Você tem fome de quê?

Você tem fome de quê?

A maioria das pessoas quer um “algo a mais” em suas vidas pessoais ou profissionais, mas não percebem que parte do conteúdo que alimentam suas mentes não é adequado para conseguir o que desejam.

Sem pensar muito, respondas as perguntas a seguir:

Você abasteceria seu carro naquele posto furreca, onde o preço da gasolina é mais em conta, mas que muita gente já comentou que o combustível é adulterado?

 Considerando que você cuida da saúde, iria comer no restaurante que seus amigos batizaram carinhosamente de “sujinho”, onde reinam as moscas de várias espécies e tamanhos e a higiene não é algo prioritário?

 Se a resposta for SIM para qualquer uma delas, muito obrigado pela sua atenção. Não precisa continuar a leitura, até porque não teria como entender o desenvolvimento do raciocínio.

 Se a resposta for NÃO para ambas, estamos de acordo. Não seria inteligente de nossa parte alimentar nosso corpo ou nosso veículo com produtos de baixa qualidade, que poderiam facilmente acarretar uma série de prejuízos e comprometer nossa saúde (financeira e física).

 Agora a pergunta que vele Um Milhão de Dólares (eu ia escrever Reais, mas a moeda anda meio fraca ultimamente):

 Se você quer ser um ser humano melhor do que é, se quer alcançar um determinado objetivo na vida ou na carreira, que espécie de conteúdo você alimenta a sua mente para chegar onde pretende?

 É fato que a maioria das pessoas quer um “algo a mais” em suas vidas pessoais ou profissionais, mas não percebem que parte do conteúdo que alimentam suas mentes não é adequado para conseguir o que desejam. Infelizmente, consomem doses cavalares de lixo cibernético ou televisivo, que dopam seus preciosos neurônios. Estes, por sua vez, sem muita alternativa, processam e devolvem (adivinhe)…lixo.

 E a variedade de porcaria é enorme. Está na internet, na televisão, no jornal, nas revistas, na reunião informal com os amigos, no almoço dominical com a família. Enfim, em quase tudo que nos cerca.

 Como escapar disso? Se isolando em uma montanha? Não precisa. Alguns lixos, ou pequenas bobagens do cotidiano, são inevitáveis. Vamos assimilar uma ou outra. Estão no ambiente familiar, profissional e nos círculos de amizade. Em pequenas quantidades e se descartadas de imediato, são inofensivas.

 O perigo mora nas bobagens que vamos buscar, deliberadamente, e que consumimos sem moderação, durante horas à fio, com a desculpa (esfarrapada) que se trata de distração inofensiva. Ledo engano.

 É exatamente esse lixo que vai acumulando em nossas mentes, deixando as “engrenagens rangendo”, com dificuldade de movimentação e comunicação. Com o passar do tempo, surge uma espécie de preguiça intelectual, que se manifesta só de mencionar algo mais complexo. Sujeito já sente dor de cabeça e corre para tomar um analgésico, dizendo que é “problema de vista”. Na verdade, ele está “desacostumando” a pensar.

 Em tempos de facilidade de acesso, consumir porcaria se tornou rotina, uma hábito aparentemente inofensivo, apesar de nocivo em médio prazo. É como fumar, consumir carne vermelha ou bebidas alcoólicas. Não se percebe o impacto de imediato. E para completar, alguns lixos são até patrocinados, considerando a quantidade de consumidores existentes. 

 Claro que não precisa ser tão rígido. Não teria problema incluir – eventualmente – um lixinho ou outro em nosso cardápio mental. É como beber socialmente. O problema é ficar dependente, sem controle. E, justamente por ser algo aceitável no mundo contemporâneo, é mais difícil de perceber. Afinal, todo mundo faz a mesma coisa. 

 Pense com clareza: o que se espera obter consumindo o conteúdo que está habituado? Qual seu objetivo? Este conteúdo vai ajudar a chegar lá?

 As pessoas, quando assistem a uma palestra estimulante, um sermão inspirador ou um filme ou peça que levem à reflexão, deixam o local inundadas de adrenalina mental. Em palestras, por exemplo, se foi posto à venda algum livro que trate do assunto abordado, formam-se filas para adquirir a obra. Nas igrejas, após comoventes mensagens que pregam amor pela humanidade, as pessoas saem dos templos abraçando umas as outras, até com lágrimas nos olhos. No dia seguinte, todo aquele entusiasmo se foi.

Isso acontece porque nossa mente precisa de estímulos constantes para manter o nível de entusiasmo por alguma coisa. Se interrompermos os estímulos, a tendência é esmorecer.  Surgem então a preguiça mental e o desânimo. Se não usa, atrofia.

 Claro que a mesma internet, televisão e publicações impressas, onde se depara com muita porcaria, também se encontra excelentes conteúdos, fontes de estímulo mental, de informação e de educação. 

 A decisão de consumir o que é relevante nestes meios, pode ser tão difícil quanto uma pessoa acima do peso, que come uma salada em vez de um doce. Mesmo sabendo que é a decisão mais inteligente, sempre vai haver o momento de hesitação.

 O cuidado que se tem para conservação dos veículos e pela manutenção da saúde física (pelo menos, os que têm bom senso), também deve existir com a mente. É nela que tudo começa. Se bem alimentada, ela se torna peça fundamental para alcançarmos o que almejamos em nossas vidas.   

 Lembre-se: o cérebro é um músculo que precisa ser exercitado. 

Dica: que tal deixar o telefone celular de lado e ler um livro? Tal qual o exercício físico, vai doer no início, mas vai ser tornar muito prazeroso em pouco tempo.

 

Marco Antonio Ribeiro

Master Coach, Palestrante, Radialista

marcoantonio.ferreira.ribeiro@gmail.com


Fonte: Artigos Administradores / Você tem fome de quê?

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