou seu Programa de Compliance e Integridade, tornando-o ainda mais completo e mais presente no dia a dia dos seus colaboradores. A empresa disponibiliza, para o público em geral, o Código de Ética e Conduta, com o posicionamento em temas como direitos humanos, normas éticas e de conduta, meio ambiente e comunicação. Com relação à Operação Lava Jato, os advogados dos executivos e ex-executivos da Andrade Gutierrez informam que as respectivas defesas serão feitas nos autos da ação penal, fórum adequado para tratar o assunto. E que não discutirão o tema pela mídia”. 


Fonte: Notícias Administradores / Você gostaria de trabalhar numa das empresas investigadas pela Lava Jato?

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